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Mulheres protagonizam um mundo em evolução

10 coisas que você não sabia sobre mulheres na História do Brasil

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Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a brasileira que se vestiu de homem para lutar pela independência do Brasil Imagem: Divulgação

Camila Brandalise

Da Universa

25/11/2018 04h00

Há passagens da História do Brasil envolvendo mulheres que não fazem parte do livros didáticos nem dos best-sellers sobre o passado do nosso país. 

Com base no livro "Mulheres do Brasil - A História Não Contada" (ed. LeYa), de Paulo Rezzutti, veja uma lista com 10 episódios pouco famosos que envolvem figuras femininas.

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Tribo só de mulheres em Manaus

Na região onde hoje é a cidade de Manaus, havia uma tribo, no século 16, dominada por mulheres. Uma expedição encabeçada pelo espanhol Francisco de Orellana desembarcou na região, e ele registrou em seus diários de navegação a história delas. As índias guerreiras só aceitavam a entrada de homens esporadicamente, para procriarem. Caso nascessem meninos, elas entregavam as crianças aos cuidados dos índios que as visitaram.

Corrompidas por cursar faculdade

As mulheres só foram autorizadas a frequentar universidades em 1879, depois da reforma do ensino superior. Mas a opinião pública não simpatizava com a ideia, principalmente pelo fato de que elas iriam frequentar um espaço coletivo. Em artigos de jornais, era comum encontrar esse posicionamento. Um texto do jornal Gazeta Acadêmica da Bahia chegou a afirmar que "ninguém ia querer casar com uma futura médica corrompida pelo costume de frequentar as ruas".

Marido com licença para matar 

As Ordenações Filipinas, espécie de código penal vigente no período colonial, autorizava o marido a matar a mulher caso flagrasse uma traição. Poderia, inclusive, matar o homem com quem ela se relacionava no momento. A regra só era vetada caso o adúltero fosse "pessoa de maior qualidade" que o traído. As Ordenações Filipinas vigoraram entre 1603 e 1830, quando foi criado um novo código criminal.

Açoitadas por serem lésbicas 

29 mulheres foram acusadas pela Igreja Católica de se relacionar com outras mulheres, o que na época da Inquisição no Brasil, no século 16, era considerado um "pecado nefando". Sete delas responderam a processos religiosos, entre elas a portuguesa Felipa de Souza, que foi condenada e açoitada em público, sob olhar dos fiéis da Igreja da Sé da Bahia, em Salvador. Felipa foi descoberta depois que sua amante confessou que as duas tinham um relacionamento de um ano e trocavam cartas de amor.

Ela se passou por homem para lutar

Uma baiana se vestiu de homem para poder se alistar na artilharia brasileira e enfrentar os portugueses no período das lutas pela independência. Foi Maria Quitéria de Jesus Medeiros, na Bahia, em 1822, quando uma junta provisória se instalou para acabar com o domínio português no território. Como mulheres não eram aceitas, ela se vestiu de homem, cortou o cabelo e usou o nome do cunhado para se alistar. Apresentou-se como soldado Medeiros. Pelo seu trabalho, foi condecorada por D. Pedro I, e ficou conhecida como a primeira mulher a pertencer a uma unidade militar.
 

As governadoras de capitanias hereditárias

Das 14 capitanias hereditárias, três foram governadas por mulheres. Uma delas, Luísa Grimaldi, da capitania do Espírito Santo, teve de montar um exército para defender suas terras dos piratas ingleses. 

Ela assumiu o governo depois que o marido morreu, assim como Brites de Albuquerque, da capitania de Nova Lusitânia, no Nordeste. A terceira, Ana Pimentel, assumiu na ausência do marido, que ficou com a incumbência de navegar pelo Oriente para proteger as conquistas portuguesas.

Recolhidas para manter a virgindade

A tradição de mandar mulheres para viverem em lugares chamados de "recolhimentos" veio com os portugueses. As instituições ficavam nas metrópoles e recebiam mulheres jovens e solteiras. A intenção era isolá-las para que se mantivessem virgens até o casamento. Maridos que viajavam também mandavam suas mulheres para os recolhimentos, para "proteger sua honra" até que voltassem.

As abolicionistas

As mulheres tiveram papéis importantes no movimento pela abolição da escravidão. Um exemplo foi Maria Tomásia Figueiredo Melo, presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras, envolvida na libertação dos escravos na província do Ceará, em 1884 - ou seja, antes da Lei Áurea, de 1888. Mobilização parecida aconteceu em outros estados, como Pernambuco, com a associação de mulheres Ave Libertas, a favor da abolição, fundada pela professora Maria Amélia de Queiroz.


Escrava, prostituta e escritora

Considerada a primeira escritora afro-brasileira, Rosa Maria foi uma escrava africana vinda da Costa do Marfim que era obrigada a se prostituir por um de seus senhores. Tinha transes e dizia que o diabo estava em seu corpo. Depois disso, escreveu para um padre, que a colocou no Recolhimento Nossa Senhora do Bom Parto, onde escreveu o livro "Sagrada Teologia de Amor de Deus Luz Brilhante das Almas Peregrinas", considerado o primeiro, no Brasil, de autoria de uma mulher negra. 

Foi investigada pela Inquisição por denúncias de que fazia rituais como os de cultos africanos dentro do recolhimento. Não há registros do que aconteceu com ela depois de seu primeiro depoimento aos inquisidores, mas a suposição é de que tenha morrido na prisão.

Aborto: crime desde 1830

O código criminal de 1830 já considerava a interrupção de gravidez um crime, o que mostra que o aborto já era praticado pelas brasileiras há pelo menos dois séculos. Na época, quem provocasse o aborto de uma gestante poderia ser condenado a cinco anos de trabalhos forçados. Em 1890, um novo código penal estabelecia pena também para a mãe que abortasse: cinco anos de prisão. No de 1940, vigente até hoje, essa pena baixou para até três anos.

Fonte: livro "Mulheres do Brasil - A História Não Contada", de Paulo Rezzutti (ed. Leya).
 

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