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Voluntariado no exterior: agência leva turistas para missões pelo mundo

Raul Aragão
Imagem: Raul Aragão

Carolina Prado e Veridiana Mercatelli

Colaboração para Universa

16/11/2018 04h00

Nascida em uma família que já apoiava diversas causas sociais, Mariana despertou cedo para o voluntariado e, desde criança, era extremamente interessada nesses trabalhos. Em 2014, aos 28 anos, ela transformou a paixão em profissão e abriu uma agência de turismo para quem quer fazer trabalho voluntário. Desde então, já reuniu mais de mil pessoas para ajudar em causas humanitárias pelo mundo.

Formada em Relações Internacionais pela ESPM-RJ, Mariana começou sua vida profissional em uma microempresa e logo foi trabalhar em uma multinacional. Ali, mesmo com um bom plano de carreira, se sentia insatisfeita e não via muito sentido no que fazia. Aproveitou as férias para procurar algo novo. Foi quando começou a pensar em uma maneira de viajar e, ao mesmo tempo, contribuir com uma ação social. Ela descobriu que, em outros países, já havia agências com esse serviço e que, no Brasil, esse segmento ainda não tinha sido explorado: “Aqui, a maioria dos programas era para aprendizado de uma língua”.

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Daí veio a ideia de montar um negócio e, com outros dois sócios, ela fundou a Volunteers  Vacation, ou VV, uma agência que pratica o chamado voluntourism ou turismo voluntário. Atualmente, a VV tem parceria com várias ONGs pelo mundo e toca projetos em diversas áreas: preservação de tartarugas marinhas, apoio à saúde pública, resgate de animais, combate ao infanticídio, entre outros. Todas as viagens oferecidas são de curta duração –normalmente, de até um mês– e oferecem não só a oportunidade de trabalho, como também de lazer. Nos períodos de descanso previamente estipulados, os voluntários podem conhecer melhor o local e a comunidade em que estão atuando.

Onde tudo começou

Laura Campenella
Imagem: Laura Campenella

Mariana não consegue quantificar o número de projetos humanitários de que já participou no Brasil e no mundo, em países como Quênia, Tanzânia, Índia, Tailândia, Indonésia, Jordânia, Líbano, Gana, Moçambique, Etiópia, EUA, Nicarágua, Haiti e Costa Rica. Entretanto, ela não tem dúvida de onde estava quando a ideia de se dedicar ao voluntariado, integralmente, ganhou um sentido maior em sua vida. “Foi durante a primeira viagem que fiz para o Quênia, em 2013. Descobri que, naquele País, 700 crianças ficam órfãs por dia. Então, vi que poderia ser útil lá com tudo o que já tinha trabalhado aqui no Brasil. E foi ali que, de fato, a VV nasceu”, conta a jovem empreendedora.

Depois dessa primeira visita, Mariana decidiu que voltaria ao Quênia pelo menos uma vez por ano, pois desenvolveu um vínculo muito forte com o país. “A viagem ao Quênia foi um divisor de águas para mim”, diz.

Perrengues e fortes emoções

Reprodução/Forbes
Imagem: Reprodução/Forbes

É claro que ao ir para um local com condições precárias, há grandes chances de passar perrengues, ainda que a agência garanta total assistência ao voluntário. A própria Mariana conta que já ficou vários dias sem poder tomar banho porque a água havia acabado, assim como também passou já por momentos assustadores ao lado da mãe, na Índia, sentindo-se ameaçada por um grupo de homens do lado de fora do aeroporto.

“Quando vamos abrir um novo destino para a VV, não tenho uma agência por trás, então, precisamos descobrir tudo sozinhos e é natural que tenhamos que passar por algumas dificuldades”, conta. Tudo isso serve de experiência para a capacitação do voluntário que procura a agência e permite criar as condições necessárias para que outros turistas viagem com mais tranquilidade.

Mas constatar os resultados do trabalho e receber a gratidão de quem foi ajudado, segundo ela, compensa tudo: “Quando você recebe um obrigado é tão gratificante! O olhar, o carinho que a gente recebe não tem preço!”

Ela acredita que o movimento do voluntariado deve seguir crescendo no mundo todo, pois as pessoas estão em busca de um propósito maior e já conseguem perceber que não funciona só esperar que o poder público ou as empresas privadas tomem a frente e promovam mudanças significativas na sociedade: “Nós podemos e devemos fazer muita coisa. Voluntariado é um movimento muito forte. É uma forma de você dar significado à sua missão no mundo”.

Como funciona o turismo voluntário

Raul Aragão
Imagem: Raul Aragão

Segundo Mariana, 90% das pessoas que procuram a agência são mulheres, com idade entre 18 e 35 anos. E há um aumento, tímido ainda, da participação de pessoas da terceira idade. Em geral, os pré-requisitos para embarcar pela agência são: ter mais de 18 anos e inglês intermediário --até por uma questão de segurança do próprio viajante. Ela também recomenda a atualização do calendário vacinal, dependendo do destino.

Hoje, a VV atua em mais de 20 países, com cerca de 30 programas em todos os continentes. Para participar, basta entrar no site e preencher um formulário. A agência avalia a experiência do interessado e tenta entender se o programa escolhido é o melhor para o perfil informado. “A curadoria que fazemos é extremamente importante para a VV, porque não faz sentido levar uma pessoa somente por levar. O que a gente quer é proporcionar uma ajuda efetiva, com impacto social positivo mensurado em campo”, explica.

Antes de embarcar, a pessoa passa por uma capacitação –presencial ou on-line– e, durante a viagem, a agência disponibiliza, em cada destino, uma espécie de tutor, que poderá apoiar e orientar o viajante em caso de necessidade. “A ideia é que, a partir do momento em que a pessoa sai do destino onde atuou como voluntária, ela deixe um legado, ao qual outras pessoas vão dar continuidade”, diz.