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Quando a traição vira trauma: como voltar a acreditar em relacionamentos?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

05/12/2018 04h00

De modo geral, ser alvo de uma traição causa sofrimento, angústia, mágoa e muita revolta. Seja retomando a relação ou seguindo em frente sozinha, costuma demorar um pouco para a vida entra no eixo. Para algumas pessoas, no entanto, o impacto é tão grande que acaba causando um medo extremo de se envolver afetivamente de novo. Superar esse trauma é um processo doloroso, mas possível se os passos a seguir forem colocados em prática.

Enfrentar as etapas do luto por uma traição é fundamental

Segundo a psiquiatra suíça Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004), são cinco as fases do luto: negação, raiva, barganha/negociação, depressão e aceitação. Enfrentar uma a uma é imprescindível para superar qualquer tipo de perda. Só que, conforme a experiência da psicóloga Izabel Failde, de São Paulo (SP), muitas pessoas pulam a primeira etapa e pulam direto para o estágio da raiva.

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"Isso acontece, principalmente, com quem é extremamente desconfiada desde o início da relação. Na realidade, a falta de confiança em si faz surgir a desconfiança extrema no outro", afirma. É claro que a intensidade e o tempo de cada fase variam de pessoa para pessoa, mas nenhuma deve ser ignorada. "Se a pessoa sair da raiva para a aceitação, por exemplo, em um processo de negação das outras fases, é apenas uma questão de tempo para que elas voltem e, talvez, mais fortes", diz Izabel. Traição significa que acordos foram quebrados. Para assumir um “novo acordo” com alguém, é preciso ter resolvido o anterior.

Resgate a autoconfiança

Muitas mulheres perdem a confiança em si mesmas após um episódio de traição. "Elas se enxergam como as causadoras da infidelidade, não se sentem dignas de serem amadas integralmente novamente e praticam a autossabotagem, mesmo que inconscientemente na maior parte do tempo", conta Izabel. Para resgatar a autoconfiança, assuma apenas a sua parte no que aconteceu --não mais do que isso. Lembre-se: você não tem controle sobre a vida alheia, é responsável apenas pela sua.

Existindo aspectos pessoais para melhorar, faça isso: amadureça, cresça, evolua. "Procure pensar naquilo que você quer em um relacionamento e evite manter na cabeça aquilo que não deseja, como a desconfiança, os medos e as incertezas", sugere o psicólogo Alexandre Bortoletto, Trainer e Master Pratictioner na SBPNL (Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística).

Remoer os motivos que levaram a traição nem sempre faz bem

Geralmente, as pessoas que foram traídas tentam encontrar respostas e entender porquê foram traídas. "E podem passar muito tempo 'ruminando' mentalmente cada momento de seu relacionamento na tentativa de encontrar as falhas. Porém, nem sempre existe uma resposta exata para justificar os motivos da traição. Simplesmente quem trai tem seus motivos, sejam eles conscientes ou inconscientes, mas que nem sempre serão entendidos por quem foi traído", pontua Márcia Sando, psicóloga e coach de relacionamentos, de São Paulo (SP).

Em vez de ficar procurando agulha no palheiro incansavelmente para entender a traição, que tal simplesmente trabalhar a aceitação? Para Izabel, vale muito mais a pena preocupar-se em como sair da situação do que entender porque ela aconteceu com você. "Os 'porquês' podem ser armas de destruição e não necessariamente são verdadeiros. Sua mente vai construir respostas surreais, diretamente ligadas ao seu nível de 'autocondenação'. Ocupar-se em como se recompor e tocar a vida adiante é mais saudável e, provavelmente, mais real", explica.

Perdoe primeiro a si mesma

"É importante que sempre perdoemos a nós mesmos, depois os outros. Perdoar alguém, mas sentir que você foi a grande algoz da traição, não parece muito bom. Lembre-se que sempre tentamos fazer as melhores escolhas e no momento em que escolheu seu par era o melhor para você. O tempo passou e agora você pode escolher novamente. Aceite essa realidade", fala Alexandre. Perdoar o outro significa livrar-se de sentimentos recorrentemente dolorosos.

Enfrente a vida, mesmo sem vontade

Ainda que esteja desmotivada pelo que houve, não fique paralisada. Saia com os amigos, vá ao cinema sozinha, faça passeios ao ar livre, converse com pessoas que não conhece, comece a pensar em novos projetos profissionais ou em fazer algum curso em uma área da qual goste. Sem essa de esperar a vontade chegar porque, talvez, ela demore muito a
aparecer.

Dê uma chance, mas vá com cautela

Não se obrigue a engatar um novo relacionamento amoroso rapidamente, para mostrar ao ex que está bem ou simplesmente para não ficar sozinha. "E, principalmente, controle seu impulso de oferecer de 'mão beijada' a confiança a alguém. Observe o outro, permita-se ser conquistada aos poucos. Confiança 'cega' no início de uma relação pode ser sinônimo de frustração e dor", conta Izabel. Comece devagar, pois você está reaprendendo a confiar. E tenha em mente que as pessoas são diferentes, portanto esqueça as comparações. Cada pessoa é única e os relacionamentos também têm suas singularidades.