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Mulheres inspiradoras

"Em favelas, mulheres são líderes", diz brasileira mais influente do mundo

Divulgação
jovem brasileira líder Imagem: Divulgação

Talyta Vespa

Da Universa

04/06/2018 04h00

Você, provavelmente, ainda não ouviu falar na Laís Rocha Leão, uma paranaense que atua na ONG Teto e ajuda comunidades a desenvolverem soluções urbanas. Então saiba que, aos 24 anos, ela está entre na lista da Comissão Européia dos 16 jovens líderes mais influentes do mundo – representando o Brasil nesta semana num congresso em Bruxelas, na Bélgica.

O evento que Laís  participa é o European  Development  Days, que visa estimular que jovens de todo o mundo, com idades entre 21 e 26 anos, compartilhem suas ideias voltadas à igualdade de gênero e ao empoderamento de mulheres e garotas – temas que definiram o evento de 2018. À Universa, Laís revelou qual será o projeto apresentado por ela nesta quarta-feira (6).

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“A partir do momento que uma cidade se torna segura para mulheres e meninas, ela se torna segura para todos. É sobre isso que vou falar. Para esse trabalho, entrevistei mais de 500 pessoas para entender quais eram os fatores urbanos que geravam insegurança e como seria a cidade ideal para elas”, explica.

Coordenadora aos 24 anos

Laís é líder. Assumiu a posição de coordenadora de diagnóstico e avaliação da ONG TETO aos 23 anos. Desde então, um dos seus principais desafios tem sido lidar com o machismo. “Eu já fui desrespeitada tanto por homens que, hierarquicamente, estão abaixo de mim quanto por homens que estão acima", diz.

"Esse machismo se mostra de diversas formas, mas a pior delas é quando esses homens colocam as minhas propostas em prol das mulheres em segundo plano. Já ouvi várias vezes ‘Temos questões mais importantes para resolver’. Nenhum homem tem direito de dizer a uma mulher que questões de gênero são secundárias. Elas são paralelas”, afirma Laís. 

O trampo não é simples e vem cercado de responsabilidades: “Trabalho produzindo dados e informações que o governo não tem, uma vez que trata comunidades como invisíveis. A gente gera, processa esses números e cria relatórios para que os próprios moradores usem essas informações a seu favor, entenda os problemas urbanos e o que é preciso fazer para resolvê-los”, conta.

Representatividade feminina

Atuando pela TETO, a paranaense descobriu que, nas favelas, são as mulheres que tomam a frente das questões de urbanização. “É muito diferente do nosso contexto, em que, na política, quase não há mulheres. Nas comunidades, elas atuam em peso – e, normalmente, quem assume a liderança são as que têm filhos que foram abandonados pelos pais; mulheres que sofreram violência doméstica e que sofrem violência urbana. Mulheres se tornam líderes por pressão social e é com a força delas que contam os moradores das comunidades”, explica.

Segundo Laís, o protagonismo feminino nas favelas tem uma explicação: as comunidades funcionam como uma casa. “É cultural a ideia de que a cidade pertence ao homem e a casa à mulher, em termos de administração. As favelas são como casas: os moradores são expostos a situações degradantes como falta de acesso às necessidades básicas e, como isso coloca em risco a vida da família dessa mulher, ela toma as rédeas da situação. Na cidade, é cada um por si”, garante a jovem. 

Jovem do ano

Estar entre os 16 jovens mais influentes do mundo foi uma surpresa para Laís. Foram 283 candidatos de 82 países diferentes que se inscreveram no programa. Ela foi uma das escolhidas. “A gente nunca espera [ser escolhido]. Quando somos jovens, temos a tendência de subestimar nosso próprio trabalho, apesar de sabermos da importância dele. A sociedade vê o jovem como alguém que não pode tomar grandes decisões. Ao ver meu nome entre os selecionados, senti algo incrível. Fiquei em choque por alguns segundos. Depois, percebi que fazia sentido, porque meu trabalho tem tudo a ver com o tema do evento. Eu sei que posso agregar bastante a essas pessoas”. 

Quanto ao papel social, Laís garante que nada mudou. “Minha função como representante do Brasil em uma cerimônia como essa é tão importante quanto o de qualquer jovem que quer mudar o mundo. A minha responsabilidade é promover um espaço mais justo para as pessoas viverem, fazer com que as oportunidades cheguem mais longe e ajudar a construir cidades mais inclusivas para as minorias”.

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