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Autoestima

"Larguei um marido que me ameaçava e me tornei coach de relacionamentos"

Arquivo pessoal
Edilaine, depois de dar a volta por cima: "estou ótima" Imagem: Arquivo pessoal

Roseane Santos

Colaboração para Universa

10/11/2018 04h00

Bem sucedida, bonita e com um casamento sólido. Quem vê a coach de relacionamentos Edilaine  Francescato hoje, aos 37 anos, custa a acreditar que ela já esteve no mesmo lugar de tantas mulheres que atualmente buscam sua ajuda para recuperar a autoestima. 

A adolescência não foi fácil: os pais se separaram, a mãe foi internada em um hospício, ela fez um aborto clandestino e teve um relacionamento abusivo. Sozinha, com mais dois irmãos, se desesperou e manteve o seu namoro problemático, suportando muitas traições. Até que, aos 19 anos, engravidou novamente dele e sua história começou a mudar. “Eu não queria que minha filha tivesse como exemplo a relação que eu tinha com o pai dela. Acho que foi aí que começou a nascer a mulher que sou hoje”, diz. Em horas de conversa, ela conta como conseguiu dar essa virada.

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Relacionamento destrutivo

“Eu comecei a namorar aos 16 anos. Ele foi meu primeiro namorado. A história já não foi legal desde o início. Lembro que nos primeiros dias, ele me deixou em casa falando que estava cansado e que precisava ir embora, porque trabalhava no dia seguinte. A minha irmã então me chamou para ir à sorveteria. Quando desci a rua, o vi com uma menina na garupa da moto, na maior intimidade. Eu fiquei desesperada, porque achava que eu era a namorada dele. Descobri que ele namorava essa garota há três anos. Depois conversamos e ele disse que era apaixonado por mim e que terminaria, mas as traições continuaram. 

Uma das vezes que eu descobri uma das muitas traições e quis terminar com ele foi um escândalo. Ele fez um circo, disse que ia se matar, foi até o escritório dele pegou uma faca. Os amigos dele falaram comigo. Acabava sempre voltando para essa história. Foi uma época muito conturbada. Meus pais estavam se separando, um processo bem difícil. Minha mãe não aguentou a separação e surtou. Acabou sendo internada. Como a situação era muito complicada na minha casa, ele acabou se tornando uma coisa legal na minha vida. Era com quem eu saía, conversava. Quando descobri que estava grávida, aos 17, lembrei logo do meu pai falando que se acontecesse alguma coisa comigo, a culpada seria minha mãe. Eu tive medo. Resolvi fazer algo que sou contra – um aborto clandestino. O meu namorado concordou e minha melhor amiga me deu todo apoio para fazer. Mal sabia eu que ele me traía com ela também.

Hora da virada

O meu namorado tinha muito poder sobre mim. Ele me apoiava, e levava minha mãe no hospital, por exemplo, mas também conseguia me colocar muito para baixo. Aos 19 anos, engravidei de novo. Dessa vez, eu decidi levar a gravidez até o final.  Quando falei para o meu pai, ele disse que se eu não casasse, não seria mais filha dele. Com medo, obedeci e casei alguns meses depois. Acho que quando a Júlia nasceu, começava nascer também a mulher que sou hoje. Lembro de um dia em que tivemos uma briga feia e acordei com uma frase na cabeça: nunca mais um homem vai pisar em mim. Não era somente ele, tinha certeza que não seria mais homem nenhum.

Aos 25 anos, eu entrei na faculdade de Administração de Empresas e minha cabeça começou a abrir. No segundo ano de estudo, eu já estagiava e consegui juntar uma grana. Comecei a cuidar da minha autoestima, coisa que nunca tinha feito antes. Coloquei prótese de silicone, fiz uma lipoaspiração e uma abdominoplastia. Aí mesmo que o relacionamento começou a ficar pior. Eu não aceitava mais nada de ruim que vinha dele. Minha filha foi a minha força. Comecei a olhar para ela e pensar que não queria que ela tivesse como referência aquela relação que eu tinha. 

Eu pedi o divórcio. Passei por momentos horríveis, mas tinha o objetivo firme de não voltar atrás. Ele fez o que estava acostumado a fazer desde o nosso namoro. Falou que ia se matar, invadiu a minha casa, me ameaçou. Nunca me esqueço de um dia que ele ligou e perguntou se não poderia conversar “numa boa”, de forma civilizada para combinarmos os detalhes do divórcio. Eu topei e ele me pegou de carro no meu trabalho. Foi um horror. Ele acelerava e dizia que se era para se separar, seria melhor morrer e que eu morreria junto com ele.  Comecei a vomitar e gritar. Foi um custo para parar. Hoje nossa relação é de indiferença.

Um novo amor e emprego

Em 2008, eu conheci o Marcell e logo senti algo diferente na primeira vez. Eu já estava divorciada. Ele era economista, muito bem sucedido na carreira e tinha terminado com um namoro longo. Comecei a me aproximar e me declarei para ele. Somos casados desde 2009. Nossa relação é madura, sadia. Eu acabei com todos os meus medos. Tudo foi curado nesse relacionamento.

Assumindo cada vez mais responsabilidades, o trabalho excessivo e a rotina desgastante me fez passar por um “apagão” enquanto dirigia em uma grande rodovia. Só não foi pior, porque consegui parar a tempo. Acordei com a buzina de um ônibus. Fui para o hospital com taquicardia, desesperada. Este acidente deu um novo rumo minha vida profissional. Já estudava o comportamento humano e no mesmo ano de 2016, aconteceu a transição de carreira na área de coaching e consultoria. Eu usei mais do que toda formação teórica, passando por escolas renomadas no Brasil e exterior. Hoje, eu faço da minha vida um instrumento para auxiliar, levantar a autoestima e dar maior segurança para as mulheres.  Em dois anos, já aconteceram mais de 50 atendimentos.