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Mapa da mina

Ex-vendedora faz fortuna com rede de alimentação e "se aposenta" aos 41

Divulgação/Arte UOL
Imagem: Divulgação/Arte UOL

Léo Marques

Colaboração para Universa

13/07/2018 04h00

Embora tenha crescido em um lar simples, de classe média baixa, Jeane nunca abriu mão de uma alimentação equilibrada. Seu estilo de vida a levou de vendedora em loja de roupa a dona de uma das maiores redes de comida saudável do Brasil, a DNA Natural. A empresa, fundada em 2007, chegou a faturar R$ 20 milhões em 2016. No ano seguinte, ela resolveu vender a empresa. Hoje, Jeane dedica parte do seu tempo a dar consultoria e palestras sobre como conduzir uma franquia de sucesso.

Nascida na cidade de Florianópolis (SC), Jeane Moura trabalhou desde muito cedo para bancar suas necessidades. “Meus pais sempre me deram muito amor, mas, para ter as minhas coisas, tive de conquistá-las sozinha, pois essa era a educação que eles me proporcionaram”, diz. Aos 14 anos, ela ajudava a prima numa pequena loja de roupa de ginástica dentro de uma academia. A paixão por vendas a manteve no ramo por muitos anos. “Estudava pela manhã e trabalhava à tarde. Nunca estudei em casa. Até hoje, ensino meu filho a prestar muita atenção na aula”.

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Sem outra possibilidade de estudar numa faculdade, que não passando numa instituição pública, Jeane manteve sua dedicação aos estudos até passar no curso de administração de empresas na Universidade Federal de Santa Catarina. Nesse período, continuou batalhando para conseguir sustentar suas necessidades. “Trabalhava em loja, vendida bombons que produzia, fazia estágio e estudava alguns dias de manhã e outros, à noite”, lembra.

“Cheguei a passar fome”

Diante da oportunidade de trabalhar em uma varejista de moda no Rio de Janeiro, Jeane não pensou duas vezes e trancou a faculdade. “Não tive ajuda dos meus pais para essa viagem, tive que bancar do meu próprio bolso. Cheguei a passar fome por conta das despesas que tinha, mas, ainda assim, batia recorde de vendas na loja e sempre fui a última a sair”, conta.

Determinada, ela foi se destacando no atendimento até ser promovida a gerente e depois supervisora. Nesta época seu salário já era de quase R$ 3 mil. Foi nesse período que Jeane costumava levar suas marmitas saudáveis, já que não encontrava nenhum restaurante que lhe agradasse no shopping onde trabalhava.

Depois de receber uma proposta para um cargo no escritório da marca com a condição de se graduar, Jeane voltou para a capital catarinense, para terminar seus estudos. Na volta para a universidade, ela conheceu seu futuro marido, e acabou permanecendo na cidade depois do término do curso. Pouco tempo depois, então com 30 anos e já casada, ela resolveu que era o momento de abrir seu sonhado restaurante.

Quando um novo shopping estava em construção na cidade, ela pesquisou a oportunidade de abrir um restaurante na praça de alimentação. A única exigência era a de que fosse aberta uma franquia, já que não existia marca própria na história do shopping. “Como me identificava com o segmento natural, comecei a pesquisar franquias do ramo. Mas, há dez anos, não existiam muitas marcas saudáveis no mercado. Muito menos redes. Então, comecei a montar meu próprio restaurante com ‘cara de franquia’ para apresentar ao shopping e tentar ser aprovado”, conta Jeane. “Parcelei o ponto e a construção e ia pagando as parcelas com o faturamento”.

Com um formato bem desenvolvido, Jeane foi buscar o que era mais vendido e tendência nos países onde a cultura da alimentação saudável já estava mais desenvolvida. “Levei suco natural para dentro de shopping, com sabor, qualidade e limpeza. Isso não existia."

Ela criou a maior empresa do segmento no Brasil

O surgimento da empresa coincidiu com o nascimento do seu primeiro filho. “Foi difícil conciliar a vida de mãe com a de empreendedora. Administrar um restaurante ocupa muito tempo e eu ainda tinha de cuidar de pesquisa, cardápio, fornecedor e obra. Quando o meu filho Davi tinha um ano, eu o levava para dentro do caixa. A sorte foi que tive muita ajuda. Mas minha vida era no shopping, com ele”, lembra.

Todo o esforço foi recompensado. A aceitação e o destaque diante de um mercado até então pouco explorado, mas carente de opções, foi imediata. Não demorou muito para os primeiros resultados começarem a aparecer, com a ampliação do número de lojas via franquia e novos modelos de negócio, como o formato bistrô e o quiosque.

Ao longo desse período, foram abertas cerca de 50 lojas em todo país e o DNA Natural se tornou o maior do Brasil nesse segmento. O sucesso a levou a ser assediada por vários grupos, até que ela viu a possibilidade de crescimento da empresa por meio de uma fusão. “Achei que depois de 10 anos já tinha crescido o que conseguia. Em 2017, me identifiquei com um grupo catarinense que tinha uma proposta bem ética e intenção de crescer o negócio”, comenta. Na ocasião ela vendeu 60% da participação, mas divergências no rumo da empresa ao longo do ano a fizeram negociar a venda do restante.

Por contrato, Jeane não pode abrir dados sobre o valor da venda, mas garante que ganhou o suficiente para não precisar mais trabalhar pelo resto da vida. Hoje, aos 41 anos, ela presta consultoria para ajudar outras marcas a crescerem como franquias. "Sou uma aposentada que trabalha para estar ativa. Gosto muito de produzir”, enfatiza.

Jeane está escrevendo dois livros: um sobre empreendedorismo e outro sobre franquias. Além disso, já criou oito empresas novas nos últimos seis meses. “Desenho todo o projeto e deixo na gaveta. Ainda estou avaliando, mas, desta vez, sem pressa”, conclui.