Sexo

Por que às vezes sentimos tesão por quem nos desperta ódio?

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Tesão por quem irrita; entenda Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

09/04/2018 04h00

Não se admire se um dia você se flagrar tendo pensamentos libidinosos com aquele colega do trabalho que, até então, considerava irritante. Nós, seres humanos e, portanto, imperfeitos, volta e meia somos tomados pela ambivalência emocional, sentindo emoções positivas e negativas ao mesmo tempo.

É possível, por exemplo, amar loucamente um filho e detestar certas obrigações da maternidade. Ou ser acometida por uma vontade insana de transar com o namorado no momento mais barra pesada de uma DR. Pois é, as pessoas são assim, complexas e contraditórias. Portanto, é natural nutrir uma atração, mesmo que seja difícil admitir, por quem você só fala mal.

Mas o que pode estar por trás da raiva? Será que se trata mesmo de repulsa? Há algumas possibilidades. Segundo o psicólogo Yuri Busin, diretor do CASME (Centro de Atenção à Saúde Mental Equilíbrio), de São Paulo (SP), o ódio que sentimos de alguém pode estar ligado a uma grande admiração que sentimos. "Como não temos maturidade emocional para lidar com o fato de que ela tem qualidades incríveis, nos afastamos e a repelimos", afirma.

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Para Yuri, outro exemplo envolve as pessoas extremamente bonitas, que costumam provocar sentimentos de ódio nos outros como forma de defesa para equalizar o fato de que têm uma aparência mediana. "Porém, o tesão que ela exerce nem sempre é dominado", diz.

O ódio ainda pode envolver uma enorme atração: ele nada mais é do que uma forma de defesa, tentativa de quem o sente de não saber lidar com algo a mais. "Um sentimento pode mascarar outro. Por isso, os psicólogos costumam seguir uma regra: nunca considerar apenas o aspecto verbal. Existe algo além das simples palavras da fala, como a emoção, os sentimentos e os pensamentos. Por isso, um ódio pode vir a ser, na verdade, amor ou paixão", conta o psicólogo clínico Bruno Almeida, idealizador do projeto “Superando Desafios”.

É importante ressaltar outras hipóteses: embora o desejo seja intenso, a implicância se sobrepõe porque detestamos na pessoa algo que queremos e ainda não conseguimos ser ou ter. Isso nem sempre ocorre, claro, de modo consciente. Ou, ainda, condenamos nela algo de que não gostamos em nós mesmos. "Podemos acabar espelhando o que o outro tem e nós também temos, mas sentimos receio de assumir isso e nos decepcionarmos conosco. Às vezes trata-se de uma característica pela qual sentimos tanta aversão, que perceber que também podemos ser assim gera medo", conta a psicóloga Livia Marques, do Rio de Janeiro (RJ).

Não é incomum, ainda, que a raiva gere excitação sexual. "Há quem sinta tesão ao estar com medo, tristeza, nervosismo etc. Isso varia de indivíduo para indivíduo e acontece porque as pessoas buscam diferentes formas de prazer e compensação emocional. Algumas, inclusive, podem criar esse padrão de comportamento para amenizar o sentimento que possuem naquele momento", informa Yuri.

De acordo com Naiara O. Mariotto, psicóloga clínica pós-graduada em Sexologia, de Araraquara (SP), o estresse produz grandes reações corporais, como a liberação de adrenalina na corrente sanguínea. "Pesquisas já concluíram que o estresse e as sensações que envolvem a excitação são bem parecidos. Ambos, por exemplo, fazem com que neurotransmissores produzam impulsos elétricos que atuam diretamente nas glândulas do aparelho reprodutor", conta. A vontade de transar pode aumentar e ficar mais instintiva.

Para lidar melhor com sentimentos tão ambivalentes e conviver melhor com a pessoa alvo de ódio e/ou tesão, o melhor a fazer é refletir bem sobre si mesma e sobre tudo o que ela lhe desperta. "Não é clichê dizer que o amor e o ódio andam lado a lado. Às vezes temos uma questão mal resolvida em relação a alguém e acabamos por confundir sentimentos e sensações. Essa confusão pode ser ruim, pois pode levar você a tomar atitudes impulsivas e depois se arrepender", diz Livia.

Ao perceber que, de fato, nutre desejo sexual por alguém que lhe causa mal ou algum desconforto, tente buscar equilíbrio com um psicólogo para que você saiba identificar suas emoções e educá-las. Além disso, se precisar conviver com essa pessoa, busque ter apenas conversas assertivas com ela e evitar um contato maior. "Não é fácil se afastar ou ter um comportamento diferenciado de uma hora para outra, mas busque equilíbrio e auxílio para lidar com essa situação", fala Livia. "Uma boa ideia é tentar canalizar as energias dos sentimentos negativos para algo que julgue mais divertido e prazeroso", completa Naiara.

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