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Política

Olheira, desfibrilador e pão com mortadela: a sexta-feira de Lula em SBC

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Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Imagem: Universa

Bárbara Reis e Natacha Corrêa

da Universa

06/04/2018 15h25

Na sala 207, no segundo andar do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Luiz Inácio Lula da Silva está tranquilo, mas com a pressão alta. Por volta das 15h, o médico Gustavo Johnen está com o desfibrilador ao lado do presidente. “Ele está muito emocionado, é diabético e a pressão está alta”, diz o médico.

Lula já comunicou a todos que só vai tomar a decisão do que vai fazer nos últimos minutos. A ordem emitida pela Justiça de Curitiba é a de que o ex-presidente se entregue até as 17h.

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Dividido em cômodos, o espaço abriga cerca de 100 pessoas. No local, a reportagem de Universa avistou amigos e apoiadores, como a pré-candidata à presidência Manuela d'Ávila (PCdoB), o também pré-candidato e líder do MTST Guilherme Boulos (PSol), a colega de partido e ex-Ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres Eleonora Menicucci, a filósofa Márcia Tiburi, ex-Ministro Celso Amorim, a deputada-federal Maria do Rosário (PT), a presidente do PT Gleise Hoffman, um dos fundadores da Midia Ninja Pablo Capilé e o vereador Eduardo Suplicy (PT).

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Imagem: Universa

Um a um, eles entram e saem da sala reservada, onde o ex-presidente permanece. Quem aguarda no ambiente ao lado, se mostra apreensivo, mexendo no celular a todo o momento. Em tom de brincadeira, deputados e vereadores tiram a pilha do relógio de parede para evitar o fatídico horário limite.

Ao lado do médico, em uma sala sem adornos, que conta apenas com duas garrafas térmicas abastecidas de café, Lula parece estar há muitas horas sem dormir e se abastece com água mineral.

Em meio às visitas, a cineasta Petra Costa e uma cinegrafista circulam livremente e captam todos os detalhes para um documentário que mostrará desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff até o lançamento das candidaturas presidenciais, em agosto.

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Imagem: Universa

A movimentação é acompanhada de uma trilha sonora vinda do andar inferior. Um grupo da juventude petista protesta com tambores, no ritmo de funk: "Não à prisão de Lula, abaixo o golpe. Vai dar PT, vai dar."

Um lanche é servido às 15h30: pão com mortadela. Para beber, há suco, refrigerante, água e café. A todo momento, Lula tira sefies com os conhecidos que vão chegando. Um casal traz um bebê de 10 dias para receber um beijo do ex-presidente. Dois senhores comentam: "Quem diria, hein? Quarenta anos depois, a gente tá aqui no sindicato de novo, e o Lula com um mandado de prisão."

Uma hora antes do prazo final, vereadores e deputados do PT se reúnem no que está sendo chamada de "Reunião da Bancada". Eles informam que os advogados do ex-presidente querem que ele se entregue. 

Alguns minutos se passam. Lula vai para uma sala com os advogados. Já as lideranças do PT e do PSOL começam a deixar o espaço e seguem para o carro de som, que está em frente ao Sindicato.

Ficam os familiares de Lula. O clima, no entanto, é descontraído, e a única bisneta do ex-presidente é o centro das atenções. Ana Lua, com pouco mais de um ano, está vestida de vermelho do pés à cabeça. Os presentes dançam ao som da música que vem lá de fora, "Vermelho", da cantora Fafá de Belém.

Por volta das 18h, Lula deixa a sala. Em um corredor tumultuado, distribui abraços em meio a gritos de apoio: "Vai pra cima, Lula" e "Força, presidente". O ex-presidente vai para a janela acenar para os manifestantes que estão na rua. No caminho, encontra um grupo de mulheres. Elas o beijam, abraçam e choram, emocionadas.

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Lula cumprimenta fãs Imagem: Universa

Em seguida, Lula volta a se fechar na sala com advogados. Pela primeira vez, o local está cercado por grades para impedir qualquer acesso.

Às 19h, amigos e apoiadores que permanecem por lá demonstram a intenção de passar a noite no Sindicato. 

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Imagem: Universa

Por volta das 20h, muitos apoiadores de Lula deixaram o espaço, prometendo voltar pela manhã, para participar de uma missa em homenagem a Marisa Letícia -- ela completaria 68 anos neste sábado (7).

O ex-presidente continua em sala fechada com seus advogados. A expectativa é que ele se entregue à Polícia Federal após a missa dedicada à esposa, falecida em fevereiro de 2017.

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