Carreira e finanças

Estas 3 mulheres escolheram ganhar menos e contam suas razões

Letícia Rós e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

12/06/2018 04h00

Você já se perguntou se vale a pena sair de um emprego e migrar para outro que pague menos? Estas mulheres fizeram essa escolha e não se arrependem. Aqui, elas contam as vantagens e desvantagens da mudança e dão dicas de como viver com menos em prol de algo importante para você.

    "Eu estava adoecendo"

    Perda: 40% do salário
    Ganho: saúde física e mental

    Arquivo pessoal
    Imagem: Arquivo pessoal

    “Estou no mercado publicitário há dez anos e trabalhei em agências por cinco. Sempre achei um ambiente hostil, principalmente com as mulheres. Com o tempo, isso foi me trazendo consequências: desenvolvi ansiedade e gastrite. Eu estava adoecendo. Então, migrei para outra área: fui trabalhar com gestão de projetos educacionais. Era uma experiência bem menos nociva, mas ainda me faltava tempo. Então, comecei a falar para conhecidos que eu queria trabalhar em esquema home  office. Deu certo: uma agência pequena falou comigo e eles precisavam de alguém com a minha experiência para trabalhar remotamente.

    A grana? Era 40% a menos o que eu ganhava. Eu topei! Já faz um ano e meio que estou nesse esquema. É difícil administrar o novo orçamento. Tem meses que aperta. Mas eu encontrei outras maneiras de ganhar dinheiro. Faço um freelancer de recepcionista em um estúdio de yoga, duas ou três vezes na semana, e é maravilhoso, uma terapia para mim. De vez em quando, eu também faço bico de garçonete em alguma balada ou pub.

    Ganhei paz de espírito com essa mudança. E tempo para mim.

    Hoje, eu cuido mais da minha saúde mental e física –e tenho tempo para o meu gato e minhas plantas. Tive que abdicar das minhas saídas à noite, claro. Hoje, faço um café da manhã aqui em casa para os amigos ou marcamos um dia em que cada um traz uma comida ou bebida.

    Sempre gostei de ir a retiros espirituais e eu pagava por eles. Hoje, eu ofereço permuta. Eu digo: ‘Eu ajudo vocês a fazerem as redes sociais e em contrapartida participo de graça dos retiros’. Dá certo. O mais difícil é ver menos a minha família, que mora no Recife. Só consigo ir uma vez por ano, agora. Antes, eu ia até três vezes. Mas a qualidade de vida que ganhei com a mudança é o maior benefício e sobrepõe às desvantagens.” Tatiane Mendes da Silva, 34, publicitária

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    "Não havia mais para onde ir"

    Perda: 65% do salário
    Ganho: perspectiva de carreira

    Arquivo pessoal
    Imagem: Arquivo pessoal

    “Comecei a dar aulas de inglês em 2009 e, cinco anos depois, tive a oportunidade de coordenar uma escola de idiomas. Fiquei por três anos nesta função, mas não estava contente. O ambiente no trabalho estava ruim, eu estava sendo muito cobrada e tinha zero reconhecimento. Trabalhava muitas horas por dia, ficava além do horário e trabalhava de sábado. O salário era bom, mas também não havia mais para onde ir depois daquela posição.

    Nesse meio tempo, comecei a estudar Letras, porque quero dar aulas em universidades. Resolvi, então, atualizar o meu currículo e enviar para alguns lugares. E apareceu um estágio em uma faculdade que me interessou. Falando assim, parece rápido, mas foi um processo de mais de um ano contando o tempo de criar coragem, procurar um emprego novo e ter a oportunidade.

    Hoje, ganho cerca de 65% a menos do que antes. Meu plano é finalizar a faculdade e já entrar no mestrado, de preferência na mesma universidade onde trabalho. Eu nasci para dar aulas, não consigo me ver sem fazer isso.

    Com essa mudança eu expandi minhas perspectivas de carreira.

    Apostei que tenho mais chances de crescer, além de estar em um ambiente de trabalho melhor. Voltei a estar em sala de aula, coisa que eu sentia falta. Gosto muito do contato com alunos. E está sendo mais fácil do que eu imaginava administrar o novo salário, mas não consigo comprar coisas para mim, como antes. Só compro o necessário. Mal tenho saído e, quando vou, é para casa de amigos.

    Tem momentos em que entro em desespero de não conseguir pagar tudo o que quero, mas eu descobri que consigo ser bem mais econômica do que eu era. Está sendo um aprendizado. Eu pretendo ganhar mais, mas não a qualquer custo.” Marina Borges, 31, professora de inglês

    "Recebi várias propostas, mas recusei"

    Perda: 80% do salário
    Ganho: tempo para ser mãe

    Arquivo pessoal
    Imagem: Arquivo pessoal

    “Foram seis anos trabalhando como consultora de vendas de veículos 0 km em concessionária. Eu era muito boa no que eu fazia, sempre tive muito reconhecimento da área e dos clientes. Ganhava muito bem, tirava de R$ 12 a R$ 15 mil por mês. Já consegui tirar R$ 20 mil. Eu conseguia trocar o meu carro uma vez por ano –às vezes, até de seis em seis meses. Comprei meu primeiro apartamento, depois uma cobertura e, quando engravidei, comprei uma casa. Construí um bom patrimônio, mesmo sendo nova.

    Mas isso tinha um preço. Eu entrava às 8h e não voltava antes das 21h. E trabalhava aos sábados e domingos, também. Quando engravidei, eu me programei para ficar um ano em casa com meu filho. Eu me preparei financeiramente para isso. Mas, quando chegou a hora de voltar, não consegui. Eu recebi várias propostas de emprego de concessionárias, mas recusei. Eu estava determinada a trabalhar de segunda a sexta apenas. E bem menos horas por dia.

    Aceitei uma oferta para ser consultora de vendas em uma agência de viagens. O salário é variável, mas não costuma ultrapassar R$ 2.500. Em compensação, eu entro às 10h. Às 18h, já consigo buscar meu filho na escola. Não foi uma escolha fácil, mas depois que eu vi o meu pequeno...

    Não tinha como voltar à rotina de antes.

    O que me faz feliz neste momento é ter tempo para tomar café com meu filho e assistir a um desenho, antes de ir trabalhar. Talvez, quando ele tiver uns 13 anos (hoje ele tem 2 anos) e não quiser mais dormir em casa, a minha felicidade seja voltar àquele trabalho. Por ora, estou muito satisfeita com a minha escolha.” Claudia Trois, 32, consultora de viagens

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