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"Aos 40 anos, não tinha orgasmo. Contratei uma coach e mudei minha vida"

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Imagem: iStock

Claudia Dias

Colaboração para Universa

01/01/2019 04h00

Difícil imaginar alguém que nunca tenha experimentado um orgasmo na vida? Pois saiba que é muito mais comum do que você imagina. Foi o que (quase) aconteceu com a arquiteta Fernanda Oliveira, 40 anos. 

Há dois anos, incomodada -- e com certa inveja -- ao ouvir as amigas comentarem sobre orgasmos, ela decidiu que era hora de procurar ajuda para aprender a alcançá-lo, já que isso era algo até então desconhecido. 

Para resolver a questão, contratou uma coach de relacionamentos e sexualidade. "Eu precisava cuidar desse lado da minha vida, porque era algo que todo mundo falava que era tão interessante, tão bom, e eu não poderia passar a vida sem vivenciar uma experiência dessas", argumenta.

Fernanda estava interessada em desvendar o orgasmo, mas descobriu muitas outras questões que nem estavam em seu radar. Durante cinco meses e cerca de 20 sessões de acompanhamento, conheceu melhor seu corpo, trabalhou a autoestima e superou padrões de relacionamentos que sequer imaginava existirem.

Mudanças por dentro e por fora

Ela então aproveitou um momento de muitas transformações para dar a guinada na vida. "Tive alguns relacionamentos frustrantes, em que nunca me posicionei. Era uma pessoa obesa e achava que um pouco dessa minha atitude era por conta disso", avalia.

Depois de encarar a cirurgia para redução de estômago e eliminar 50 quilos, a arquiteta começou a se despertar como mulher. "Eu tinha uma identidade nova, mas não queria apenas a mudança de visual. Queria mudar por dentro também e buscar um pouco mais a minha satisfação", lembra-se.

O momento pela qual passava ainda incluiu o fim de um relacionamento, desgastado e frustrante. "Eu precisava dar um gás em tudo", diz. Procurou a coach Margareth Signorelli, que a orientou nesse processo. O começo não foi exatamente fácil, por conta da vergonha que sentia.

Isso porque um dos primeiros enfoques do trabalho foi fazer que ela conhecesse o próprio corpo. "Como eu era obesa, não me olhava no espelho. Eu perdi peso e ainda assim não tinha coragem de me olhar. Não era fácil ver o corpo, os seios, a barriga... tudo o que eu rejeitava em mim", recorda-se.

Não só isso: Fernanda também se sentia constrangida com as tarefas que precisava realizar em casa, como reservar um tempinho e conhecer melhor as partes íntimas. "Mesmo sozinha, era embaraçoso pegar o espelho, sentar e olhar a vagina, o clitóris, me tocar para ver como o corpo reagia, onde sentia mais estímulo. Quem não está acostumada se assusta com esse processo", acredita.

Superada a barreira da vergonha, Fernanda foi descobrindo o potencial do corpo, aprendendo que o prazer não está só na parte genital, mas em vários pontos que podem ser estimulados.

Pouco tempo depois, começou a namorar e aproveitou a chance de levar todo o aprendizado para o novo relacionamento, deixando para trás os medos e inseguranças anteriores. 

Livre de complexos e fantasmas

O sobrepeso foi responsável por muitas inquietações na vida da arquiteta. "Eu tinha muitos complexos por causa disso. Perdi os 50 quilos, mas não perdi os complexos, mesmo magrinha", confessa. O reforço do amor-próprio foi fundamental para espantar todos os traumas e fantasmas que a atormentavam. 

"Vivi um relacionamento em que achava que tinha que me contentar com pouco. Quando consegui encontrar minha autoestima, pude ressignificar muitas coisas, conhecer outros níveis e tipos de prazer", afirma.

Ao mudar a forma de se enxergar e aprender novas possibilidades, Fernanda se viu mais solta dentro da relação. Foi apresentada ao lado gostoso da sedução e das provocações - passou a usar mais maquiagem, inclusive em casa, e se permitiu adotar roupas mais ousadas para chamar a atenção do namorado, por exemplo.

Liberar esse lado mais feminino fez a arquiteta se livrar de preconceitos. "Associava essa coisa de se cuidar a algo mais fútil. Como sou uma pessoa mais focada em buscar conhecimento, não conseguia ver que alguém sensual poderia ser inteligente, que poderia ter qualidades", revela.

A essa altura do campeonato, ela não só já tinha descoberto como alcançar o orgasmo por conta própria, como também não se intimidava em mostrar o que gostava na cama. "O trabalho de coach aumentou muito minha percepção. Foi muito bom começar a falar o que eu queria, direcionar para a forma que eu mais gostava", frisa.

Também aprendeu de uma vez por todas que o prazer não está condicionado ou é responsabilidade do par. "É você que não se conhece o suficiente para poder ensinar ao outro o que te dá prazer", repassava o conhecimento adquirido.

Mesmo tendo finalizado o acompanhamento e com a vida sexual muito mais eficiente e satisfatória, Fernanda acredita que é possível melhorar continuamente. "O ser humano é muito momentâneo: tem horas que age de um jeito, depois de outro, então dá para aprimorar porque estamos sempre evoluindo, nos conhecendo mais, descobrindo coisas novas, que podemos trazer para nosso universo", opina.

Quem pode se beneficiar

Margareth Signorelli, precursora no Brasil em coach de relacionamento e Emotional Freedom Techniques, que atendeu Fernanda durante os cinco meses, explica que esse tipo de acompanhamento é voltado para pessoas que não estão felizes com a vida, têm um padrão que se repete, buscam mudanças, que não conseguem se reinventar ou não sabem por onde começar.

Entre as mulheres atendidas por Margareth, boa parte tem reclamações na área de sexualidade, como falta de desejo e ausência de orgasmos. "Acontece muito, também, falta de autoconhecimento do próprio corpo e bloqueios de diferentes origens que impedem que se tenha uma relação harmoniosa com o próprio corpo e, consequentemente, com sua parceria", pontua.

Margareth explica que o coaching de relacionamento promove um autoconhecimento profundo em todas as áreas da vida da pessoa, o que engloba também a sexualidade. 

Quando alguém a procura especificamente para trabalhar a questão sexual, a coach ajuda a identificar o que está impedindo que a pessoa alcance seus objetivos, mostrando desde quais competências terá que desenvolver para que isto aconteça até orientações sobre questões que às vezes a cliente não têm conhecimento, como aconteceu com Fernanda.