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Violência contra a mulher


Twitter é um ambiente tóxico para mulheres, diz Anistia Internacional

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Da Universa, com agências

18/12/2018 10h45

Ameaças, xingamentos e abusos verbais em geral tornam o Twitter um ambiente extremamente tóxico para mulheres. Esta é a conclusão de um estudo da Anistia Internacional sobre abuso online.

Mais de 6,5 mil voluntários de 150 países participaram da análise de 288 mil tweets enviados a 778 mulheres da política e jornalistas do Reino Unido e Estados Unidos em 2017. Em março, uma primeira parte do estudo já havia sido divulgada com resultados já bastante chocantes.

7.1% dos tweets enviados a todas as mulheres analisadas eram abusivos. Isso representa 1,1 milhão de tweets mencionando 778 mulheres ao longo do ano ou um a cada 30 segundos.

Entre outras conclusões alarmantes está a de que mulheres negras são os maiores alvos, sendo 84% mais mencionadas em mensagens abusivas. Um em cada 10 tweets mencionando negras era violento ou problemático, comparado a um em cada 15 para brancas.

No geral, mulheres negras, asiáticas, latinas e mestiças foram 34% mais mencionadas em mensagens abusivas do que mulheres brancas. Políticas e jornalistas de vertentes políticas diferentes foram igualmente atacadas, segundo a pesquisa.

A organização, que talvez seja mais conhecida por seus esforços para libertar prisioneiros políticos internacionais, voltou sua atenção para as empresas de tecnologia recentemente e pediu que a rede social "disponibilize dados significativos e abrangentes sobre a escala e a natureza do abuso em sua plataforma, bem como sobre o modo em que o problema está sendo abordado".

"O Twitter se comprometeu publicamente a melhorar a saúde coletiva, a abertura e a civilidade da conversação pública em nosso serviço", disse Vijaya Gadde, chefe de departamento jurídico e de política, confiança e segurança do Twitter, em um comunicado em resposta ao relatório. "A saúde do Twitter é medida pela forma como ajudamos a incentivar um debate mais saudável, conversas e pensamento crítico. Por outro lado, o abuso, a automação maliciosa e a manipulação prejudicam a saúde do Twitter. Estamos comprometidos a nos manter publicamente responsáveis pelo progresso nesse sentido."

O método

Juntamente com a startup de inteligência artificial Element AI, que tem sede em Montreal, o projeto chamado "Troll Patrol" fez com que que cada tweet foi analisado por três pessoas, de acordo com Julien Cornebise, que administra o escritório da Element em Londres, e especialistas em violência e abuso contra as mulheres também verificaram a classificação feita pelos voluntários.

O projeto também teve como objetivo usar essas considerações feitas por seres humanos para elaborar e testar um algoritmo de aprendizagem de máquina capaz de identificar abuso - em teoria, o tipo de coisa que uma rede social como o Twitter poderia usar para proteger seus usuários. A equipe de Cornebise usou a aprendizagem de máquina para extrapolar a análise gerada por seres humanos para um conjunto de 14,5 milhões de tweets que mencionam as mesmas personalidades. Eles também asseguraram que os tweets examinados pelos voluntários fossem representativos e que as conclusões fossem exatas.

*com Bloomberg