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Suicídio de colegas: como falar do tema com jovens e evitar novos casos

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Imagem: Getty Images

Helena Bertho

da Universa

24/04/2018 04h00

Nas duas últimas semanas, dois estudantes do tradicional colégio paulistano Bandeirantes cometeram suicídio. Em nota à imprensa, a escola informou que não divulgará detalhes das mortes em respeito às famílias e que "tem realizado diversas ações direcionadas aos alunos, bem como à equipe pedagógica e aos funcionários para lidar com o ocorrido". No dia 19 de abril, um adolescente de 14 anos, do Colégio Agostiniano São José, de São Paulo, também tirou a própria vida. 

A proximidade dos casos reavivou a discussão sobre o suicídio de adolescentes. Entre 2012 e 2014, houve um aumento de 10% na taxa de suicídio de jovens entre 15 e 29 anos, segundo dados do Mapa da Violência. Apesar do assunto estar cada vez mais presente nas conversas, ainda representa um tabu. Quando acontece com alguém próximo, como um colega de sala, é preciso que pais e escola fiquem atentos para que não induza a novos casos.

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"É ideal que pais e a escola falem do assunto, pois podem acontecer suicídios por contágio", diz a psicóloga Karen Scavacini, do Instituto Vita Alere, especialista em atendimento ao suicídio. Ela explica o que seria suicídio por contágio: "quando um adolescente já está vulnerável e passa por um suicídio de alguém próximo, ou de alguém que admira, ele pode ter a mesma atitude".

Papo sem julgamento ou simplificação

Por isso, em contextos como os do colégio, a atenção deve ser redobrada, sem tabus. A orientação da especialista é que os pais abordem o assunto de forma preventiva, sem romantizar. "Perguntar sobre o que aconteceu, se o adolescente já teve pensamentos do tipo e mostrar que está aberto a conversar", afirma. A psicóloga também orienta a não adotar uma postura julgadora, condenando o jovem que tirou a própria vida.

"É importante também entender que não existe uma causa única para o suicídio. Pais tendem a querer explicar esse fato muito complexo de forma simples. É preciso saber que ele é multifatorial", orienta. Ou seja: não é só o bullying ou só a pressão para as provas que podem levar um jovem a considerar se matar, mas um conjunto de fatores que devem ser observados.

Muito cuidado com a mensagem

Para o psiquiatra especialista em educação, Celso Lopes de Souza, a ideia de que o suicídio teve uma causa única e pode trazer uma mensagem é perigosa. "Essa ideia de que a morte foi um exemplo, um mito, uma forma de protesto, acaba sendo uma abordagem inapropriada e pode influenciar outros jovens vulneráveis."

Ele reforça que o essencial é que os pais tratem o tema por mais complicado que pareça. "É importante respeitar o luto pelo colega e deixar claro que há espaço para conversar e mostrar acolhimento. É claro que vai haver dificuldade para falar, seja por medo ou vergonha, mas os pais devem deixar claro que mesmo assim o jovem pode falar e será acolhido."

Redes sociais e aplicativos perigosos

Muitas pesquisas também reforçam que as redes sociais também são um combustível para o bullying virtual. Aplicativos e jogos como o Baleia Azul e Sim Simi também já estão nas rodas de conversas dos pais. O segundo, que se apresenta para os jovens como um amigo virtual e mais tarde diz ser o demônio, com informações da família da criança, já está na mira das autoridades. Detalhe: na Play Store, loja de apps do Google, já são mais de 50 milhões de download.

A psicoterapeuta Karen Scavacini, autora do livro "E Agora? Um Livro para Crianças Lidando com o Luto por Suicídio" (AllPrint Editora), fala que a dependência de redes sociais expõe o jovem ao cyberbullying. Aquela humilhação que antes era restrita ao ambiente escolar, agora não tem mais controle, ocorre via celular, computador e 24 horas por dia. "O bullying tinha um rosto. Hoje, qualquer um fala o que quer porque está protegido pelas telas. Existe uma manipulação muito maior, sem noção alguma das consequências e por pura maldade."

Muito importante, portanto, os pais ficarem atentos ao distanciamento familiar causado pela tecnologia. Pesquisadores da Universidade da Flórida descobriram que 48% dos jovens que passam mais de 5 horas por dia em aparelhos eletrônicos demonstram comportamentos ligados ao suicídio.

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