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Relacionamentos

Como em Segundo Sol: "Tenho um marido e um namorado e somos felizes assim"

Reprodução/ TV Globo
Nestor cuida de Dodô em sua casa, a pedido de Naná Imagem: Reprodução/ TV Globo

Jacqueline Elise

Colaboração para Universa

21/09/2018 04h00

"Mas preste atenção, que não quero nem vou lhe enganar, Nestor! Eu amo você, mas não deixei de amar Dodô. E eu não posso abandonar ele”. A frase é dita pela personagem Naná (Arlete Salles), da novela das 21h, “Segundo Sol”, da Globo. A mulher atualmente se vê apaixonada pelo marido Dodô (José de Abreu) e pelo ex-namorado da adolescência, Nestor (Francisco Cuoco). Após admitir que o segundo é o pai biológico de um de seus filhos e que ainda possui sentimentos por ele, a situação em casa se torna complicada e Naná passa a morar com sua velha paixão. Mas admite que não deixou de amar o marido e explica seus sentimentos: “Não escolhi nada, topei viver uma aventura, só isso!”.

A própria Arlete Salles conta que se surpreendeu com a personagem, que impõe as relações de maneira corajosa. ""Não sei como eu me sentiria diante uma situação dessa. Mas é possível [amar dois homens ao mesmo tempo], ela fala que eles a completam de maneira diferente", ela disse em uma entrevista para o Vídeo Show

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O poliamor em relações horizontais, em que nenhum dos envolvidos deve escolher alguém para ser sua prioridade, é comum em novelas, filmes e séries. Mas e na vida real: como funciona quando uma mulher possui dois companheiros e já divide o teto com um deles?

Priscila Gonzaga, de 34 anos, é atriz e analista de sistemas. Ela está em um relacionamento há mais de dois anos com Antônio*, 43, com quem mora junto; mas também namora Pedro*, 24 anos, há dois meses. A situação não é novidade para ela: Priscila já tinha vivido um relacionamento aberto há seis anos, com um ex-namorado que até hoje é seu amigo.

“Descobri como era não ser monogâmica quando me apaixonei por um rapaz durante o meu relacionamento anterior. Eu e meu namorado na época estávamos felizes, não estávamos em crise, eu não estava carente. Estava tudo bem, mas me apaixonei por outra pessoa. Na época, pensei em terminar com meu namorado, mas cada vez que cogitava isso, sofria demais, porque mesmo gostando de outro eu não deixei de amar meu namorado. Depois de um tempo, descobri que ele já estava interessado em relacionamento aberto. Contei sobre o outro rapaz e decidimos abrir [o relacionamento]”, relata.

Um namoro monogâmico - a princípio

Priscila e Antônio se conheceram durante o início dos ensaios de uma peça, dois anos atrás. “Nos víamos toda semana durante o ensaio e saíamos para lanchar depois. Numa dessas saídas a gente ficou”, conta. Ela nunca escondeu que era adepta da não-monogamia, principalmente por conta da presença de seu ex - os dois ainda são bem amigos. Mas no início, o relacionamento tinha outra dinâmica. “Começamos a namorar sem falar a respeito, então presume-se que seja uma relação monogâmica. Enquanto estava solteira, eu me relacionava casualmente com alguns amigos e quando começamos a namorar tive que cortar esse tipo de contato. Fiquei mal porque eu tinha um carinho muito grande por eles, mas enfim, é o que se faz na monogamia, né?”.

Ela abriu o jogo com o parceiro quando se viu considerando a possibilidade de ficar com um destes amigos. “Eu sabia que ele não era tão fechado em relação a esses assuntos, porque geralmente quem não se identifica já fala logo. Ele ficava sempre na dele, então senti que havia uma abertura”.

No começo, não havia preocupação de como seria se ela decidisse levar algum “caso” para casa, mas ela e Antônio passaram a negociar quando fosse necessário. Nisso, surgiu Pedro.

“Eu o conheci em um curso de atuação audiovisual, dois anos depois de começar a namorar Antônio”, relembra Priscila. “Eu dava carona para ele sempre depois do curso e um dia marcamos de sair depois do ensaio”. Antes mesmo de ter algum interesse amoroso, Pedro já sabia que a atriz tinha um relacionamento não-monogâmico. Eles estão juntos há dois meses, mas Pedro não mora com Priscila e Antônio. Os homens não se relacionam entre si, somente com ela. Porém não há problemas para Priscila caso um deles queira viver um romance com outra pessoa. “Um deles até esteve interessado em uma moça recentemente, mas acabou não dando em nada”, conta. Ela garante, também, que não está procurando outra pessoa no momento.

E dá para driblar o ciúme?

Apesar do caráter “liberal” que normalmente é atribuído a relacionamentos como o de Priscila, ela diz que ainda passa por momentos em que sente ciúmes, especialmente com o companheiro mais novo. “Justamente por ser recente, não tem a solidez que tenho no primeiro, isso causa uma certa insegurança que, pra mim, é normal. Eu não tento apagar o ciúme, eu tento lidar com ele, procurar entender e não me deixar levar por isso”. Ela aconselha que o melhor a fazer quando a pessoa se pega lidando com o sentimento é conversar com seu(s) parceiro(s) para que possam ligar com a insegurança juntos e mostrar um ao outro que está tudo bem.

Como eles fazem a rotina dar certo? “Eu moro com um e o outro eu vejo com certa frequência. Vez ou outra dormimos juntos”, explica Priscila. Pedro frequenta sua casa, mas ela não dorme na casa dele. E as regras dos relacionamentos são mudadas conforme a necessidade: no início, só não era permitido se envolver com ex. Com o passar do tempo e da necessidade, novas regras foram surgindo e depois “caindo”.

Apesar de ainda não ter filhos, Priscila considera ser mãe no futuro. E quer tratar sua não-monogamia de forma tranquila e sem problemas, como muitos casais poliafetivos já fazem: “gostaria de ser o mais transparente possível, não vejo porque esconder das crianças”.

Mas o que dizem por aí?

Assumir um relacionamento com mais de uma pessoa vem com uma carga de preconceito e desconfiançade amigos e família. Priscila diz que seus pais e colegas sabem de seus companheiros, mas já teve que lidar com o comentário machista de um amigo querido. “A pessoa comentou ‘você está me saindo uma bela de uma putinha, hein?’”, relembra. Para ela, foi chocante e triste ouvir tal frase sair da boca de alguém que ela considera, mas achou melhor não brigar. “Depois fiz um ‘textão’ no Facebook [risos]. Mais para desabafar do que para responder de fato”. Eles conversaram e se acertaram depois do incidente.

A atriz afirma que é comum ouvir as pessoas duvidando do seu amor por Antônio e Pedro. “Para mim, o maior preconceito é em relação aos meus sentimentos: a maioria das pessoas acha que eu não amo nenhum dos dois, ou que meu relacionamento está ruim, ou que eu estou acomodada e por isso não termino, ou até mesmo que falta sexo. Também há o preconceito em relação ao homem, que muitas vezes é visto como ‘corno manso’”. Mas ela afirma que não precisa e nem deve dar satisfações aos outros de seus sentimentos pelos companheiros, além de mostrar que está plenamente satisfeita com seus dois namorados: “o que me faz feliz é estar com quem eu gosto de estar, é não ter que escolher, é me sentir bem ao lado de pessoas que eu amo”, conclui.

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