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Minha história

"Grávida, quebrei a coluna e fiquei 5 meses na UTI para salvar minha filha"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Por Bárbara Therrie

Colaboração para Universa

28/08/2018 04h00

Fabiane Vieira Bruns, 31, fraturou a coluna ao se envolver em um acidente de caminhão com o marido, Rafael Batista Correia, 32, quando estava grávida de três meses. Os médicos lhe deram duas opções: fazer a cirurgia e correr o risco de perder a bebê ou esperar a filha nascer para operar. Ela escolheu pela vida de Helena e ficou cinco meses internada na UTI, deitada, sem poder se levantar. “Valeu o sacrifício. Eu faria tudo de novo”, diz. Leia o depoimento dela:

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Imagem: Arquivo Pessoal

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“Eu estava grávida de três meses quando sofri um acidente de trânsito com o Rafael, meu marido. Ele é caminhoneiro há dez anos. Nós estávamos voltando de viagem a 30 km/h quando o caminhão tombou numa curva. Eu desmaiei. Ao acordar, senti uma dor muito forte nas costas.

Um casal, que estava num carro atrás do caminhão, pediu socorro. Fomos levados ao hospital. Eu fraturei a vértebra T9 e tive descolamento da placenta. Meu marido machucou a cabeça e teve escoriações no braço. Ele ficou internado cinco dias e recebeu alta.

Se eu tentasse me mexer, corria o risco de nunca mais andar

Meu quadro era mais grave. Os médicos falaram que se eu operasse a coluna, havia 85% de chance da bebê não sobreviver. A outra opção seria esperar minha filha nascer para poder operar. Para isso, eu teria que ficar em repouso absoluto. Eles explicaram que havia um fragmento do osso próximo à medula. Se eu tentasse me movimentar, corria o risco de nunca mais andar.

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Imagem: Arquivo Pessoal

Em nenhum momento passou pela minha cabeça a possibilidade de perder a minha filha. A Helena foi uma criança muito desejada, sonhada. Eu tive dificuldades para engravidar, fiz tratamento e fiquei dois anos tentando. Já era um milagre ela ter sobrevivido ao acidente. Fiquei com medo de não andar mais, mas o amor pela minha filha era maior. Meu pensamento era apenas o de protegê-la.

Fiquei internada na UTI do Hospital do Rocio, no Paraná, por cinco meses, deitada, sem poder levantar para nada. Eu não podia mexer o tronco. Meu repouso foi absoluto no restante da gestação. Eu sentia muita dor nas costas e no corpo. Fazia acompanhamento psicológico e fisioterapia.

Meu marido trocava a minha fralda, arrumava meu cabelo e me depilava

As enfermeiras eram bastante atenciosas, mas eu me sentia mais à vontade com o Rafael. Ele passava o dia no hospital cuidando de mim. Ele me dava comida na boca, banho na cama, trocava a minha fralda, cortava e fazia penteados no meu cabelo, me depilava, fazia a minha unha. Tudo isso para manter a minha vaidade e autoestima elevadas. Se não fosse por ele e pela fé em Deus, eu não teria suportado.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O Rafael teve que sair do trabalho para se dedicar a mim. Estamos vivendo com doações e ajuda financeira de amigos e familiares para pagar as contas. As enfermeiras organizaram dois chás de bebês, ganhei bastante fralda e roupinha. Minha mãe, minhas irmãs e os familiares do meu marido fizeram uma vaquinha e montaram o enxoval e o quartinho da Helena. Ganhamos um ensaio fotográfico de gestação quando eu completei sete meses.

Fizemos as fotos no corredor do hospital. Mesmo não estando de pé como eu gostaria, foi um momento especial que me trouxe esperança e alegria. Sentir a Helena se mexendo dentro de mim era o que mais me dava forças.

Operei a coluna e quero me recuperar para cuidar da minha filha

Com 34 semanas de gestação, as dores na coluna se intensificaram e os médicos marcaram a cesárea da Helena. Ela nasceu prematura no dia 15 de junho de 2018. Eu voltei para a UTI e ela foi para a UTI neonatal. Só a conheci dez dias depois do parto. Senti um amor incondicional ao vê-la. Valeu todo o sacrifício. Eu faria tudo de novo.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Fiz a cirurgia na coluna e vou ficar em recuperação por seis meses. A orientação é que eu fique sentada ou deitada. Recebemos alta no final de junho. É um alívio estar em casa. Já estou conseguindo andar bem devagar e fazer algumas coisas com a minha bebê. Troco a fralda, dou o leite e faço ela dormir no carrinho.

As tarefas que exigem mais esforço físico, como dar banho e trocar a roupa, meu marido que faz. Estamos esperando eu melhorar um pouco para ele poder procurar emprego e voltar a trabalhar. Nosso objetivo é focar na minha recuperação para cuidarmos e educarmos a nossa filha do jeito que sonhamos”.

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