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Violência contra a mulher


"Fui parar no hospital": em "A Fazenda", Nadja fala sobre apanhar por ciúme

Reprodução/RecordTV
Nadja Pessoa, participante do programa "A Fazenda" Imagem: Reprodução/RecordTV

Ana Bardella

Colaboração para a Universa

25/10/2018 04h00

Nadja Pessoa, mulher do cantor D’Black, tem chamado a atenção no reality show "A Fazenda". Recentemente, ela e a youtuber Luane Dias protagonizaram uma das brigas mais feias da edição, com direito a xingamentos e gritos.

As duas, no entanto, têm mais em comum do que imaginam. Há pouco tempo, durante uma votação ao vivo, Luane desabafou sobre os ciclos de violência doméstica na sua família, e ela própria contou ter apanhado de um ex-namorado. Agora, em conversa com Rafael Ilha, foi a vez de Nadja desabafar sobre as agressões que viveu.

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De acordo com o relato da moça, o responsável foi um ex-namorado com quem manteve um relacionamento por quase cinco anos. A participante admitiu ter sido muito apaixonada por ele, que praticou as agressões repetidas vezes.

Em uma delas, segundo o que Nadja, precisou ser levada ao hospital. Como estava com hematomas no rosto, foi instruída pelo parceiro a dizer que havia “caído no banheiro”. O término, disse a empresária, só ocorreu depois de uma cena de ciúme em que foi puxada pelos cabelos.

Crime recorrente

“Infelizmente, o número de mulheres que sofrem agressões físicas e verbais no Brasil ainda é gigantesco”, afirma Paula Renata D'Elia, psicóloga especialista em violência doméstica. A profissional cita os dados divulgados pelo Instituto Maria da Penha: a cada sete segundos, uma mulher é vítima de violência física no país.

Ciúme é só a ponta do iceberg

“Tanto o ciúme quanto o alcoolismo ou uso de outras drogas não são considerados a causa primária das agressões”, esclarece Paula. A especialista defende que, por trás dessas motivações, está a ideia de que a mulher precisa ser submissa às vontades do homem. “Por isso muitos dizem que estão dando um ‘corretivo’ ou que só partem para a violência porque sentem ciúme e que, se não as amassem, não teriam esse sentimento”, exemplifica.

Desta maneira, a responsabilidade passa do agressor para a vítima, que acredita ter provocado a situação –"E carrega consigo o sentimento de culpa", conclui.

Rompimento conturbado

Pelo relato de Nadja, apesar da demora em tomar a decisão de acabar o relacionamento, o término ocorreu sem complicações. No entanto, a especialista acredita que casos como esse são raros. “Em geral, existem vários pequenos rompimentos e tentativas frustradas de sair do ciclo de abusos”. Isso porque a mesma pessoa que comete as agressões é aquela que oferece conforto à vítima em outros momentos. “Muitos homens dizem que estão arrependidos e prometem mudar”, diz.

Além da dependência emocional, boa parte das mulheres fica com a autoestima rebaixada e acaba se isolando da rede de amigos e familiares, o que dificulta o processo. “É preciso que as mulheres voltem a se enxergar como protagonistas de suas histórias para que possam dar o primeiro passo em direção ao término”, conclui.