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Mulher fala sobre ser trans em HQ: "Descobri aos 9 anos, vendo a Rogéria"

Arquivo Pessoal
Alice Pereira conta a história na HQ "Pequenas Felicidades Trans" Imagem: Arquivo Pessoal

Luiza Souto

Da Universa

2019-02-13T04:00:00

13/02/2019 04h00

A primeira imagem que marcou Alice foi ainda na infância, quando ela assistiu a transformista Rogéria na TV: aos 9 anos, sentada junto a sua mãe na sala de casa, a carioca de Paracambi, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, identificou semelhanças àquela figura famosa e percebeu ali sua transexualidade. A transição da engenheira, de 44 anos, no entanto, deu início em 2016, após o término do segundo casamento. E todas as outras cenas que foram se construindo nessa trajetória estão hoje traçadas na história em quadrinhos autobiográfica "Pequenas Felicidades Trans".

Arquivo pessoal
Alice Pereira conta como descobriu ser trans Imagem: Arquivo pessoal

A obra está em campanha de financiamento coletivo na internet até março, quando a ilustradora pretende alcançar a meta de R$ 6,3 mil necessários para sua impressão. Até a publicação desta matéria, o projeto já tinha alcançado 71% do valor.

Em entrevista à Universa, Alice, que escolheu o nome em homenagem à personagem escrita por Lewis Carroll -- "vivo no país das maravilhas" --  diz que sentiu-se sozinha durante o início de sua transição e descarregou o que sentia num diário, antes de ilustrar suas emoções. 

E está tudo ali: a reação da família e de amigos ao contar sobre sua transformação, as alterações de humor após dar início à terapia hormonal e como se mostrou mulher pela primeira vez para a ex.

"Minha ex foi a primeira pessoa para quem eu contei e ela me ajudou muito", lembra ela.

Arquivo pessoal
Alice Pereira conta, na HQ, como se mostrou para a ex-mulher Imagem: Arquivo pessoal

O segundo casamento de Alice, ela conta, durou quase seis anos. Até ali, ressalta, ela se reprimia por medo de sofrer as agressões que ocorreram na época de escola. Mas o relacionamento foi feliz, garante, apesar de algo incomodar a então companheira. Até o dia em que a ex arrumou as malas e partiu, sob a justificativa de que não era exatamente o que procurava.

"Depois que me revelei trans, ela falou que eu era diferente. Fiquei dias passando mal, mas conversar com ela me libertou. Procurei psicóloga e resolvi que, a partir dali, seria eu mesma. Hoje me relaciono com mulher".

Ela passou por transformações na vida profissional também: por anos, Alice trabalhou com engenharia de petróleo e hoje vive da música: ela toca em várias bandas, e atua em diversos blocos de carnaval do Rio de Janeiro. Paixão de infância, o desenho ganhou espaço de vez em sua vida.

"Hoje a maior felicidade é poder ser você mesma. Depois que me assumi, percebi quanta energia gastava me reprimindo. Hoje sou livre".