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Mães e filhos

Suicídio de jovens: pais e amigos são parte da prevenção

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Os pais podem participar do tratamento e ajudar na prevenção Imagem: iStock

Cíntia Marcucci

Colaboração para Universa

06/08/2018 04h00

Quando os casos de suicídio envolvem jovens, geram apreensão em toda a sociedade, especialmente entre pais e familiares, que se perguntam se isso pode ocorrer perto deles sem que eles percebam os sinais.

No início de agosto, a Universidade de São Paulo divulgou a criação de um Escritório de Saúde Mental. A medida ocorreu após quatro casos de suicídio e outras duas tentativas ocorrerem entre alunos de diversos cursos em um intervalo de dois meses. Neste ano, o sinal de alerta também já havia acendido quando três adolescentes de escolas particulares de São Paulo se mataram no primeiro semestre.

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“Quando o tema é suicídio não há uma resposta cravada sobre motivos e causas para nenhuma faixa etária. Sabe-se que a idade avançada, dores e doenças crônicas, isolamento social e situações limite, como término de relacionamentos e crises financeiras, são pontos de atenção, mas os jovens podem sofrer com as pressões da chegada da vida adulta”, explica Fábio Enéias Luz, psiquiatra e psicoterapeuta da clínica Mancini Psiquiatria e Psicologia, que tem atendimento específico para essa faixa etária.

Adulto, e agora? 

A transição da adolescência para a vida adulta é um momento que pode gerar muita insegurança e autocobrança entre os jovens. Existe a pressão pelas notas, pelo bom desempenho na universidade, a ansiedade em conseguir entrar no mercado profissional, a busca pela independência. Esses fatores, embora não sejam causas diretas, podem acentuar sentimentos negativos e desestabilizar alguns jovens.

O mais difícil, porém, é que o jovem perceba que não está em uma situação sem solução e pode buscar ajuda. Por isso, o cuidado e a atenção de quem está por perto é muito importante. “É comum que os adolescentes não consigam elaborar e explicar os motivos de suas angústias. Muitas vezes, eles sentem esse desconforto emocional e não conseguem colocar em palavras. Além disso, tendem a ter reações mais impulsivas frente a frustrações e decisões”, explica Ynajare Duarte, psicóloga e neuropsicóloga na Clínica Mancini.

Sempre por perto

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos psiquiátricos como depressão e ansiedade, que têm tratamento. É importante ressaltar que não é por que uma pessoa tem algum problema psiquiátrico que ela tem ou terá tendências suicidas.

O mais importante é não negligenciar sinais de alerta, como aumento do consumo de álcool ou drogas, isolamento social, descuido com a aparência, mudanças bruscas de humor, atitudes impulsivas além de falas que indiquem intenção de se matar. Ou tentativas prévias de suicídio. Mesmo que o jovem já esteja em tratamento, a rede de vínculos pessoais segue sendo fundamental.

Conversas sinceras e respeitosas, ao contrário do que possa parecer, são benéficas e podem ajudar muito uma pessoa a buscar tratamento, e são mais indicadas do que ignorar tentativas ou pensamentos suicidas. Não estigmatizar problemas como depressão, ansiedade e transtornos de humor e apoiar o tratamento também são atitudes positivas.

“A oportunidade de iniciar um tratamento é também um jeito de construir uma ampla rede de apoio social, familiar e de saúde que pode fortalecer a pessoa e reduzir os riscos. Informar familiares pode melhorar o diálogo com essas pessoas, aumentar a compreensão e segurança e o jovem pode reajustar suas expectativas, modificar sua rotina com hábitos saudáveis como atividade física e convívio social que ajudam a viver com saúde e bem estar”, diz Fábio.

Vale lembrar que, quando notam que há risco real da pessoa colocar sua vida em risco, os profissionais de saúde mental podem alertar família e amigos, com consentimento e consciência do jovem, e sem que isso influencie no sigilo entre médico e paciente. 

Sinais de alerta

  • Tentativa anterior de suicídio
  • Frases pessimistas sobre a própria vida ou o mundo
  • Falar sobre morrer ser uma solução para os problemas dela
  • Falar sobre morrer ser um alívio para os outros
  • Isolamento social, parar de fazer atividades que fazia e nas quais tinha prazer
  • Aumento do consumo de álcool ou de drogas
  • Descuido com a aparência
  • Alterações bruscas de humor

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