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8 perguntas que você deve se fazer antes de perdoar uma traição

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Ao viver uma traição, a orientação é tentar avaliar o relacionemtno de maneira racional Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

25/11/2018 04h00

Embora haja um desejo sincero de superar a infidelidade e continuar a relação, o calor da emoção e a falta de clareza da situação como um todo podem fazer com que pessoas perdoem um deslize do par sem estarem verdadeiramente prontas para isso. O ideal, de acordo com especialistas, é tentar avaliar tudo de maneira racional, de preferência, fazendo algumas perguntas importantes, como as listadas a seguir:

1. Questão crucial: por que você está perdoando?

Conforme lembra o psicólogo Yuri Busin, diretor do CASME (Centro de Atenção à Saúde Mental Equilíbrio), de São Paulo (SP), para muitas pessoas, a infidelidade é algo inaceitável - pelo menos num plano "teórico". Porém, quando ela acontece de fato no relacionamento, outros fatores entram em cena - dependência financeira, preocupação com os filhos, medo de ficar só etc. - e quem sofre a traição termina abrindo mão dos próprios valores e convicções em nome de um perdão "funcional", não de coração. É preciso avaliar muito bem se as desculpas são sinceras e indicam pra valer a vontade de resgatar a relação ou apenas uma solução momentânea para ganhar tempo e repensar a própria vida e a maneira com que a vem conduzindo.

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2. Dá para enterrar o assunto definitivamente e não ficar jogando o que aconteceu na cara do par o tempo todo?

Segundo Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), perdoar "da boca pra fora" é algo recorrente entre os casais que atravessam um período turbulento devido à traição. "Só que a raiva não digerida é 'ruminada' constantemente. E aí, a cada oportunidade, eventual ou provocada, a pessoa traída joga sobre o par toda a sua ira contida. Lembrar o outro constantemente do erro que cometeu e de toda a mágoa que causou pode ser catártico, mas causa danos à relação e mostra que você não está conseguindo superar o trauma", explica Triana. Viver o processo de dor leva tempo e requer muita paciência e tolerância.

3. Vocês conseguiram avaliar o que levou à traição?

São muitos os motivos por trás de uma infidelidade: carência, raiva, solidão, monotonia, vingança, busca por novos prazeres e experiências, necessidade de se sentir alvo do desejo e do tesão de alguém, vulnerabilidade emocional, curiosidade e até tédio, entre os outros fatores, podem fazer com que homens e mulheres traiam seus pares. "Conversar abertamente sobre o fato e o que o motivou é fundamental para abrir espaço para o perdão. Só através do diálogo é possível pensar em aceitar, superar, crescer, mudar, refletir e compactuar para reconstruir a relação, sem culpar ou transferir culpa. Ao se darem conta, juntos do que não funcionou no passado, os dois conseguem trilhar um novo caminho sem cometer os mesmos erros", pondera Triana.

4. Como andava o relacionamento antes da traição?

É preciso avaliar o que a relação tinha de bom e de ruim antes da infidelidade. "É muito fácil colocarmos a culpa dos acontecimentos ruins nos outros, pois assim, simplesmente negamos a nossa participação nos fatos. No entanto, devemos ser sinceros com os outros e, inclusive, conosco, e repensarmos a relação de um modo geral. Todos os envolvidos são responsáveis pelas causas e consequências do rumo da relação e, ao analisá-los sinceramente, podem assumir a parte de responsabilidade que lhes cabe na manutenção do amor", afirma Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo (SP).

5. É possível resgatar a confiança (em si mesma e no par) e viver tranquila sem o medo constante de uma nova traição?

Viver ansiosa, hipervigilante, insegura e tensa com as oscilações na relação ou no comportamento do outro acaba com a saúde, drena a energia e pode levar à depressão e ao transtorno de ansiedade. E, obviamente, não adianta nada perdoar - ou mentir para si mesma, fingindo que perdoou - se a desconfiança persiste. Tentar reconstruir uma relação à base de suspeitas e pessimismo não costuma dar certo. 

6. Você consegue ficar imune ao impacto das críticas e reações alheias?

Quando a traição se torna pública entre amigos e familiares, querer perdoar pode ficar mais difícil se você tiver a sensação de que está fazendo algo "errado". Isso porque, em geral, as pessoas costumam tomar partido e dar opiniões e conselhos não solicitados. Para lidar com isso, o primeiro passo é evitar se colocar na posição de vítima. O segundo é não expor detalhes sobre o que houve - mesmo porque, não é da conta de ninguém. Você tem todo o direito, sim, de escutar os pontos de vista de quem gosta e respeita, mas lembre-se que a decisão final é 100% sua.

7. Está disposta a enfrentar um período de ajuste na relação?

"Após a fase de reflexão e perdão, nem sempre as coisas irão passar rapidamente, pois marcas foram deixadas e demoram um pouco para cicatrizar. Um dos pilares da relação foi quebrado e precisa ser reconstruído aos poucos e com muita vontade", diz Yuri. Não existe um tempo ideal para as coisas se assentarem, e sim, o tempo de cada pessoa. "Só você é capaz de perceber o momento certo para reatar a relação ou deixar tudo para trás, definitivamente. Será preciso um tempo para esfriar a cabeça, pensar nos prós e contras, conviver com o
processo de luto e sofrimento, ter tempo para olhar para dentro de si com o intuito de buscar uma clareza interior e de resgatar a sua autoestima", conta Raquel. 

8. Se for necessário, topa buscar ajuda profissional?

Mesmo após muita discussão de relacionamento, nem sempre o par consegue superar o que houve e se entender. E, para muitos, desabafar com amigos ou parentes só embaça mais a visão das coisas. Se ambos sentem que querem de verdade resgatar a relação, mas têm dificuldades, o ideal é procurar um psicólogo ou um terapeuta de casal, profissionais que oferecem um olhar de fora, uma escuta neutra e especializada e que contam com as ferramentas certas para ajudar os dois a se entenderem melhor.