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Ideias para uma vida mais plena

Após tragédias, jovens tiveram que aprender a viver com deficiência

Letícia Rós e Rita Trevisan

Colaboração para Universa

08/04/2018 04h00

No auge da vida pessoal e profissional, eles tiveram que lidar com um trauma - e a conviver com uma deficiência para sempre. Enfrentaram todo tipo de dificuldade, até se adaptarem a essa nova realidade. Mas não desistiram de seus sonhos. Conheça essas histórias inspiradoras.

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"O céu é o único limite"

Arquivo pessoal
Carmelita Carvalho, 39 Imagem: Arquivo pessoal

“Aos 28 anos, fui vítima de um ferimento à faca no pescoço, ocasionado por um ex-noivo. Acabei ficando tetraplégica. Na época, meu mundo caiu, minha vida deu uma virada de 180 graus, tive que reaprender a fazer tudo novamente. Ainda bem que pude contar com muito apoio, inclusive financeiro, e encarei uma rotina intensa de tratamentos. Aos poucos, fui ganhando força e conseguindo fazer alguns pequenos movimentos.

Nessa mesma época, fui apresentada a alguns esportes e me apaixonei pela natação. Meu maior desafio foi aprender a nadar, mas eu o venci.  Aprendi, nesses 10 anos que sou cadeirante, que tudo é possível, basta acreditar. Já morei sozinha, me casei, me tornei medalhista brasileira e hoje sou uma pessoa completamente independente. Para mim, o céu é realmente o único limite.”
Carmelita Carvalho, 39 anos, paratleta de natação

"Dar valor aos mínimos detalhes"

Arquivo pessoal
Ricardo Felix da Silva, 41 Imagem: Arquivo pessoal

“Faltando apenas 15 dias para completar 21 anos, perdi os movimentos das pernas, do nada. Simplesmente acordei no meio da noite, quis me levantar e já não comandava mais as minhas pernas. Na época, os médicos me deram esperanças de voltar a andar, porém, com o passar dos meses, sem ter evolução nenhuma, comecei a aceitar e a tentar me adaptar à realidade. Hoje, a cadeira de rodas é apenas um acessório, pois faço tudo: dou banho no meu filho, lavo banheiro, louça, até estendo roupas no varal.

Meu maior desafio ainda é andar com a cadeira de rodas nas ruas, principalmente para subir as rampas, porque a maioria delas não é acessível. Com as minhas limitações, aprendi que temos que dar valor aos mínimos detalhes que a vida nos oferece, pois nunca sabemos como será o dia de amanhã. O que não pode é ficar trancado em casa reclamando ou com vergonha de ser o que é. Eu me aceito e sou muito feliz assim.”
Ricardo Felix da Silva, 41 anos, aposentado por invalidez

“Fui aprendendo a viver novamente”

Arquivo pessoal
Marcos Henrique Mendes, 22 Imagem: Arquivo pessoal

“Aos 17 anos, fui baleado nas costas e isso me deixou paraplégico. A partir de então, comecei a me locomover apenas com cadeira de rodas. Estava no auge da minha juventude e, naquele momento, achei que nunca mais teria condições, tanto físicas como psicológicas, de sobreviver. Estava em um novo corpo, com novas regras e muitas limitações. Mas, ao longo dos dias, fui me adaptando, fui aprendendo a viver novamente e até a ser feliz.

Eu nunca tinha trabalhado e a entrada no mercado foi, para mim, muito importante. Poder me sentir útil para alguma coisa, já que não podia mais fazer o que fazia antes, como as minhas atividades físicas. Também comecei a dar oficinas em meu bairro e, hoje, trabalho atendendo outras pessoas com deficiência. Tudo é muito gratificante.

Também tenho uma namorada linda e sonhamos em constituir a nossa família. Posso dizer que depois do acidente aprendi a viver melhor, a dar mais importância às coisas que realmente importam, a respeitar o próximo e a me superar todos os dias. Gosto de pensar que tive uma segunda chance de vida, então, tenho que aproveitá-la ao máximo e ainda ser grato por estar aqui.”
Marcos Henrique Mendes, 22 anos, auxiliar de serviços administrativos

“Tive que ser forte mentalmente”

Arquivo pessoal
Renato Cordeiro Mecca, antes do acidente Imagem: Arquivo pessoal

“Sou professor de Educação Física e sempre fiz muito exercício físico. Na época do meu acidente estava com 33 anos, no topo da minha carreira, trabalhando na Indonésia e viajando o mundo inteiro. Tinha uma moto e participava de um clube, que promovia encontros e passeios. Estava fechando uma fila de mais de 30 motos quando o motorista de um caminhãozinho me fechou. Caí e fraturei a coluna cervical. Fui operado fora do país e fiquei 15 dias na UTI, depois mais um mês internado.

Meu irmão foi para lá me buscar e só o fato de eu ter chegado ao Brasil com vida já foi algo comemorado pelos médicos. Já havia perdido 30kg e ainda estava muito debilitado, ligado o tempo todo no respirador mecânico que me mantinha vivo. No começo, foi bem difícil essa fase de aceitação de uma nova realidade, porque eu havia perdido todos os movimentos do pescoço pra baixo e sempre trabalhei com ginástica. Foi complicado entender que eu não poderia mais fazer o que eu havia feito a vida toda.

Tive que ser forte mentalmente e me organizar para não piorar a situação e para fugir de uma depressão. Tinha que manter minha mente sempre positiva, porque ela era a única coisa que havia restado intacta após o acidente. Comecei a adaptar as coisas ao meu redor para ter autonomia novamente, até conseguir operar sozinho qualquer dispositivo digital, sem precisar mexer os braços ou as mãos. Usei a cadeira de rodas para sair de casa e logo busquei um emprego, para poder ocupar a minha cabeça e me sentir produtivo novamente.

Montei uma empresa de tecnologia assistiva e quero dividir com o mundo tudo o que criei. Tenho como meta ajudar pessoas que enfrentam as mesmas necessidades que eu. E tenho a certeza de que ainda há muito a fazer, mesmo depois de ter perdido quase todos os movimentos do corpo. Para mim, a grande verdade é que, não importa o tamanho da dificuldade a ser enfrentada, sempre há luz no final do túnel.”
Renato Cordeiro Mecca, 38 anos, empresário

“O maior preconceito mora dentro da gente”

Arquivo pessoal
Bruno Rodrigues, 30 Imagem: Arquivo pessoal

“Estava alcoolizado e dormi enquanto dirigia a minha moto. Por causa disso, sofri um acidente, tive uma lesão medular e perdi os movimentos, fiquei paraplégico. Tinha 20 anos e minha reação foi a pior possível. Acordei sem conseguir movimentar as pernas, lembro como se fosse hoje! Mas, graças ao apoio da família e dos amigos, busquei tratamento e acabei me encontrando nos esportes. Hoje, sou paratleta da natação e ganho a vida com isso.

A experiência que eu passei me ensinou muito: agora faço tudo com muita cautela e responsabilidade, penso mais nas minhas atitudes. Também aprendi que o maior preconceito, geralmente, é o que mora dentro da gente. Precisamos nos aceitar como somos para depois esperar que os outros nos vejam sem preconceito. Estar em contato com pessoas que passam pela mesma situação ajuda muito.”
Bruno Rodrigues, 30 anos, paratleta de natação

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