Direitos da mulher

A mulher que comoveu o Afeganistão com determinação para estudar

Reprodução/Facebook
A afegã Jahantab Ahmadi Imagem: Reprodução/Facebook

03/04/2018 09h06

Em um país no qual as mulheres geralmente aparecem no noticiário devido a mortes e violência, a imagem de uma mãe sentada no chão com uma criança no colo enquanto fazia uma prova de vestibular comoveu o Afeganistão.

Jahantab Ahmadi tem 25 anos e é mãe de três crianças. Ela cresceu em uma família muito pobre em Ushto, uma aldeia remota da província central de Daikundi onde começou a estudar tarde. Aos 18 anos concluiu o ensino fundamental, fase em que as crianças geralmente têm 14 ou 15 anos.

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Em seguida, Jahantab casou-se com um agricultor analfabeto e, um ano depois, teve o primeiro filho. Em um país onde o casamento infantil e adolescente é a primeira causa de deserção escolar das meninas, o destino de Jahantab parecia selado, mas contra todas as previsões e com muitas dificuldades, continuou estudando.

Jahantab, que caminhava duas horas por dia até a escola, completou o ensino médio em 2013, mas não pôde continuar os estudos. "Sempre pensei em ir à universidade, mas os problemas me perseguiam", lamentou.

Há duas semanas, após duas horas de caminhada e dez de ônibus desde sua aldeia, Jahantab chegou a Nili, capital da província de Daikundi, com seu filho de três meses nos braços para fazer a prova de acesso à universidade.

Mas, durante o exame, que foi realizado em um espaço aberto, o bebê começou a chorar por causa de uma dor no ouvido. Ela se levantou da carteira, se sentou no chão para tentar consolar a criança e continuou a responder as questões da prova com uma mão.

A impactante imagem foi fotografada por um professor que fiscalizava a prova. A foto foi compartilhada nas redes sociais e viralizou em questão de horas, gerando uma avalanche de reações.

"Não me dei conta de que alguém tinha me fotografado. Me assustei quando soube, mas as fotos me trouxeram sorte e transformaram o meu sonho em realidade", narrou Jahantab com o bebê nos braços enquanto aconselhava os outros dois filhos a não saírem do quarto.

O destino dessa mãe mudou definitivamente. Após ver as fotos na internet, Jahantab e a família foram convidados a Cabul pela ativista dos direitos das mulheres Zahra Yagana.

A Associação Juvenil Afegã, uma ONG com sede no Reino Unido, arrecadou 11 mil libras esterlinas para apoiá-la e o segundo vice-presidente do país, Sarwar Danish, prometeu pagar durante quatro anos os custos de uma residência em Cabul.

Além disso, a presidência do país a ajudou a entrar na faculdade de Economia de uma universidade privada, onde terá todas as despesas cobertas durante esses quatro anos.

"Jahantab é, para mim, a mulher do ano do Afeganistão", escreveu em uma rede social Farkhunda Zahra Naderi, conselheira do presidente afegão, ao ressaltar que a jovem é "uma referência" e que "mulheres valentes" como ela "acabarão com a violência" no país.

Apoio em casa

Mas há algo mais por trás da coragem. No Afeganistão, as meninas representam 39% dos estudantes em colégios em zonas urbanas e 24% em áreas rurais, e as famílias obrigam que elas abandonem os estudos após o casamento. O caso de Jahantab foi diferente, já que encontrou o apoio incondicional do marido, algo pouco habitual na conservadora sociedade afegã.

"Eu a apoio porque não quero que os meus filhos cresçam analfabetos como eu", disse ele, ao reconhecer que não pôde ir à escola e quis que os filhos e a sua mulher seguissem com os estudos.

Nem sequer o fato de sua esposa ter aparecido em fotografias, o que vai contra a puritana moral afegã, impactou a fé do marido na companheira.

"Confio na minha mulher, então não me importa o que outros digam. Mesmo se as fotos não tivessem nos beneficiado e tivessem nos prejudicado, não teria me irritado com Jahantab", acrescentou o marido, enquanto tomava conta das duas crianças mais velhas, de 6 e 3 anos.

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O verbo SER: nenhum ser humano essencialmente bom pode não ser feminista

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