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Mulheres inspiradoras

Ela está criando uma pomada para picada de aranha que se 'esconde' em casa

Carine Wallauer/UOL
A pesquisadora Denise Tambourgi Imagem: Carine Wallauer/UOL

Marcos Candido

Da Universa, em São Paulo

23/04/2018 04h00

A aranha-marrom sobe em travesseiros, entra em sapatos, fica em vãos de porta e repousa, discretíssima, em toalhas. Elas não são agressivas. Apesar disso, é capaz que você se jogue na cama, vista o sapato com pressa ou enxague o rosto sem notar a presença de uma delas. É aí que vem a picada.

Algumas destas aranhas vivem três andares abaixo da sala onde trabalha Denise Tambourgi, diretora do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan, em São Paulo. A pesquisadora estuda, há mais de vinte anos, uma pomada para auxiliar na cicatrização da pele atingida pelo veneno da aranha-marrom.

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Denise segura recipiente com aranha-marrom macho; com pernas mais longas e finas do que as das fêmeas, conhecida pela aparência mais robusta Imagem: Carine Wallauer/UOL

Mesmo diminuta em aparência, a picada desse tipo de aranha pode causar um ferimento de aparência necrosada e/ou complicações em órgãos como o rim. Em um caso mais extremo, como na ausência de cuidados médicos, o envenenado pode morrer.

As Loxosceles (nome científico) do centro de pesquisa vivem um espaço com temperatura e umidade controladas. Todo cuidado é pouco: elas são necessárias para que sejam extraídas doses ínfimas de veneno, contadas por medidas na casa dos micros, que terão as proteínas analisadas e utilizadas em testes.

De acordo com a especialista, cerca de 7 mil acidentes com aranha-marrom são registrados ao ano no país, especialmente no Paraná e em Santa Catarina. Quando for iniciado o teste da pomada em seres humanos, os dois estados serão usados como piloto.

A pesquisa está em análise por uma comissão de bioética. Caso tenha o parecer positivo, a pomada poderá ser testada em humanos num futuro breve. Por ora, resultados já apontaram melhorias significativas de lesões a partir de testes feitos com coelhos.

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Mudas de pele de Aranha-marrom; todo artrópode precisa trocar de pele para crescer ao longo da vida. Número de mudança pele varia de espécie para espécie Imagem: Carine Wallauer/UOL

Denise deixa claro que não é ela quem coloca a mão na massa para buscar as aranhas. O instituto tem biólogos que vão a campo coletar a Loxosceles pelo país -- e eles são especialmente bons nessa tarefa.

Em janeiro passado, pesquisadores da instituição paulista batizaram sete novas espécies de aracnídeos do gênero Ochyrocera, do Pará, usando nomes como Ochyrocera aragogue, em homenagem à aranha gigante Aragogue de “Harry Potter”, além de citações a “Game of Thrones” e “Senhor dos Anéis”.

A convivência com as aranhas e com que as maneja, na verdade, não aliviou o receio de Denise com elas.

Em 1996, ainda em fase inicial de pesquisa, Denise viajou ao Paraná com uma equipe de estudiosos. Pouco antes de se deitar para dormir, decidiu abrir um baú. “Dei de cara com uma aranha-marrom, que parecia posar para uma foto”, relembra.

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Uma Loxocesles laeta, comum na América do Sul Imagem: Carine Wallauer/UOL

Apesar disso, pelas mobílias de seu escritório se espalham decorações de aranhas de pelúcia, em metal, vidro e até mesmo uns óculos de sol violeta, com aranhas nas lentes. Presentes de amigos. 

“Eu tenho medo [delas]. Quando você sabe o que elas podem fazer, você sente medo. Como não ter?”, revela.“É a pesquisa de uma vida inteira.”

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