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Protetor solar: saiba como escolher o produto sem cair em cilada

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Imagem: iStock

Renata Telles

Colaboração para Universa

23/11/2018 04h00

Com a chegada do verão, a preocupação em relação à pele aumenta ainda mais. E na hora de escolher o melhor filtro solar, é preciso ficar ligada para não cair em pegadinhas. Confira os maiores erros na hora da compra do protetor:

Usar BB Cream como protetor solar

Nem todos têm proteção. "Existem produtos denominados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como multifuncionais. Eles destacam o FPS (fator de proteção solar), mas não têm boa proteção contra raios UVA. Para ser um protetor solar de fato, o produto deve ter o mínimo de proteção UVA. Muitos BB Creams, aliás, destacam na própria rotulagem que não são protetores solares. Se você encontrar essa informação, saiba que vai usar um produto com baixa proteção UVA", explica o farmacêutico e pesquisador em fotoproteção na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Lucas Portilho. 

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Achar que a única vantagem do filtro colorido é estética

A matéria-prima que dá cor de base ao produto é o óxido de ferro. "Não tem grande impacto na proteção contra UVB ou UVA. Por exemplo, um filtro com FPS 60 e PPD 20, com ou sem cor de base, terá a mesma proteção contra essas radiações, 60 e 20, respectivamente. Mas o produto colorido vai oferecer uma vantagem: a proteção contra a luz visível", diz Portilho.

Comprar um protetor solar para a família toda

Adultos e crianças têm pele com sensibilidades diferentes à queimadura solar. "Não é aconselhável comprar um único filtro para a família, com atenção para as crianças, que têm pele mais sensível. Agora deve-se ter muita atenção ao erro mais comum: não ler o rótulo ou a bula do produto, pois a eficácia depende da reaplicação dos filtros solares (geralmente com intervalo de 1 ou 2 horas)", fala o farmacêutico do Centro Universitário Celso Lisboa, Edézio Ferreira. 

Não comprar um produto porque não traz no rótulo informação sobre proteção UVA

Não se preocupe. A legislação brasileira determina que todo protetor solar deve passar por teste de comprovação de eficácia contra os raios UVA, portanto se um produto está na prateleira, ele já comprovou essa proteção. "Não é obrigatório destacar na rotulagem. Algumas empresas colocam essa informação, conhecido como PPD (persistent pigment darkening), que é o nome do teste de eficácia usado para medir proteção", reforça Edézio. 

Procurar por um bloqueador solar 

Você não vai achar. Esse termo foi proibido pela Anvisa em 2012, pois nenhum protetor, independentemente do FPS, protege 100% contra os raios ultravioleta. O termo correto é protetor solar ou fotoprotetor.

Usar protetor corporal no rosto 

Melhor evitar. Muitos fotoprotetores corporais têm ingredientes comedogênicos. Ou seja, podem provocar o aparecimento de espinhas. "Para o rosto, o ideal é ter antioxidantes e uniformizadores, como o Nikkol VC-IP (fonte estável de vitamina C), ativos que protejam a pele contra a radiação azul (como o Lumicease, que potencializa o fator de proteção solar) e que tenham ação antipoluição", diz a farmacêutica Cláudia Coral.

Usar protetor facial no corpo

Também não é uma boa ideia. "A maioria dos protetores para rosto não tem agente de resistência a enxágue e suor. Transferem facilmente para o tecido. Portanto, a permanência desse tipo de produto na pele fica comprometida", fala Portilho.

Comprar produtos sem levar em conta o tipo de pele

Os protetores são desenvolvidos e adequados para cada tipo de pele. "O ideal antes de comprar um filtro é consultar um dermatologista. Se não for possível, procure um fotoprotetor com toque seco, caso contrário, pode causar acne e oleosidade. E sempre igual ou maior que FPS 30", explica o dermatologista Murilo Drummond.

Só prestar atenção ao FPS

Além de apostar em um FPS igual ou acima de 30, que protege contra o UVB (que pode causar queimaduras e câncer de pele), é importante comprar um produto que contenha proteção PPD e IR (Infrared). "Na prática o PPD representa a proteção contra os raios UVA, que podem trazer prejuízo à nossa pele o ano todo, causando desde envelhecimento até lesões mais graves, como câncer", diz Edézio. Já o IR é sentido através do calor ou mormaço. "É uma radiação que acomete um comprimento de onda suficiente para atingir a derme mais profunda, onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade e piora no aspecto geral", ressalta Claudia. 

Acreditar que bronzeador substitui protetor

Os bronzeadores protegem contra raios UVB, mas deixam grande parte dos UVA passar. Ao barrar a UVB, a pele não fica avermelhada, mas é graças à baixa proteção UVA que a pele fica mais escura. "Não existe bronzeado saudável, infelizmente. O bronzeamento é uma resposta da pele à agressão sofrida pela exposição solar, que danifica o DNA. Saiba que ao usar esse produto você levará, precocemente, ao envelhecimento da pele", afirma a dermatologista Juliana Piquet, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Achar que todo protetor com cor esconde o melasma 

Nem todos. Ter cor não significa que o protetor terá alta cobertura. O poder de cobertura do produto depende da quantidade de óxido de ferro, usado para dar tom de pele. "O ideal é testar antes de comprar, na loja, para avaliar a cobertura de cada produto", recomenda Portilho.

Ignorar filtros com antioxidantes

Os antioxidantes não apenas protegem da radiação UV, mas também oferecem outros benefícios tangíveis da saúde da pele (evitam flacidez, rugas...). "Eles são uma ajuda a mais, entretanto, não precisam ser necessariamente incorporados aos filtros. Vitamina C, vitamina E, Phloretin, alistin... são muitos os ativos disponíveis", destaca Juliana.

Comprar protetor solar com repelente 

Um estudo sugere que a combinação do DEET (o repelente mais comum) e do protetor solar reduziria a eficácia do FPS em torno de 33,3%. "O repelente não deve ser usado mais de três vezes ao dia pelo risco de intoxicação e filtros solares precisam ser reaplicados com intervalos mais curtos", diz Paula Chicralla, especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Melhor investir em dois produtos diferentes, aplicando o protetor primeiro e o repelente por cima.

Usar um protetor normal se você pratica muita atividade física

Invista em um filtro à prova d'água, mas preste atenção à embalagem. Existem duas classificações possíveis: resistente e muito resistente à água. "No primeiro caso, o FPS pode cair no máximo 50% após 40 minutos de imersão, e no segundo, após 80 minutos", explica Paula. Vale lembrar que a recomendação é a de reaplicar o filtro a cada duas horas.