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Ciúme, traição, bissexualidade? O que pode e o que não pode no poliamor

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No poliamor, há acordos e o ciúme precisa ser contornado Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

do UOL, em São Paulo

30/10/2017 04h00

É mesmo evoluído? Não rola ciúme? É igual relacionamento aberto? Todo mundo se pega? Quando o assunto é poliamor, o que não falta é dúvida. Por isso, quem opta por essa configuração tem usado cada vez mais a internet para esclarecer questões recorrentes e derrubar padrões.

Sharleen Carvalho, 34, virou consultora poli há três anos, quando fundou o grupo “Pratique Poliamor RJ”, no Facebook. Ela viveu um casamento monogâmico durante nove anos, até se apaixonar por outra pessoa e começar a questionar a exclusividade. Há três, é “policasada” e ajuda quem quer viver uma relação como a sua. Para ela, diálogo e acordos flexíveis são condições indispensáveis para dar certo.

Nomes por trás do canal Sensualise Moi, que trata do assunto, Tuy Potassio, 24, e Biel Vaz, 27, são casados há cinco anos. Há nove meses, namoram também Zac Villa, 21. Para eles, a premissa absoluta de um poliamor é o consentimento.

Aqui, eles dão dicas fundamentais para quem deseja incluir, no mínimo, um terceiro elemento na relação.

Poliamor não salva relacionamento em crise

Tuy e Biel costumam dizer que é preciso, primeiro, “arrumar a casa para só depois chamar a visita”. Buscar um terceiro elemento quando a situação não vai bem, quando a sensação é de insegurança, pode ser uma medida desesperada, que só prejudica mais.

Tem regras

Ainda que flexíveis e negociáveis elas precisam existir para que todas as partes se sintam confortáveis. As regras funcionam para garantir que o limite e a autonomia de cada um sejam respeitados. Por isso, todo poliamor se constrói à base de muita conversa, cartas na mesa e nenhum privilégio na hora das decisões -- todas as vozes têm que ter o mesmo peso.

É diferente de relacionamento aberto

O pressuposto de uma relação aberta é a de que cada um pode ficar com quem quiser. Já o poliamor é um compromisso de viver um relacionamento afetivo e sexual entre três ou mais pessoas. Mas também é possível viver um poliamor aberto? Sim! Nesse caso, o trisal abre mão só da exclusividade sexual e decide se os encontros casuais serão individualizados ou também coletivos.

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O ciúme existe, mas tem que ser contornado

Para Sharleen, a valorização do ciúme como prova de amor é equivocada. Em um poliamor, ele até aparece, mas não é encarado de maneira positiva. Por isso, é preciso refletir sempre se ele faz sentido. Quando racionalizado, esse sentimento perde a força. Caso o desconforto perdure, a solução é discutir a relação.

O conceito de traição não muda

Quando algum acordo é quebrado entre as partes, é traição. Para além da fidelidade, o que está em jogo é a lealdade.

Existe mais de uma configuração possível

Além de não ter uma limitação de parceiros, não dá para falar de modelo único. O poliamor pode ser em grupo -- todos se relacionam entre si -- ou paralelo -- namoros em duplas. Biel usa como referência as letras do alfabeto. A configuração em “V” é quando um homem tem duas mulheres e elas não namoram entre si ou quando uma mulher tem dois namorados e eles não se pegam. Em “N” é quando existe um casal central e cada um ainda mantém relacionamentos à parte. Além delas, existem os formatos “quadrado” e “triangular”, onde não há exclusividade.

Não é necessário ser bissexual

Apesar de ser comum, a orientação sexual dos membros de um poliamor é variável. É possível que todos sejam héteros se a intenção é manter relacionamentos paralelos, por exemplo. 

Não é mais evoluído

É só mais uma possibilidade de união entre pessoas, que não funciona para todo mundo, assim como a monogamia. Tuy faz questão ainda de dizer que se trata de um processo longo e difícil de desconstrução e empatia.

Nem sempre cabe mais um

Namorar mais de um não é sinônimo de namorar sempre mais um. Quem vive um poliamor acha desrespeitoso receber investidas do tipo.

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