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Violência contra a mulher

Mulher é agredida por segurança do Metrô ao defender sua parceira em SP

Amanda Serra, Denise de Almeida e Natacha Cortêz

Do UOL, em São Paulo

20/12/2017 20h29

Vendedora ambulante há três anos, Juliana da Silva, 35, foi agredida no rosto por um segurança do Metrô de São Paulo ao defender sua companheira, Marta dos Santos, 30, de insultos. O caso ocorreu na terça-feira (19), na estação Vila Matilde, por volta das 18h45, e foi filmado por outra mulher, que também teria sofrido ameaças do mesmo homem. Nenhuma delas estava trabalhando no local. 

De acordo com Juliana, ela, seu filho de 18 anos e Marta pegaram o metrô na estação Patriarca, pois iam ao Shopping Tatuapé retirar panetones. Ela se sentou em um banco no trem, enquanto sua esposa ficou ao lado, sentada no chão, separando alguns papéis.

Conhecidas na Linha 3-Vermelha, onde trabalham diariamente, vendendo chocolates e itens como fones de ouvido e spinners, elas foram abordadas na estação Guilhermina-Esperança -- dois seguranças entraram no vagão e questionaram se elas estavam com mercadorias. Ao verem que as duas estavam no trem apenas como passageiras, exigiram que Marta se levantasse do chão. Ela acatou a ordem, mas continuou separando papéis de sua carteira. Eles exigiram que ela os recolhesse do chão e “parasse de sujar o metrô”. Marta avisou que faria isso antes de descer do vagão.

“Mas aí eles a arrastaram e a retiraram do vagão à força, na estação seguinte”, conta Juliana ao UOL, que entrou na frente para defender sua parceira e acabou sendo agredida. “Me coloquei na frente e falei que ele estava agredindo uma mulher, que não podia fazer isso. Ele não gostou e me bateu. Também ameaçou uma outra pessoa que estava filmando e um cara que entrou para nos defender. Para esse rapaz, além do golpe de cassetete, ele disse - ‘não acabou agora não, te encontro na rua’”, relata. O segurança usava uma mochila, o que indicaria que ele não estaria trabalhando no momento do ocorrido. 

Segurança desaconselhou a registrar ocorrência

Ainda de acordo com Juliana, ela e Marta foram abordadas por uma outra segurança da estação logo após o ocorrido. “Ela quis saber se estávamos bem, mas nos desaconselhou a fazer um Boletim de Ocorrência, pois segundo ela, o agressor está com ‘problemas psiquiátricos’ e a ocorrência não daria em nada. Mas aí eu pergunto, como alguém louco trabalha no meio das pessoas?”, questiona a vendedora, que logo depois se dirigiu para Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), na Barra Funda, onde ficou até as 4 horas da manhã. De lá, foi encaminhada para o exame de corpo de delito.

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Assustada com a repercussão do caso, Juliana trabalhou em outra região hoje, e ainda teme sofrer represálias. “Tive muito medo de fazer o B.O., ainda estou assustada com a repercussão do vídeo. Preciso continuar trabalhando, tenho dois filhos gêmeos de 7 anos, e mais um de 18, que está desempregado, para sustentar. Trabalhar como ‘marreteira’ é a única forma que tenho de sobreviver”, diz a paulistana, que só estudou até a 5ª série e até pouco tempo atrás dependia do salário do ex-marido.

“As agressões verbais e físicas são diárias. Eu já tinha sido agredida uma outra vez, com um empurrão na escadaria. Ainda que o trabalho de ambulante seja ilegal, ele não é ilícito. Não pode ter agressão por parte da segurança, somos humanos. Que tome a mercadoria, mas não bater. Isso deveria parar”, afirma ela.

Metrô vai apurar o caso

Procurado pela reportagem, o Metrô de São Paulo enviou nota oficial por e-mail: "O Metrô repudia todo e qualquer tipo de violência. A atuação do empregado não condiz com as diretrizes de atendimento da companhia. Por isso, o agente de segurança envolvido na ocorrência foi afastado de suas funções para apuração."

Outro ambulante ouvido pela reportagem afirmou que há cerca de dois meses também sofreu agressões, que teriam sido praticadas pelo mesmo funcionário envolvido no caso de terça-feira. O homem, que preferiu não se identificar com medo de retaliações, ainda afirmou que sua esposa, gestante, foi agredida por um golpe de cassetete na barriga. Na ocasião, a ocorrência foi registrada na Delpom. 

Ao UOL, o Metrô não informou o nome do funcionário nem confirmou se ambos os casos estavam relacionados ao mesmo segurança. Sobre a ocorrência de terça-feira, por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que "a Polícia Civil informa que o caso foi registrado como lesão corporal e ameaça pela Delegacia do Metropolitano. A vítima e testemunhas foram ouvidas. Foi solicitado exame de corpo de delito à vítima, que foi orientada quanto ao prazo de seis meses para representar criminalmente contra o autor. Foram solicitadas as imagens das câmeras de monitoramento da estação."

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