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Não é errado não gostar de se masturbar, mas você já se perguntou o motivo?

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Machismo impede autoconhecimento corporal da mulher Imagem: Getty Images/iStockphoto

Carolina Prado

Colaboração para Universa

10/06/2018 04h00

Masturbar-se é saudável e natural. Mas e não se masturbar: é sinal de problema? A resposta mais simples é "não". Mas você já se perguntou o motivo de não curtir?

“Eu nunca tentei me masturbar. Tenho a impressão de que não vai ter graça alguma, pois sou eu fazendo. Já tentei enquanto tomava banho, mas não vejo graça no prazer sozinha", conta a publicitária Raquel, 28 anos, que prefere não revelar o sobrenome. "Fico com tesão se penso em algumas coisas, mas aí me dá vontade de ver meu namorado e transar. Gostamos muito de experimentar coisas novas e gozo sem problema na transa", conta.

A projetista Tânia, de 25, conta que nunca sentiu necessidade de se masturbar. "Uma vez, por Skype, eu já gozei me masturbando para o meu atual namorado. A gente estava fazendo vídeo chamada e ele pediu para eu me tocar. Eu fiz e, ao ver ele tendo prazer, fiquei excitada. Gozei, mas não teve graça", conta ela. "Não é tão gostoso quanto quando ele faz. É como tentar ter cócegas sozinha".

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Assim como Raquel e Tânia há outras mulheres que nunca se masturbaram ou, se o fizeram, não sentem o mesmo prazer do sexo. As razões são variadas, como achar que a maneira correta de ter prazer é com o parceiro e acreditar que é o outro é quem deve proporcionar essa experiência. Baixa autoestima e insatisfações com o corpo também podem fazer com que muitas de nós evitamos nos tocar.

Masturbar-se também é compreender que para ter prazer na relação sexual é preciso certa dose de egoísmo, quer dizer, se fechar nas próprias sensações somente, se colocar em primeiro lugar e controlar os movimentos em benefício próprio. Portanto, o ato é um desafio para quem tende a pensar mais no parceiro, em como ele está se sentindo e de que forma consegue agradá-lo mais. Preferir dar a receber é um obstáculo.

A masturbação sozinha, contudo, tem um papel importante na sexualidade individual e do casal. Ao fazer isso, aprende-se muito sobre o próprio corpo, reações e estímulos sexuais que funcionam. Você consegue se satisfazer sozinha, sem ter que passar pelo ritual de preliminares e envolvimento com o outro - pode gozar, virar para o lado e dormir. De quebra, se torna apta a guiar lindamente o parceiro na hora da transa. A masturbação, portanto, é uma forma de se empoderar sexualmente.

Sempre o machismo

A psicóloga clínica e terapeuta sexual Paula Napolitano explica que o machismo impede nosso autoconhecimento corporal. “Ainda somos criadas em uma cultura que superestimula a sexualidade masculina e reprime a feminina, com frases para meninas pequenas como ‘tira a mão daí, é feio, é sujo’ ou ‘fecha as pernas’. Crescemos com uma visão negativa das nossas partes íntimas e também da sexualidade”, diz.

Como consequência, algumas de nós sentem-se pervertidas por se tocar, o que pode bloquear o prazer, já que o cérebro tende a nos proteger do que consideramos negativo. Se, na hora da masturbação, pensamos em algo que não é erótico e ainda é negativo, fica difícil sentir algo. Sexo e prazer são sensações afinal de contas.

Se você chegou até aqui, talvez esteja interessada em transformar a sua relação com a masturbação. Por isso, conversamos com especialistas que sugerem algumas abordagens:

Olhar-se no espelho: experimente deitar na cama ou se acomodar em outro lugar confortável, tirar a calcinha e colocar um espelho em frente a vagina. Descubra onde fica cada parte: pequenos lábios, grandes lábios, clitóris, prepúcio, entrada da vagina e ânus. Passe a mão e sinta a espessura e sensibilidade de cada região.

Começar a se tocar: o seu grande aliado será o clitóris, a protuberância mais sensível devido as mais de 8 mil terminações nervosas. Faça movimentos circulares em torno dele. Ao tocá-lo diretamente vá devagar, se apertar muito pode se incomodar. Experimente toques, intensidades e velocidades diferentes. Você pode usar os dedos para penetrar a vagina ao mesmo tempo que toca o clitóris. E também provar o toque indireto, por cima da calcinha. Pode também roçar em um travesseiro ou usar vibradores de clitóris e para penetração.

“É muito valido usar lubrificantes e géis térmicos de massagens para novas sensações”, fala a palestrante sobre sexualidade Sirleide  Stinguel.

Não precisa tirar toda a roupa: é um momento para você se sentir bem e não vulnerável. Por isso, se ficar mais confortável de roupa, só com a calça abaixada ou vestida com lingerie nova e provocante manda a ver! Também pode ser embaixo da coberta, no escuro ou com uma iluminação baixa. Com o tempo, a tendência é que você se sinta cada vez mais confortável nessa situação, mas não há razão para pressa.

Escolha o ambiente idealse você não mora sozinha, pode ser difícil encontrar total privacidade para se tocar. Mas ela é importante, porque é muito difícil relaxar e se desligar do externo quando se está pensando que alguém pode abrir a porta a qualquer momento. Na impossibilidade de fazer isso no quarto, com uma música relaxante de fundo, experimente no banheiro, antes ou depois de tomar banho.

Preparação mental: o pensamento é muito importante no prazer, por isso, se esforce para se concentrar em fantasias eróticas, que aumentarão a sua excitação. Tente lembrar de algum momento em que sentiu tesão, de uma transa gostosa, de um conto erótico que leu ou até mesmo de um pornô que assistiu.

Paciência faz parte: tocar-se um pouco e parar, geralmente, não adianta. O desejo e a excitação aumentam conforme você dedica um tempo ao toque, não só alguns segundos ou minutos. E aqui a prática também leva a perfeição. Somente você poderá saber qual é a melhor maneira, o melhor toque e o melhor lugar para estimular. Esse conhecimento, contudo, virá com a prática contínua.

Ajuda do parceiro: o par pode ser cúmplice nessa jornada de autoconhecimento, tanto incentivando você a se tocar, como te masturbando na hora da transa para que perceba onde sente prazer. Alguns também gostam de ver a parceira se tocar e pode colocar a própria mão sobre a delas e guiá-las até que se sintam

Outras fontes ouvidas: Edson Lago, psicólogo da Faculdade de Ciências Médicas Ipemed e Marcia Oliveira, fisioterapeuta sexual do Espaço Íntimo Fisioterapia, no Rio de Janeiro.