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Violência contra a mulher

Identificado mais um torcedor brasileiro em vídeo machista feito na Rússia

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Imagem: Reprodução

Amanda Serra

da Universa, em São Paulo

20/06/2018 10h02

Mais um dos torcedores brasileiros responsáveis pelo vídeo machista e ofensivo contra uma mulher estrangeira durante a Copa na Rússia neste domingo (17) já foi identificado. Seu nome é Wallace Prado, de 23 anos. Veja aqui todos os casos de machismo até agora no Mundial e suas consequências. 

O jovem mora em Dublin, na Irlanda, há cerca de quatro anos e estuda gestão de tecnologia de informação na Dorset College, uma faculdade local. Já sua família vive na Zona Leste de São Paulo, onde nasceu.

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A Universa conversou com pessoas próximas ao rapaz, que relataram surpresa e decepção em relação ao colega. Wallace apagou seus perfis das redes sociais diante da repercussão das imagens.

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Wallace Prado, um dos torcedores brasileiros que gravou um vídeo machista contra uma mulher estrangeira durante a Copa Imagem: Reprodução

A ilustradora Priscila Barbosa reconheceu o colega de centro espírita assim que viu o vídeo.

"A gente se conheceu a adolescência porque frequentamos o mesmo grupo de jovens. Fiquei bem chocada porque o reconheci na hora. Recebi uma mensagem em um grupo de amigos do WhatsApp perguntando se alguém mais tinha reconhecido algum dos caras. Essa foi minha certeza, pois não tinha comentado com ninguém minha desconfiança. Todos no grupo reconheceram também", relatou.

"Essa história é chocante. Ele sempre me pareceu um cara gente boa, inteligente e aberto. Não esperava isso dele", disse uma das fontes ouvidas que preferiu não se identificar.

"É um cara que tenho um carinho, mas não gostaria que namorasse ninguém do meu convívio. Não vi com surpresa o fato de ele ter gravado um vídeo assim, era de se esperar. Mas recebi com surpresa o viral", opinou outra anonimamente.

Ainda de acordo com os ouvidos pela nossa reportagem, o estudante compartilhou o vídeo em um grupo de amigos no mesmo dia da gravação. Universa procurou Wallace Prado para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Entenda o caso

Durante o jogo do Brasil contra a Suíça, no último domingo (17), um grupo de torcedores brasileiros publicou nas redes sociais imagens feitas nas ruas de uma cidade russa.

Nelas, uma mulher, que aparentemente não fala e não entende português, é rodeada por homens que vestem a camiseta da Seleção Brasileira e gritam em coro “boceta rosa”, se referindo à genitália da mulher. 

Desconcertada e visivelmente sem entender o que é dito, ela tenta reproduzir o canto a pedido de um dos homens. Os torcedores tiram selfies e continuam a cantar em coro. 

A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou nesta terça (19) a presença de um policial entre os envolvidos. Ele já havia identificado nas redes: tratava-se do tenente Eduardo Nunes. Segundo a PM, o oficial deverá ser punido pela instituição.

"A corporação não corrobora com este tipo de atitude que é incompatível com a profissão e o decoro da classe, previsto no Regulamento Disciplinar e no Estatuto da PMSC, independentemente de estar em período de férias, folga de serviço ou qualquer outra situação de afastamento, devendo portanto, responder por suas atitudes", afirmou o tenente-coronel João Batista Réus em nota.

"Assim que se der seu retorno, a corporação abrirá um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do militar", concluiu.

Na segunda (18), já havia sido reconhecido o primeiro torcedor da sequência como Diego Valença Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE).

Advogado filiado ao PSB, Diego foi procurado pela reportagem da Universa, mas não retornou. Diante dos pedidos de cassação do registro de Diego nas redes sociais, a Ordem dos Advogados do Brasil emitiu nota de repúdio às atitudes demonstradas no vídeo.

"A preconceituosa atitude é causa de vergonha para todos nós, brasileiros, e vai na contramão do atual contexto de luta contra a desigualdade de gênero, em que cada dia mais as instituições públicas e privadas estão em busca de soluções conjuntas para que nenhuma mulher sofra qualquer tipo de violência ou discriminação pelo fato de ser mulher", diz um trecho do texto publicado pela entidade.

Os brasileiros podem responder por crime no país da Copa do Mundo. A jurista russa Alyona Popova fez uma denúncia e escreveu uma petição contra os atos machistas por violência e humilhação pública à honra e à dignidade de outra pessoa.