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Violência contra a mulher

"Colocaram uma camisinha usada na minha bolsa", diz passageira da CPTM

Reprodução/Instagram
A jornalista Clara Novais: "Minha reação foi jogar a camisinha no meio do trem" Imagem: Reprodução/Instagram

Camila Brandalise

Da Universa

02/10/2018 15h06

A jornalista Clara Novais, 27 anos, sentiu um líquido gotejando em sua perna esquerda enquanto estava em um trem da CPTM, em São Paulo, a caminho do trabalho, na terça-feira (2). “Achei que fosse a comida do meu almoço que estava vazando”, disse à Universa.

Ao checar a bolsa, viu que, dentro dela, estava uma camisinha com um líquido, sendo que a parte aberta do preservativo ficou pendurada para o lado de fora. “Fiquei muito assustada na hora. Tirei foto para registrar e logo depois joguei a camisinha no meio do trem”, conta. Ela diz não ser possível afirmar se o líquido era sêmen. "Posso dizer que era amarelado e manchou meus livros." 

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Clara, que embarcou na estação Palmeiras Barra Funda, desceu na estação Imperatriz Leopoldina, seu destino final. Procurou os seguranças para prestar queixa, mas não encontrou ninguém.

Reprodução/Instagram
Clara fez a foto da camisinha colocada em sua bolsa e postou em seu Instagram Stories Imagem: Reprodução/Instagram

Ela reclamou nas redes sociais (a foto da camisinha na bolsa foi postada em seu Instagram Stories) e a CPTM orientou, via Twitter, que ela fizesse um registro de ocorrência no site da empresa. “Nesse registro, escrevi o que aconteceu com detalhes de horários e locais. Exigi que as câmeras de segurança fossem checadas e reclamei sobre a ausência de seguranças”, diz.

Clara conta que já foi assediada no metrô no final de 2017. “Um homem chegou perto de mim e disse que me chuparia toda.” Na ocasião, também procurou um segurança para pedir ajudar e afirma não ter encontrado. “Há várias campanhas dizendo para informarmos as autoridades em caso de assédio. Mas, quando aconteceu comigo, não tive para quem informar”, reclama

Procurada, a CPTM afirmou, em nota, que tomou conhecimento da ocorrência por meio do registro da usuária nas redes sociais e no SAU  (Serviço de Atendimento ao Usuário). "A empresa irá checar as câmeras de segurança e colaborará com as autoridades policiais, caso haja investigação", diz. A companhia alega também que "conta com agentes de segurança em todas as estações, principalmente nas plataformas, equipados com colete verde limão e faixas refletivas, permitindo sua identificação, ainda que em meio à multidão".

Importunação sexual agora é crime

O caso de Clara poderia ser enquadrado na lei sancionada na segunda-feira, 24 de setembro, que categoriza a importunação sexual como crime previsto no Código Penal. Segundo o texto, é crime quando um indivíduo “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A pena é de um a cinco anos de prisão.

Errata: o texto foi atualizado
02/10/2018 às 00h00
Diferentemente do que publicado anteriormente, o texto da lei diz que configura-se como importunação sexual "praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro".

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