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"Eu sei mais de futebol que os caras", desafia youtuber fanática por Copa

Matheus Souza
Imagem: Matheus Souza

Matheus Souza

Colaboração para Universa

2018-06-15T04:00:00

15/06/2018 04h00

Todo mundo gosta de futebol, cada um numa intensidade, à sua maneira. Mas existem os malucos que fazem dele um estilo de vida. Um fanático pelo esporte identifica e respeita um “semelhante”. A relações públicas Luana Maluf, 23 anos, youtuber e colaboradora do UOL Esporte na Copa 2018, está nessa categoria. “Eu sei mais de futebol que muitos caras”, desafia.

E não está mentindo. Convidada a participar no começo de junho de um programa matinal na emissora de esportes ESPN, se destacou pelo alto conhecimento e por falar de igual para igual com debatedores consagrados. Saiu de lá com moral.

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Torcedora do Palmeiras, Luana mantém o canal “1x0 Feminino” no YouTube, onde comenta com desenvoltura o futebol do Brasil e do exterior. Durante a Copa do Mundo da Rússia, vai participar de programas na TV UOL e escrever sobre o Mundial.

Nesta sexta (15), por exemplo, ela participará do programa Montanha Russa, de UOL Esporte, ao lado de Cid, do 'Não Salvo', Muca Muriçoca e Lucas Brazil Kickers, que comentarão o jogo entre Irã e Marrocos a partir das 12h.

A Universa bateu um papo com ela sobre os desafios para superar o machismo e as bolas divididas que enfrenta na carreira. Confira: 

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

No time dos meninos

“Cresci numa vila onde todos meus amigos eram meninos. Eu jogava bem e sempre queriam me colocar no time. Com isso, passei a amar futebol. Quando era menor, fui quase obrigada a dançar balé... Até ter um chilique e fugir para jogar bola. Minha primeira vez num estádio foi num Palmeiras x Paraná no Brasileirão de 2006, no Palestra Itália. Quando a torcida cantou, comecei a chorar e não sabia por quê. Eu encaro essa coisa de ir ao estádio como uma forma de construção de caráter.”

Como ela derrota o machismo

“Uma vez um torcedor escreveu que eu não entendia nada e mandou lavar louça, que meu lugar era na cozinha. Mas aí, veja só como o mundo mudou. Chegou uma enxurrada de homem me defendendo e o cara sumiu, apagou o post quase que obrigado. Recebo mais comentários ruins de mulheres. Não as culpo, entendo isso como a própria maneira de ser da nossa sociedade. Nós, mulheres, vivemos em ambientes competindo umas com as outras. Estava numa palestra dia desses com uma repórter de uma emissora que vai para a Copa. A partir do momento que ela foi escolhida, as colegas não se viram competindo num grupo com homens, mas entre elas. A gente precisa mudar essa concepção.”

Matheus Souza
Imagem: Matheus Souza

Mulheres vão dominar o futebol

“É um movimento que não tem volta, só vai aumentar. As mulheres perderam o medo de sair de casa, de ir para o estádio e de enfrentar o machismo. A gente está vivendo um momento de invasão da mulher nos estádios, no esporte. É tanta mulher para te acolher, que você vai abrindo esses espaços. Sei que quem está vindo na linha de frente do futebol, vai apanhar. Mas a gente vai apanhar para que outras gerações depois da nossa possam curtir isso.”

É uma afirmação, uma coisa de se olhar para dentro e dizer ‘sou mulher, eu gosto de futebol e vou enfrentar o machismo porque o futebol também é minha paixão’

Futebolzinho às quintas

“Mantenho um projeto chamado 'Passa a Bola', às quintas-feiras, num campo no bairro da Pompéia que junta cerca de 60 mulheres que amam jogar bola. Temos histórias incríveis, de mulheres que superaram a depressão com o futebol. São meninas de todas as origens, profissões e orientações sexuais. Um verdadeiro grupo de amigas.” 

Matheus Souza
Imagem: Matheus Souza

Quem ganha a Copa na Rússia?

“Minha torcida vai para a Bélgica. Eu preciso ver esses caras jogando juntos, quero ver o (Kevin) De Bruyne fazendo o que faz na Premier League dez vezes melhor. O Brasil tem o Tite. Ele tem o poder de dominar a mente dos jogadores. Apesar disso, não acho que o Brasil será campeão. A gente tem um time muito bom do meio para a frente, mas não sei se tem talento psicológico de chegar numa competição pós 7 a 1.”