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Carreira e finanças

7 mulheres que tiveram que se passar por homens para conquistar seus sonhos

Divulgação
Maria Quitéria de Jesus Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

22/09/2018 04h00

Em tempos distantes, quando o machismo imperava e os direitos femininos eram constantemente reprimidos, estas sete mulheres ignoraram o medo e as proibições e decidiram fazer o que fosse preciso em nome de seus objetivos --mesmo que isso significasse usar roupas masculinas e até fingir serem homens.

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Joana D'Arc (1412-1431)

A guerreira mais famosa da história da França (e sua padroeira) lutou contra o controle de seu país pela Inglaterra, em conivência com a Borgonha. Camponesa, virou líder militar e demonstrava talento nato para motivar as tropas. Usava roupas masculinas para impor respeito e lutar com mais conforto e segurança. Por conta desse hábito e por afirmar ver anjos e santos nos campos de batalha, foi condenada à morte na fogueira por heresia. O Vaticano reconheceu seus contatos com os espíritos e a canonizou em 1920.

Agnodice (século 4 a.C.)

Nascida em Atenas, Grécia Antiga, Agnodice sonhava estudar medicina --prática proibida às mulheres, na época. Quando criança, Agnodice presenciou o sofrimento de várias mulheres de sua família durante o parto. Muitas morreram por negar a ajuda de um médico do sexo masculino. A fim de realizar seu sonho, Agnodice cursou medicina no Egito às escondidas. De volta a Atenas, após se especializar em obstetrícia e ginecologia, decidiu se disfarçar com roupas masculinas. O atendimento humanizado logo fez sucesso com as mulheres, mas despertou o ódio masculino. Revoltados, muitos médicos espalharam que a moça estava abusando das pacientes e a levaram a julgamento. Acuada, ela revelou a verdadeira identidade e foi condenada à morte. Suas pacientes, então, protestaram em revolta. Agnodice acabou absolvida e o exercício da medicina foi permitido entre as mulheres.

Maria Quitéria de Jesus (1792-1853)

A Bahia foi um dos estados pioneiros na luta contra o domínio do Brasil por Portugal. Baiana de Feira de Santana, a moça mudou seu nome para José Cordeiro de Medeiros e se alistou como soldado na Junta Conciliadora de Defesa da Cachoeira. Ela combateu no Batalhão dos Periquitos, sob o comando do avô de Castro Alves. Foi a primeira mulher a pertencer a uma unidade militar, fumava charuto com os colegas após as refeições e obteve muitos elogios. Entre outros feitos, Maria Quitéria liderou as tropas que ocuparam Salvador depois da debandada da milícia portuguesa. Após concluir sua missão, livrou-se dos trajes masculinos e se casou com um antigo namorado. E virou patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

Mary Read (1685-1721)

Uma das piratas mais renomadas e temidas de todos os tempos, a inglesa passou a usar roupas masculinas na infância, a mando da mãe, para sensibilizar a avó paterna e garantir uns trocados --a ajuda no sustento era um privilégio dos netos "meninos". Só aos 14 anos Mary pôde adotar o estilo de uma dama --e detestou. Preferiu se tornar cadete e, tempos depois, lutar nos mares. Em meados de 1710, fazia parte da tripulação de Jack Rackmanm, conhecido como "Calico Jack", e dividia o coração do capitão com Anne Bonny, outra pirata que também se disfarçava de homem. Foram presas grávidas e, por isso, escaparam da forca. Após darem à luz, Mary morreu e Anne sumiu do mapa. Mary inspirou uma das personagens do game "Assassin's Creed".

Frances Clalin (1830-1863)

A americana Frances Louisa Clayton, que entrou para a história como Frances Clalin, se disfarçou de homem para lutar pelo Exército da União na Guerra Civil Americana. Sob o pseudônimo de Jack Williams, ela se alistou em um regimento do Missouri ao lado do marido e participou de várias batalhas. Dona de casa e mãe de três filhos, Frances se "encontrou" no cotidiano com as tropas. Fumava, bebia e jogava pôquer sem despertar a desconfiança de ninguém. Há diferentes versões sobre como sua identidade foi descoberta, sendo que uma delas conta a história de que a verdade veio à tona depois que foi ferida e ficou viúva. Além de Frances, várias outras mulheres se trajaram como homens para lutar na Guerra Civil dos EUA.

Rena Kanokogi (1935-2009)

Em 1959, disfarçada de homem, a judia americana ganhou uma medalha em um torneio de judô em Nova York promovida pela YMCA (sigla em inglês para Associação Cristã de Moços). Porém, teve que devolvê-la depois de reconhecer que era uma mulher. Rena começou a praticar judô nos anos 1950 em Coney Island. Apesar de integrar a equipe de treinamento da YMCA, não podia participar de competições. Desmascarada, não esmoreceu: mudou-se para o Japão para continuar seu treinamento e tornou-se a primeira mulher a praticar a luta em Tóquio. Rena também foi responsável pela organização do primeiro campeonato feminino de judô no Madison Square Garden.

Shabana Basij-Rasikh

Ativista em prol dos direitos das mulheres, a educadora afegã é a fundadora da empresa Hela inc., cuja missão é empoderar mulheres através da educação, e da SOLA (School of Leadership, Afghanistan; Escola de Liderança, Afeganistão) em seu país natal. Shabana tinha seis anos de idade quando o Talibã proibiu a educação de meninas no Afeganistão na década de 1990. Inconformada, durante cinco anos arriscou sua vida se vestindo como menino para frequentar uma escola secreta, levando livros em sacolas de feira. SOLA é o único colégio interno para meninas de 11 a 19 anos do país e tem por objetivo criar novas gerações de líderes mulheres.VROS CONSULTADOS: "O guia das curiosas" (Panda Books), de Marcelo Duarte e Inês de Castro, e "Ousadas 1 - Mulheres que só fazem o que querem" (Ed. Nemo), de Pénélope Bagieu