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Violência contra a mulher

Editor da New York Review of Books deixa cargo por ensaio ofensivo a #MeToo

Bertrand Guay/AFP
Imagem: Bertrand Guay/AFP

da AFP, em Nova York

20/09/2018 10h01

Ian Buruma, editor da famosa revista New York Review of Books, deixou o seu cargo após ter sido criticado por aceitar publicar um ensaio considerado ofensivo para o movimento #MeToo e para as vítimas de abuso sexual.

Nicolas During, um porta-voz da revista literária, disse nesta quarta-feira (19) à AFP que Buruma "não será mais o editor", mas esclareceu que não podia confirmar se ele havia renunciado ou se foi demitido.

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O homem de 66 anos saiu da revista após a grande polêmica gerada pelo artigo escrito pelo ex-apresentador canadense de televisão Jian Ghomeshi, que perdeu seu alto cargo na CBC após 20 mulheres o acusarem de conduta sexual inapropriada.

Ghomeshi foi absolvido das acusações de ataque sexual em um processo criminal de 2016, mas assinou um "acordo de paz" que o obrigou a se desculpar com as ex-colegas que havia assediado.

No ensaio "Reflexões de uma hashtag", publicado on-line desde a sexta-feira anterior à sua impressão, Ghomeshi reflete sobre a sua vida após as acusações, sua condição de pária entre antigos amigos e companheiros, seus remorsos e pensamentos sobre suicídio.

O artigo foi refutado imediatamente por uma de suas acusadoras, Linda Redgrave, que destacou a gravidade das denúncias contra Ghomeshi e afirmou que ele estaria tentando atrair simpatia. A polêmica logo ganhou as redes sociais.

Em uma entrevista ao Slate, Buruma defendeu a sua decisão de publicar o texto, dizendo ao site: "Não sou juiz dos direitos e dos erros de todos. Como posso ser? Tudo o que sei é que em um tribunal legal ele foi absolvido e não existem provas de que tenha cometido um crime".

"A natureza exata da sua conduta, quando consentimento estava envolvido, não tenho ideia, e nem é algo que eu realmente me importe", acrescentou.

"A minha preocupação é o que acontece com alguém que não foi declarado culpado em nenhum sentido criminal, embora talvez mereça o opróbrio social, mas quanto deveria durar isso, que forma deveria tomar etc".

Apesar da saída do seu editor, o artigo continua aparecendo na edição seguinte, assinalou During.

Em setembro de 2017, Buruma assumiu o cargo de editor-chefe da New York Review of Books após a morte de seu cofundador, Robert Silvers.

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