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Quer voltar com o ex? Veja o que precisa ser ajustado nessa nova fase

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É importante avaliar os prós e contras de voltar com um ex-companheiro Imagem: iStock Images

Léo Marques

Colaboração para Universa

05/11/2018 04h00

Da mesma maneira que nem todo casamento dura para sempre, nem todo término de relacionamento precisa ser definitivo. Porém, para ter certeza de que vale a pena reatar a relação (exceto quando ela não oferece perigo físico e psicológico), é importante, antes, avaliar o que se sente para depois conversar com a outra parte e juntos buscarem um alinhamento.

“A pessoa precisa se ouvir bem para poder entender o que se passa com ela, internamente. É fundamental que se entenda também quais foram os pontos que fizeram o relacionamento chegar ao fim e refletir se esses pontos são modificáveis ou não”, acrescenta Gabriela Malzyner, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP.

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Foi o que fez a professora Selma Aparecida, 56 anos, quase meio ano depois de romper uma união estável de pouco mais de cinco anos. “Eu precisei de tempo e distância do meu ex, atual parceiro, para saber lidar com o emocional, clarear a mente e reavaliar nossa relação”, comenta Selma.

Segundo a psicóloga, é comum sentir saudades logo depois do término, principalmente quando a relação do casal foi longa. Por isso, para não tomar uma atitude precipitada, motivada pela carência e alimentada por lembranças, a dica é fazer como a professora Selma e reservar tempo e distância. Nesse momento, reflita também sobre o motivo de querer voltar. Se é por comodismo, pena do parceiro, medo da solidão ou de se frustrar novamente, por exemplo.

Empenhe-se e desapegue do passado

Se tempo e distância são necessários para avaliar a possibilidade de reatar com o ex e criar uma nova relação, superar “marcas internas” também é, explica Gabriela Malzyner. “Cada um de nós precisa descobrir que marcas internas são essas, possíveis de serem superadas e toleradas”, afirma a psicóloga, relacionando essas marcas com características e emoções pessoais que devem ser trabalhadas a fim de se construir estabilidade na relação e evitar atritos seguidos de términos. “Para reconquistar a pessoa amada é preciso reconhecer o fator do desencanto dela. E se eu posso entender meu papel na relação eu posso modificá-lo. E aí sim fazer, ou tentar fazer, com que o outro se sinta atraído por mim novamente”, explica Gabriela.

Arquivo Pessoal
A professora Selma e seu (ex) atual companheiro Imagem: Arquivo Pessoal

A professora Selma revela que sua relação só teve um recomeço porque ela e o companheiro se esforçaram. “A decisão de reatarmos foi mútua e ocorreu depois de uma conversa, onde percebemos que precisávamos ser mais tolerantes um com o outro”. Selma também afirma que passou a confiar mais no parceiro, que reviu o hábito de ficar muito tempo fora, a serviço, e hoje se dispõe a priorizar mais a relação dos dois.

Além disso, para que pudesse evoluir junto, o casal também aprendeu a se perdoar e deixar para trás mágoas e desentendimentos do passado. Atitudes, que segundo a psicóloga, renovam e fortificam a relação.

Incompatibilidade tem limites

No entanto, quando o relacionamento sempre foi instável e o “junta e separa” ocorre com muita frequência, é preciso observar e refletir se o casal realmente combina. Nesses casos pode haver falha de comunicação, discordância de valores essenciais, falta de respeito, de maturidade emocional, de atração ou até mesmo incompatibilidade sexual.

A psicóloga Gabriela Malzyner, porém, explica que ser diferente do outro não é motivo para não dar certo. “Às vezes, a chance de estar junto é maior na diferença do que na similaridade. Querer um espelho é querer mais de si mesmo. Já o diferente traz novas possibilidades para a relação”, observa. Então, não quer dizer que por gostar de Rock, por exemplo, aquele  crush em potencial não possa combinar com você, que curte forró. 

“Eu amo ouvir pagode e meu companheiro detesta músicas do tipo. Porém, adoramos assistir a filmes de aventura juntos”, comenta a professora Selma Aparecida.

Divórcio e guarda dos filhos

Não é o caso da professora Selma e de seu parceiro, mas se o casal que pretende reatar a união se divorciou judicialmente e pretende reparar a decisão, o meio mais fácil para isso é casando novamente. “Acho que essa é a solução que a maioria dos casais divorciados judicialmente com sentença transitada em julgado adota, até porque a lei ainda não possui um dispositivo legal que ampare esse pedido”, observa Bruno Campos Silva, advogado atuante na área da família.

De acordo com Bruno: “Só é possível anular um divórcio judicial antes que a sentença transite em julgado, ou seja, antes de se findarem os prazos legais para recurso, pois uma vez transitado em julgado o processo não pode sofrer desistência”.

Bruno também explica que a diferença entre anular um divórcio e casar novamente é muito grande, pois um novo enlace matrimonial interfere diretamente na questão de bens. “A única vantagem que percebo é de ser mais rápido. Quanto aos bens que foram partilhados no divórcio, estes não se comunicariam automaticamente fazendo um novo casamento em comunhão parcial de bens, que é o regime adotado normalmente, portanto um não teria direito sobre o bem do outro”, observa.

A questão da guarda dos filhos é outro ponto que merece atenção. “Se o casal reatar, mesmo que vivendo em união estável, a guarda, bem como a questão de pensão e de alimentos, obrigatoriamente necessita ser modificada judicialmente, por uma questão de segurança jurídica de ambos”, comenta Bruno Campos da Silva.

Ainda sobre filhos, a psicóloga Gabriela Malzyner acrescenta que é fundamental que estes encarem os pais como qualquer outro casal e percebam que sua história é anterior ao nascimento deles. “Pode ser uma família, mas os filhos não pertencem à relação íntima do casal e isso é libertador. É um assunto entre pai e mãe e não deles”, completa.