Por que Paolla Oliveira diz preferir igualdade em vez de feminismo?
Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” neste domingo (23), Paolla Oliveira disse preferir usar a palavra igualdade em vez de feminismo. Para a socióloga Fátima Pacheco Jordão, a carga negativa que ronda o movimento no Brasil é fruto do atraso do país nas discussões sobre desigualdade de gênero.
“No primeiro mundo, onde o feminismo está muito à frente do que no Brasil, autoproclamar-se feminista é um atributo de progresso, de vanguarda. Prova disso é que a primeira ministra britânica, Theresa May, que é conservadora, sente-se confortável em se assumir como tal [ela já foi inclusive fotografada com uma camiseta com a frase ‘é assim que uma feminista se parece’]”, afirma Fátima.
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A socióloga diz que o feminismo hoje entende que homens e mulheres são diferentes biologicamente, mas devem ter os mesmos direitos. Ou seja, feminismo e igualdade são como sinônimos.
Recentemente, a também atriz Juliana Paes fez uma ressalva ao se definir feminista, dizendo que era "uma feminista de saia, sutiã, salto alto e batom vermelho". Esquecendo-se que a real discussão do feminismo atualmente é sobre a ditadura dos padrões de beleza e não sobre como cada um expressa a própria vaidade.
Segundo Fátima, o que dificulta esse entendimento e, por consequência, que mais e mais mulheres se sintam à vontade para se assumirem feministas, é o fato de o Brasil ainda estar travando batalhas muito básicas.
“O país é o quinto do mundo onde mais acontecem feminicídios [segundo relatório elaborado pela ONU Mulheres Brasil, por órgãos do governo brasileiro e pelo Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas]. Além disso, de todos os países da América Latina, só está à frente de Haiti, Belize e São Cristóvão quando se trata de representação feminina no parlamento [dados levantados por consultora do Senado, em 2016]”, declara a socióloga.
A doutora em comunicação e feminismo Vera Vieira, diretora da organização não governamental Associação Mulheres pela Paz, diz estranhar a fala da atriz e que a mesma não condiz com a postura de se engajar na campanha Mexeu com Uma, Mexeu com Todas”, em resposta a acusação de assédio sexual contra o ator José Mayer feita por uma figurinista.
“Tenho 62 anos, e as feministas da minha geração devem muito às de 30 e poucos, faixa etária da atriz. Por isso estranho ela ter dito isso. A postura dela é feminista, e ela não deveria ter medo de se assumir como tal.”
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