Violência contra a mulher

Harvey Weinstein é preso por acusações de assédio e abuso sexual; entenda

Mark Lennihan/AP
Harvey Weinstein se entrega à polícia Imagem: Mark Lennihan/AP

Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

25/05/2018 11h17

O produtor Harvey Weinstein, uma das figuras mais poderosas e influentes de Hollywood com seis Oscar de Melhor Filme no bolso — entre eles, "Pulp Fiction" e "Shakespeare Apaixonado" —, foi preso em Nova York em decorrência das denúncias de assédio e abuso sexual feitas por mulheres da indústria do cinema.

O caso se tornou público em 5 de outubro de 2017, depois que uma matéria do jornal "The New York Times" revelou que o empresário ameaçou e subornou suas vítimas pelo seu silêncio por mais de duas décadas. 

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Harvey Weinstein se entregou às 7h30 da manhã, no horário local, segundo a "Variety". Pouco depois das 9h, ele foi levado a um tribunal, onde entregou seu passaporte às autoridades e foi acusado formalmente por "estupro, ato sexual criminoso, abuso sexual e agressão sexual por incidentes que envolvem duas mulheres", afirmou o porta-voz da polícia de Nova York à imprensa. 

Estas, no entanto, são apenas denúncias preliminares contra o fundador da Miramax. A polícia de Los Angeles também investiga acusações contra ele.

A fiança para que Weinstein possa aguardar seu julgamento em liberdade é de US$ 2 milhões -- o equivalente a R$ 7,4 milhões --, segundo a "CNN". O jornal "The New York Times" afirma que, até lá, ele deve usar tornozeleira de monitoramento eletrônico.

Caso quase esfriou

As denúncias contra Weinstein foram o estopim para a exposição pública de outros agressores sexuais em Hollywood, entre eles o ator Kevin Spacey e o diretor James Toback, além do início de um movimento de tolerância zero em relação a este tipo de violência no meio, culminado na criação da iniciativa Time's Up, um fundo de amparo legal às sobreviventes.

Em março, representantes da Time's Up -- fundada por nomes como Shonda  Rhimes e Natalie Portman -- explicaram em comunicado à imprensa o seu pedido ao governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, de que se abrisse uma investigação para saber por que Harvey Weinstein ainda não havia sido denunciado pela promotoria, quase seis meses após o escândalo.

Os advogados da iniciativa ainda pediram que houvesse um "exame completo" das trocas entre advogados do produtor e o escritório do promotor de Manhattan Cyrus Vance, levantando dúvidas a respeito da idoneidade da promotoria depois que o chefe do departamento de polícia local, Robert Boyce, afirmou ter "evidências consideráveis" contra o empresário.

Já a ex-assistente de Weinstein, Zelda Perkins, afirmou à Associated Press que assinou um acordo de silêncio ao deixar seu cargo em 1998, após uma colega ter acusado seu chefe de uma tentativa de estupro.

Ela ainda afirmou que tentou garantir por 20 anos que ele voltasse a agredir outras mulheres, mas que ouviu do próprio produtor que "tudo o que ela havia feito tinha sido em vão”.

As mulheres que acusam Harvey Weinstein

Por sua vez, a lista de mulheres influentes que já se viram em situação semelhante nas mãos dos executivos é extensa. Entre as sobreviventes de assédio ou abuso por parte de Harvey Weinstein estão Ashley Judd, Rose McGowan, Angelina Jolie, Cara Delevingne, Lupita Nyong'o, Lena Headey, Léa Seydoux, além de Gwyneth Paltrow.

A atriz foi convidada por ele para uma reunião em um quarto de hotel onde ele a tocou e pediu massagens. Na época namorada de Brad Pitt, Gwyneth teria contado ao ator que "ficou petrificada". Brad reagiu confrontando Harvey a respeito da situação. O produtor, mais tarde, a avisou que se ela contasse a mais alguém, encerraria seu contrato.

Uma lista compilada pelas próprias vítimas e postada pela atriz Asia Argento indica, até o momento, que Harvey Weinstein tenha agredido sexualmente mais de cem mulheres dentro da indústria

    O que as denúncias significaram para a indústria -- e para o mundo 

    Desde o primeiro escândalo sexual, Harvey Weinstein foi demitido da própria empresa, a "The Weinstein Company" -- que já havia perdido alguns colaboradores, como o ator Channing Tatum. Ele disse se recusar a produzir um filme com a empresa. O PGA (Producer's Guild of America), sindicato da categoria, expulsou Harvey para sempre de sua lista de membros, e a polícia de Beverly Hills está investigando o executivo.

    Além disso, sua até então mulher, Georgina Chapman, pediu o divórcio. O fato de as denúncias terem gerado, pela primeira vez, algum impacto na carreira do agressor e na conversa a respeito do tema mundialmente fez com que a imprensa internacional batizasse o fenômeno de "Harvey Weinstein Effect" (Efeito Harvey Weinstein, em tradução livre). 

    O Globo de Ouro e o Oscar 2018 foram marcados por protestos, silenciosos ou não, no tapete vermelho e nos palcos, pedindo pelo fim do abuso de poder e da violência sexual.

    Na sociedade civil, os casos deram início ao movimento #MeToo, que tomou as redes sociais com relatos de homens e mulheres, principalmente, que sofreram violência sexual. Com mais de 5 milhões de posts em 24 horas, a hashtag potencializou a discussão sobre a necessidade de erradicar este tipo de comportamento, seja por meio de educação ou de punição para os agressores. 

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