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Ideias para uma vida mais plena

Eles cortaram o acesso a redes sociais e não se arrependem disso

Beatriz Santos e Marina Oliveira

Colaboração com Universa

09/06/2018 04h00

Já existe uma corrente que propõe reduzir o consumo das mídias sociais, chama-se JOMO (Joy Of Missing Out), que pode ser traduzido de forma livre como “a alegria de estar por fora”. JOMO não é contra os feeds e timelines, mas prega o equilíbrio em um mundo conectado. Mesmo sem saberem dessa tendência, essas três pessoas já a aplicam em suas vidas, em diferentes níveis. Eles não estão no Facebook, Instagram, não são viciados em internet --e um deles nem celular tem. Veja as histórias:

Nível leve

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Andressa Trevizan, 25, é formada em Administração de Empresas, mas atualmente estuda para passar em concurso. A escolha fez com que saísse, há um ano, da única mídia social em que estava, o Facebook. Do aplicativo de mensagens WhatsApp ela não conseguiu desapegar, mas garante ter ganhado tempo com outra decisão.

“Se algo me chama atenção, eu aciono o Google”

“Faz um ano que desativei meu Facebook e nunca quis ter Instagram. Também não estou no Twitter ou LinkedIn. Eu deixei de usar o Face porque passou a me incomodar esta preocupação de muitos em mostrar a vida que não era real. Eu relutei em sair por um tempo, porque gostava de algumas páginas que seguia e tem uns vídeos engraçados, também. Mas eu percebi que isso tomava muito do meu tempo, eu entrava para ver uma coisa e duas horas depois eu estava lá ainda. Eu estudo cerca de seis horas por dia, para passar em concurso público, e esse hábito atrapalhava minha concentração e produtividade. Tenho conseguido me manter atualizada e em contato com as pessoas somente pelo WhatsApp. As notícias se espalham rápido por lá e se algo me chama atenção, eu aciono o Google para ver o que está acontecendo. Mas sempre tem, claro, aquelas situações de mandarem ‘veja esse vídeo’ e um link do Facebook. Ou eu pedir para usar o wi-fi em um estabelecimento, para checar alguma mensagem, e eles só liberarem se fizer check-in nas redes sociais. Então, eu perco coisas por não estar ali, mas os benefícios de estar fora de tudo isso são maiores: me sinto mais leve, tenho a sensação de estar aproveitando mais a minha vida, sem me preocupar em postar uma foto e ver quantas curtidas vou ter. Informação demais me estressa. Hoje eu namoro, mas nem quando era solteira precisava das redes para me aproximar de alguém. Nunca saí com alguém de quem me aproximei pela internet.”

Veja também:

Nível médio

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O empresário Adeildo Carvalho Roquim, 37, questiona porque as pessoas não usam a função primordial do telefone: fazer e receber chamadas. Nem na época célebre do Orkut Adeildo foi fisgado por uma mídia social. Ele é o tipo de pessoa que liga para desejar feliz aniversário aos outros.

“Me atualizo em noticiário na TV”

“Meu telefone eu uso para ligar, mesmo. Ligo toda hora para a minha noiva, todo dia para a minha mãe. Qualquer assunto eu resolvo por telefone, nada de ‘zap’. Ligo também quando é aniversário de alguém, não gosto de mandar mensagem. Às vezes acho que o pessoal esqueceu que o celular também faz ligações e recebe. Prefiro escutar a voz da pessoa, assim já consigo perceber se ela está bem ou não. É completamente diferente. Eu só tenho WhatsApp porque contatos de trabalho são feitos por ali. E por e-mail. Então, eu tenho as duas coisas somente. Nunca tive redes sociais, nem Orkut, que foi um sucesso na minha época de faculdade. Na minha casa sempre teve computador e internet, mas nunca linguei nem para jogos, acho uma grande perda de tempo. Me atualizo em noticiário na TV, assisto de manhã, na hora do almoço e à noite. Minha TV está sempre ligada. Além do WhatsApp, eu só tenho o aplicativo do Google Maps. É muito sossego estar desconectado. Eu vejo as pessoas olhando redes sociais no trânsito, ficando acordadas até tarde para olhas as redes, seguindo fulano ou cicrano... Acho a maior besteira do mundo, perda de tempo, mesmo.”

Nível avançado

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O consultor em negócios gastronômicos Paulo Devidé, 33, nunca teve celular. Já esteve em algumas redes, quando mais jovem, mas há dez anos está fora delas e só se comunica com as pessoas por e-mail. Se ele quer ir a algum lugar que não conhece, olha no mapa, anota no papel e segue viagem.

“Eu tenho cartões telefônicos na carteira para alguma emergência”

“Nunca tive celular na vida! Também não possuo telefone fixo. E, acredite, eu tenho cartões telefônicos na carteira para alguma emergência. Só me comunico com e-mail, para trabalho, inclusive. Na minha adolescência, eu tive ICQ e MSN, além de ter perfil no Orkut por 3 anos, mas nunca postava fotos minhas, de amigos ou de familiares. Sou reservado, não gosto de me expor e acho que as redes sociais prendem as pessoas em um mundo que não existe de verdade. A partir do momento em que se cria um perfil nas redes sociais, você fica preso a ele, tem que checar mensagens, atualizar... Não me agrada ficar refém de algo assim. Fora isso, eu realmente não sou apegado a tecnologia, nunca fui fã de TV ou de brinquedos eletrônicos. E não sinto falta sequer da rapidez que as notícias são divulgadas nas redes. Só leio de grandes portais. Sempre desconfio daquilo que é espalhado muito rápido, muitas vezes são fake news. Por isso, prefiro me atualizar com jornalismo. Não passo aperto estando off-line, só raiva mesmo. Cansei de sair com amigos, sentar em uma mesa de bar ou estar em um churrasco e ser o único a não mexer no celular, tirar uma selfie ou postar algo. Gosto do mundo real. Também nunca utilizei GPS. Se tenho que ir a algum lugar desconhecido, pesquiso em casa pelo Google e sites que traçam rotas, anoto alguns pontos de referência num papel e vou. Nada substitui o papel, pois a bateria do celular pode acabar. Se eu fosse comprar um celular hoje, me contentaria somente com três funções: fazer e receber ligações, relógio e calculadora. Nada de dedo deslizando na tela!”

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