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Direitos da mulher

O que é sororidade? Entenda seu significado e como praticá-la no dia a dia

Thais Varela

Colaboração para Universa

01/04/2018 04h00

Nos últimos anos, uma palavra nova --que ainda nem está no dicionário da língua português-- ganhou atenção, principalmente com a ajuda da internet: a sororidade. Esse termo, que tem tudo a ver com o feminismo, ainda causa certo estranhamento para quem não está familiarizado com ele, porém, o seu significado, de maneira simplificada, fala sobre a solidariedade entre as mulheres.

Entre 2012 a 2017, a busca pela palavra "sororidade" aumentou 100% no Google e, em 2017, "o que é sororidade?" encerrou o ano em quinto lugar no ranking de pesquisa do site. Mas, afinal, você sabe o que sororidade, de fato, significa?

Para a jornalista e criadora da plataforma feminista Todas as Mulheres do Mundo, Giovanna Maradei, o termo fala sobre empatia: "Para mim, sororidade é ter, acima de tudo, a ideia de que nós precisamos apoiar outras mulheres para buscarmos juntas a liberdade que queremos", explica.

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Empatia, solidariedade, companheirismo, respeito… Todos esses termos são citados ao procurarmos pelo significado de sororidade. Em sua origem, o prefixo soror significa "irmã" em latim, fazendo referência à irmandade entre mulheres.

"Como diz Malala Yousafzai, 'sozinha minha voz é apenas uma voz', ou seja, se nós estamos juntas, temos mais força. Percebo cada vez mais isso lendo os relatos do Vamos juntas?, se uma mulher é assediada no ônibus, por exemplo, e ela fala algo sozinha, ninguém dá atenção e ela é desacreditada. Porém, se as mulheres que estão em volta dela também compram a briga e a ajudam, outras pessoas começam a acreditar no que ela está falando. Precisamos da voz de todas para que a gente tenha essa força", explica a jornalista e fundadora do movimento Vamos juntas?, Babi Souza.

Para Babi, a sororidade também funciona como um antídoto à ideia de que devemos competir com as outras mulheres e que não podemos ser amigas: "Fomos criadas em uma sociedade que nos ensinou que devemos nos odiar, que precisamos ter uma roupa mais bonita que a fulana e que precisamos estar mais bem colocadas no mercado de trabalho do que ela. Não podemos dar força à essa ideia de competição, por isso a sororidade é tão importante". 

A palavra pode até parecer difícil, mas o seu conceito é mais simples do que parece: respeitar, dar voz e ouvir outras mulheres. "Às vezes, esquecemos que escutar é o básico da empatia, ser capaz de ouvir a pessoa sem julgar e saber que a sua experiência não é igual a dela, mas que você a entende e acolhe", completa Giovanna Maradei.

Movimentos como o Vamos juntas?, que convida mulheres a caminharem juntas em busca de direitos e segurança, e Todas as Mulheres do Mundo, que incentiva mulheres a compartilharem suas histórias para inspirar e dar suporte a outras, surgiram por meio da internet e mostram como a união feminina é possível e pode trazer tantas conquistas.

As celebridades que também praticam

Não é novidade lermos notícias de famosas que têm algum tipo de rixa e não gostam uma da outra. Você já percebeu como esse tipo situação sempre é noticiada envolvendo mulheres? Na grande maioria dos casos, esses boatos são mentirosos e várias celebridades já se posicionaram sobre o assunto.

As atrizes Nikki Reed e Nina Dobrev há pouco tempo falaram sobre as diversas histórias inventadas sobre um suposto desentendimento entre ambas por causa do término do namoro de Nina com o ator Ian Somerhalder e o casamento dele, mais tarde, com Nikki. Em um post no Instagram, Nikki escreveu na legenda de uma foto ao lado de Nina: "Porque no final do dia é sobre isso que estamos falando: ensinar meninas que elas precisam odiar outras meninas apenas alimenta uma geração de mulheres que acreditam que devem odiar outras mulheres. E é isso que essas revistas, sites e blogs não entendem. Essa é a consequência prejudicial dessas histórias inventadas e nós temos uma responsabilidade moral de corrigir isso".

Claudia Leitte, que em várias ocasiões já desmentiu qualquer competição com a cantora Ivete Sangalo, também se posicionou sobre como o assunto é incômodo em uma entrevista recente à revista Cosmopolitan: "Eu nunca tive rixa com ninguém. Muito embora me atribuíssem - e é um saco isso - essa rixa com Ivete [Sangalo]. Nunca tive nenhum problema com nenhuma mulher do meio artístico".

Comprovando que juntas somos mais fortes, a atriz Octavia Spencer recentemente contou durante o painel Women Breaking Barriers (Mulheres Quebrando Barreiras) que a sua colega Jessica Chastain a ajudou a conseguir um salário igual depois de ter explicado à ela como as atrizes negras ganham menos do que as brancas para interpretarem papéis similares. As duas, que já atuaram em parceria no filme "Histórias Cruzadas", irão participar juntas de uma produção de comédia e acabaram conseguindo um salário cinco vezes maior do que o que haviam solicitado de início.

Como praticá-la? 

Viver a sororidade é um exercício diário e pode estar presente em pequenas atitudes:

  • Não enxergue outras mulheres como rivais apenas por elas serem mulheres;
  • Não use palavras relacionadas ao comportamento sexual para xingar uma mulher - tire termos como "vagabunda" e "vadia" do seu vocabulário;
  • Ajude quando você puder: compartilhe conhecimento, conselhos, cuide de uma garota que não está passando bem na balada e fique atenta para situações em que uma pequena atitude pode significar muito para outra mulher;
  • Elogie e dê força para o sucesso das suas amigas: seja uma incentivadora de outras mulheres e não as deixem desistir;
  • Não julgue outra mulher pela roupa que ela está usando.

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