Violência contra a mulher

"Marielle não tinha medo, mas temia pelas colegas ameaçadas", diz amiga

Reprodução/Instagram
A vereadora Marielle Franco foi assassinada na quarta-feira (14) no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Instagram

Daniela Carasco e Helena Bertho

da Universa

15/03/2018 17h32

O sorriso largo de Marielle Franco era uma característica marcante para quem a conhecia. "Uma companheira sempre alegre, com abraço gostoso e um jeito generoso de fazer política", recorda Fernanda Melchionna, vereadora pelo PSOL de Porto Alegre, sua amiga pessoal, além de companheira de partido.

A vereadora, nascida e criada no morro da Maré, foi assassinada, nesta quarta (14), no Rio de Janeiro, junto com seu motorista, Anderson Pedro Gomes, 39.

"Nada vai substitui-la, a dor é irreparável, e isso é motivo de muita tristeza. Ao mesmo tempo, seremos mais vozes ecoando a luta dela pelo mundo", diz Fernanda.

Uma outra fonte, amiga próxima de Marielle, também conversou com a Universa, mas preferiu não se identificar.  “Marielle não tinha medo”, diz, emocionada. Ela trabalhou junto com a vereadora por quatro anos.

“Estamos todas desabadas”, diz ela, se referindo ao grupo de colegas das quais Marielle se cercava. “Ela era um instrumento de denúncia e resistência no combate às opressões.”

A amiga classifica Marielle como "uma mulher calejada". “Ela não recebia ameaças. Não estávamos arriscando ela como alvo. Ela tinha muita preocupação que algo acontecesse com outras colegas parlamentares que já foram ameaçadas. E a construção de sua visibilidade era, inclusive, um instrumento de segurança.” 

Marielle chegava chegando

“Era uma mulher linda, potente, de uma energia inigualável, com uma presença marcante e um sorriso inesquecível. Marielle chegava chegando”, descreve a amiga. “Ela tinha uma assertividade muito grande e muita segurança no que dizia.”

Suas maiores lembranças são dos atos que participaram juntas. “Era ela que pegava o megafone e puxava a palavra de ordem.” Em sua página no Facebook, há uma longa lista de eventos dos quais participou recentemente: “08 de Março e a Luta das Mulheres Negras”, “Jovens Negras Movendo as Estruturas” e “Mulheres na Política”.

“Marielle era ousada. Nunca vou me esquecer do ano de 2013, quando morreram dezenas de pessoas na Maré, e fizemos uma caminhada lá dentro com vários movimentos sociais juntos. Era ela quem puxava a multidão, cercada de homens armados por fuzis. Marielle sempre foi muito corajosa e firme quanto ao papel que cumpria.”

Entre seus papeis, exercia muito bem o de mãe e filha, segundo a amiga. “Uma leonina daquelas protetoras, que sabia a hora de dar a dura necessária, mas também o momento certo de ser amorosa e engraçada. Ela tinha o abraço mais forte e acolhedor que eu já recebi.”

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Vítima da violência que combatia

Marielle era socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense. Sua militância contribuiu para os 46.502 votos que a tornaram a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, em 2016. Há duas semanas, havia assumido a função de relatora da Comissão que acompanhava a Intervenção Federal no Rio.

Antes disso, coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) ao lado do atual deputado estadual Marcelo Freixo, também do PSOL. 

Assim como em seu trabalho parlamentar, nas redes sociais, onde pedia inclusive a saída do presidente Michel Temer, seu ativismo ficava evidente. Em uma publicação feita no dia 10 de março, denunciou a violência policial no bairro de Acari, na Zona Norte do Rio. 

Na infância, Marielle perdeu uma amiga com um tiro

“O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41º batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte”, escreveu no Facebook. E pediu: “Chega de esculachar a população! Chega de matarem nossos jovens!”.

A situação se relaciona diretamente com o início da militância de Marielle, que na época do cursinho pré-vestibular perdeu uma amiga de infância, vítima de bala perdida, em um tiroteio entre policiais e traficantes na comunidade onde cresceram. 

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