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Mãe transforma a papinha da filha em negócio de R$ 3,6 milhões

Arquivo pessoal
A dificuldade de encontrar papinhas orgânicas para a filha recém-nascida levou Maria Fernanda a abrir sua própria empresa de alimentos saudáveis para bebês Imagem: Arquivo pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

11/07/2018 04h00

Se hoje é relativamente fácil encontrar comidas prontas para bebês à base de produtos orgânicos, há quase 10 anos, quando Maria Fernanda Rizzo teve sua primeira filha, era bem diferente. Sem opção, ela, pouco acostumada a cozinhar, se via na necessidade de enfrentar o fogão após um dia inteiro de trabalho para fazer as papinhas que a filha consumiria no dia seguinte. Foi diante dessa rotina puxada que a ex-professora de educação física teve a ideia de abrir a primeira empresa de papinhas orgânicas do Brasil. Inaugurada em 2009, O Empório da Papinha faturou em 2017 cerca de R$ 3,6 milhões.

Nascida em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Maria Fernanda foi criada por uma mãe pedagoga e um pai engenheiro, que faleceu quando ela tinha apenas quatro anos. “Nada foi fácil, mas fui educada para sonhar, persistir, acreditar e ir atrás dos meus sonhos”, revela. A preocupação com o que comia vem dessa criação. “Ter uma alimentação saudável sempre foi muito importante para mim e, quando minha primeira filha nasceu, queria dar o melhor para ela. Sempre soube que isso faria diferença em sua vida”, conta.

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“Eu queria chegar em casa e poder ter tempo de brincar com ela”

Arquivo pessoal
Maria Fernanda Rizzo com as filhas Gabriela, 10 anos, e Marina, 1 ano e meio Imagem: Arquivo pessoal

Professora de educação física em um colégio e universidade na cidade de São Paulo, ela dava aulas durante o dia e a noite e sempre chegava tarde em casa. Foi a preocupação em passar mais tempo com a filha e o marido que a levou à criação do Empório da Papinha quando ela tinha 30 anos.  “Eu queria chegar em casa e poder ter tempo de brincar com ela sem precisar me preocupar com nada. Esse tempo era muito precioso para eu ficar cozinhando”, diz.

Notando que muitas mães tinham a mesma necessidade, ela enxergou na dificuldade uma grande oportunidade de negócio. Foi então que, em uma conversa com o marido, Maria Fernanda decidiu investir na criação da empresa. Ela passou um ano e meio analisando o setor, fez cursos e pesquisas para estruturar o negócio. Foram investidos na época R$ 600 mil, usados principalmente no maquinário da cozinha industrial com estrutura já prevendo o crescimento da produção, mas também na loja e como capital de giro. O dinheiro veio de economias e investimentos do casal. Só depois de alguns anos que eles receberam aporte de investidores para expandir o negócio.

O começo do Empório da Papinha exigiu muita dedicação de Maria Fernanda. A filha tinha apenas um ano e meio e foi preciso colocá-la em uma escola durante a manhã e alguém cuidando dela em casa pela tarde. “Confesso que foi complicado, até porque nos primeiros seis meses de projeto eu fiz em paralelo ao meu trabalho na escola”, lembra.

Outro grande desafio na época foi mostrar para as mães os benefícios da alimentação orgânica para a criança, algo ainda pouco difundido naquele momento. “Precisei educar a minha cliente sobre o que era o alimento orgânico”, conta. Maria Fernanda desenvolveu um modelo de fabricação livre de conservantes e aditivos químicos. Isso só é possível graças ao ultracongelamento, um processo no qual as papinhas entram fervendo em um freezer especial e em pouco tempo saem de lá congeladas. Isso faz com que os produtos tenham validade de seis meses no freezer e não percam os nutrientes.

“Criar tudo isso há quase uma década não foi fácil”

A dedicação trouxe resultados. Com produção diária de 2.500 papinhas e comidinhas, a marca hoje pode ser encontrada em 21, dos 26 estados brasileiros e em mais de 100 pontos de venda, entre lojas próprias, licenciadas e grandes mercados. São 80 tipos de refeições, entre papinhas de frutas, sopas e sobremesas, indicadas para bebês a partir dos seis meses até crianças com oito anos.

No final de 2017 o Empório da Papinha se fundiu com a marca Monama, empresa brasileira de alimentos naturais sem conservantes. E no último mês de abril foi comprada a marca Farovitta.  “Diante do cenário promissor do setor orgânico no Brasil, resolvemos unir forças para movimentar o mercado, algo que já acontece com intensidade na Europa e nos Estados Unidos”, comenta.

“Criar tudo isso há quase uma década anos não foi fácil, mas fico feliz que o mercado esteja em evolução. E o melhor, com boas opções e levando mais tranquilidade às famílias”, comemora Maria Fernanda, e complementa: “Mas se você acha que vai ter mais tempo depois de ser dona do seu próprio negócio, esqueça. Vai ter muito mais trabalho. Às vezes nem sobra tempo para ficar com a família. Mas em contrapartida não tenho horários rígidos e posso conciliar minha agenda para estar mais perto das minhas filhas e marido quando necessário”. 

Maria Fernanda dá cinco dicas de alimentação saudável para mães e pais de recém-nascidos

  1. A introdução alimentar é indicada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) a partir de seis meses, ou seja, antes disso apenas leite materno;
  2. A nutrição nos primeiros anos de vida é fundamental para a saúde da criança. Estudos apontam que os altos níveis de agrotóxicos afetam dez vezes mais as crianças do que os adultos. Por isso, é muito importante elas terem uma alimentação saudável e de preferência com alimentos orgânicos;
  3. No momento da introdução alimentar, os pais precisam ter em mente que o bebê só está acostumado com o leite materno. Por isso, alguns podem apresentar certa rejeição aos novos alimentos. Mas isso é normal e aos poucos o bebê vai se acostumando;
  4. 4. Na introdução alimentar, o mais indicado é começar com frutas como banana, maça, pera e mamão. Em seguida, quando a criança já se adaptou, é possível introduzir as papinhas salgadas;
  5. Uma dica nutritiva é sempre misturar uma proteína livre de antibióticos (frango ou carne bovina), uma porção de legumes (cenoura, batata inglesa, brócolis, abóbora) e verduras (alface, espinafre, escarola). Tudo orgânico, sem adição de sal e muito bem cozido.