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Direitos da mulher

"Médicos querem ganhar dinheiro matando", diz religiosa contra o aborto

Talyta Vespa

Da Universa, em Brasília

06/08/2018 11h12

O clima esquentou em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal) na manhã desta segunda-feira (6). Após a vigília do grupo pró-descriminalização do aborto, chegaram à Capital Federal manifestantes religiosos contrários à ADPF 442. A fila para entrar na Casa ganhou "Pai Nossos" e "Ave Marias" em coro; enquanto mulheres, que são a favor da legalização, criticavam as rezas. Elas alegam que o Estado é laico.

Universa conversou com a aposentada brasiliense Suzana Coimbra, de 52 anos, que é contra a descriminalização do aborto, porque se diz "a favor da vida". "A mãe que pratica o aborto está despreparada psicologicamente. Ela vai se arrepender", diz a aposentada. Ela informa que nunca fez um aborto.

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Suzana criticou ainda, os grupos que pedem a descriminalização. "Essas mulheres estão defendendo outros interesses, que não envolvem a vida das mulheres. Se estivessem preocupadas com isso, defenderiam também a vida das bebês que estão nas barrigas delas", afirma. "O interesse também é da indústria farmacêutica e dos médicos, que querem ganhar dinheiro matando".

Segundo a aposentada, as mulheres que abortam devem ser presas. "Temos que evitar que elas abortem, mas, se abortarem, os médicos que fizerem o procedimento deverão ser punidos. Caso elas abortem sozinhas, com medicamentos, deverão ser presas".

A advogada brasiliense Thaís Sampaio, de 24 anos, diz que "quem morre com o aborto é o feto, não a mulher". "Uma mãe matar um filho é o cúmulo. Acho que deveria haver políticas públicas para ajudar mulheres que não querem ter filhos, como um auxílio psicológico. E, se mesmo assim, elas não quiserem o filho, é só dar para a adoção", afirma, reiterando que há muitos pais em busca de adoção no Brasil, mas que a demora é grande. 

A advogada afirma que, se a mulher engravidou, "não foi por acaso". "Ela não se cuidou e tem que se responsabilizar", diz. "Estamos caminhando quando o assunto é abandono paterno, então, tanto mãe quanto pai precisam assumir. Em nenhum dos casos, a solução é matar a criança inocente".

Thais defende que haja educação sexual nas escolas, e duvida de índices que mostram que o número de abortos caiu em países onde a prática foi descriminalizada. "A educação sexual não pode ser a que é ensinada hoje, que banaliza o sexo. Sou católica e acredito que as pessoas não podem ser ensinadas a transar por prazer".

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