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Carreira e finanças

O que a sua empresa faz para preservar sua saúde mental?

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mulher cansada trabalhando trabalho computador laptop notebook perdeu celular Imagem: iStock

Letícia Rós e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

10/08/2018 04h00

No cenário de crise econômica, temos medo dos cortes e estamos sobrecarregados de trabalho. Já a pressão pelo máximo de produtividade se mantém. O desgaste, portanto, é só uma questão de tempo.

Em 2016, mais de 199 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais e comportamentais (depressão, estresse, ansiedade, transtornos bipolares entre outros), segundo o INSS. O gatilho para muitas dessas doenças é o estresse crônico, que afeta a mente e também o corpo.

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“Na saúde física, está relacionado a doença cardiovasculares, gastrointestinais, acidentes vasculares e leva ao desequilíbrio hormonal”, fala o psicólogo especialista em gestão do estresse, Armando Ribeiro.

O estresse dosado é positivo e serve como motivação para muitos funcionários. O problema, explica Ribeiro, é que as empresas só percebem que a tensão saiu de controle quando já há afastamento dos funcionários por licença médica.

“Eu só sou chamado nas empresas para apagar incêndio. É preciso fazer um trabalho de conscientização na liderança corporativa para gerir esse estresse o tempo todo. Quando você age de forma reativa, já perdeu dinheiro, talentos e engajamento”, fala o psicólogo.

Algumas práticas corporativas indicam que a empresa está zelando pela saúde mental dos seus colaboradores. Veja quais são:

Combate ao assédio moral

Assediar um funcionário moralmente é agir de forma abusiva e repetitiva intencionalmente. Pode ser um chefe intolerante, que expõe, com frequência, um funcionário em reuniões de trabalho de modo pejorativo, ainda que em tom de brincadeira. Como consequência, o colaborador vítima se sente humilhado e perseguido. Essas sensações, é claro, são grande fonte de estresse.

Oferecer suporte para você desenvolver o seu trabalho da melhor forma

Uma gestão ruim afeta diretamente o desempenho do colaborador e gera estresse elevado. Por exemplo, um hospital sem recursos para estar aberto, mas que continua funcionando.

“Nesse caso existe uma sobrecarga do estresse para os profissionais de saúde que estão na linha de frente, porque eles são cobrados, apesar de não conseguirem desempenhar de forma satisfatória seu trabalho. Além de estresse, gera um desconforto emocional intenso, pela angústia de não conseguir ajudar o paciente”, fala a psicóloga com especialização em Gestão de Recursos Humanos, Milene Rosenthal.

Delegar tarefas de acordo com a sua capacidade e habilidade 

Ter que assumir um trabalho para o qual você ainda não tem competência para executar com excelência, e ser cobrado como se tivesse, é uma das fontes comuns de estresse no ambiente profissional.

“É porque você submete o profissional a situações em que só as fraquezas dele aparecem, as qualidades acabam sendo esquecidas, muitas vezes, pelo próprio. Por isso é tão importante, na contratação ou reposicionamento interno, uma avaliação minuciosa de perfil da vaga”, fala a psicóloga organizacional Wiwi Parra.

Orientar as tarefas com clareza

Quando não há entendimento sobre o que deverá ser feito, o resultado poderá ser diferente do esperado, o que gera conflitos entre gestor e colaborador e respinga em outras pessoas da equipe ou clientes.

É nesse momento que o funcionário se sente inferior, questiona sua capacidade profissional e pode ficar com baixa autoestima. Uma gestão cuidadosa se certifica que o subordinado entendeu corretamente a orientação antes de cobrar resultado.

Valorizar que você tenha vida pessoal

O colaborador deve ser estimulado a buscar formas de aliviar o estresse diário, com atividades que deem prazer, convívio com amigos e família e com boas horas de sono e descanso. Para que ele tenha tempo para tudo isso, a corporação não pode enxergar horas extras como dedicação.

Flexibilidade de horário é outra medida de empresas que zelam pela qualidade de vida dos funcionários, assim como o home office.

Investir em avaliações de desempenho e treinamentos

Estar em uma empresa que tem uma sala com pufes coloridos, videogame e geladeira com comidinhas é legal, mas melhor para a saúde mental dos funcionários é ser ouvido e receber treinamentos constantemente, para se aperfeiçoar e crescer.

“Avaliações de desempenho são ferramentas importantes para ajudar o funcionário a ter objetivos definidos de carreira, já os treinamentos aprimoram a capacidade intelectual e emocional e ajudam cada um a encontrar seu caminho dentro e fora da empresa”, fala a psicóloga Juscelha Aparicio.

Amparar profissionais que estejam sofrendo de doenças mentais

Quando os colaboradores estão com qualquer tipo de sofrimento emocional é preciso haver um suporte da gestão, que deve conversar e colocar-se à disposição para ajudar no que for necessário, sem fazer julgamento.

“Tem empresa que sugere processo de coaching, quando, às vezes, é de terapia que o profissional precisa. Ainda há uma visão distorcida sobre quem faz terapia, que precisa ser mudada”, fala Wiwi Parra.

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