Por uma causa

Boxeadoras abrem campanha para disputar campeonato exclusivo dos homens

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A lutadora amadora Sarah Andrade quer disputar a Forja de Campeões em 2019 Imagem: Reprodução/Instagram

Marcela Paes

Da Universa

06/06/2018 04h00

A boxeadora Rose Volante não teve colher de chá no início da sua carreira. Assim como outras praticantes, a primeira brasileira campeã mundial de boxe profissional teve que disputar as primeiras lutas com competidoras muito mais experientes. “Por um lado isso foi bom porque aprendi rápido. Mas a falta de competições para iniciantes pode inibir quem está começando”, explica.

Por essa razão, Rose é uma das apoiadoras da campanha #2019ForjaParaElas. Iniciada no Instagram, a ação quer mobilizar a Federação Paulista de Boxe para criar a primeira edição feminina do tradicional torneio Forja de Campeões. Criada em 1941, a Forja é uma das competições mais importantes do país para estreantes. Grandes nomes do boxe passaram pelo campeonato como Eder Jofre, Servilio de Oliveira, Miguel de Oliveira, Maguila, Popó e Esquiva Falcão.

Sarah Andrade, 17, é uma das meninas boxeadoras que espera ansiosa que a campanha dê certo. Treinando há dois anos, a paulistana começou por influência dos irmãos. “O boxe feminino precisa ser valorizado no Brasil. Para ver lutas temos que ir a campeonatos masculinos. E, quando conseguimos organizar lutas de mulheres, temos poucas oportunidades de divulgar”, afirma.

O que diz a Federação Paulista de boxe?

Newton Campos, dirigente da Federação Paulista de Boxe, acha que para a campanha tenha sucesso e o campeonato aconteça, é necessário "arrumar patrocínio". "Eu sou a favor da ideia, mas tem que vir já com um patrocinador. Um evento desse tamanho tem muitos detalhes. Se tiver a verba, nós fazemos, claro", diz ele. Para Newton, é difícil tanto para homens quanto para mulheres acharem patrocínio quando o assunto é boxe. "Minha filha, aqui, se não for futebol, ninguém se interessa", afirma.

Preconceito

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Rose Volante Imagem: Reprodução/Instagram

Para Rose Volante, muitos organizadores de eventos acham que lutas femininas não dão tanta audiência quanto as de homens. Ela mesma colecionava negativas até o fim do ano passado, quando ganhou o título mundial em uma luta na Argentina. A partir daí, as coisas melhoraram. “Muita gente nem sabia que eu existia até essa luta. Você vê, não acontece só comigo. A Adriana Araújo é medalhista olímpica e não tem o reconhecimento que merece”, diz Rose, referindo-se à medalha de bronze conquistada por Adriana em 2012.

Sarah acha que o preconceito vem de muito antes, já no momento em que mulheres escolhem se envolver com um esporte tão associado à masculinidade. Ainda cursando o ensino médio, ela relembra um caso de preconceito de uma professora sua.

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“Eu disse na sala de aula que queria cursar educação física para continuar envolvida com o boxe. A professora falou que eu deveria fazer algo mais feminino. A gente está em 2018. Dá uma pesquisada antes de falar besteira, né? A gente sofre, mas eu nem ligo.”

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Banner da campanha lançada no Instagram Imagem: Reprodução Instagram

Rose teve a “sorte” de entrar no esporte de uma forma diferente da maioria. Quem a fez gostar de assistir a lutas e ter Mike Tyson como um de seus ídolos foi sua mãe. “Se eu fosse homem, meu nome já estava escolhido. Seria Eder, por causa do Eder Jofre. Eu sempre assistia as lutas com ela e fui virando fã”. Mesmo assim, a campeã resolveu começar a treinar por outra razão: pesava mais de 100 kg e viu no esporte uma forma de perder peso. “Deu mais que certo. Perdi 40 kg no primeiro ano e vi que tinha talento.”

Proteção

No boxe feminino amador, diferentemente do masculino, as atletas podem usar capacetes. Tanto nos campeonatos profissionais quanto nos torneios para iniciantes, proteção para os seios e para área genital são obrigatórias. Para os eventuais golpes no rosto, além da vaselina (que faz com que os golpes escorreguem na face), Rose leva sempre corretivo para usar depois da luta. "Disfarça os roxos ", explica ela, que já levou cabeçadas e cortou o supercílio.

Na experiência de Rose, os protetores de seios funcionam bem: "Eu já levei muitos golpes nos seios mas nunca senti dor. O material é bem resistente", afirma.

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