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Direitos da mulher

Judias protestam por oração igualitária perante o Muro das Lamentações

Sebastian Scheiner/AP
Uma mulher judia usa um xale de oração e um tefillin - caixa de madeira e couro, utilizada na cabeça (e outras partes do corpo) em orações matinais - durante reza no Muro das Lamentações, em Jerusalém. O grupo, conhecido como "Mulheres do Muro", convoca reuniões de oração mensais no Muro das Lamentações, local que judeus ultra ortodoxos acreditam que só os homens podem usufruir Imagem: Sebastian Scheiner/AP

da EFE, em Jerusalém

14/06/2018 09h32

As Mulheres do Muro, um grupo de judias religiosas que lutam pela igualdade entre homens e mulheres nas orações perante o Muro das Lamentações, oraram na manhã desta quinta-feira no local para comemorar o início do mês (Rosh Rodesh), apesar da oposição de dezenas de ultraortodoxos.

Este coletivo, formado por mulheres judias reformistas, conservadoras e ortodoxas, reivindica há 28 anos a autorização para realizar a oração no muro sem divisão por sexo, se opõem ao monopólio da ultraortodoxia desse espaço sagrado e lutam para que também seja permitido que as mulheres que seguem a vertente mais ortodoxa rezem e cantem.

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Seguindo o costume mensal, dezenas delas rezaram hoje cedo pela manhã na seção feminina separada dos homens, enquanto um pequeno grupo de ultraortodoxos, integrado na maioria por jovens e crianças, assobiava e esperava do lado de fora para protestar contra as mudanças que defendem.

O dia de hoje era visto como especialmente sensível, depois que em maio da Fundação do Muro das Lamentações advertiu ao grupo feminino que não permitiria acesso ao local se não seguisse uma nova norma de rezar dentro de uma zona fechada para elas na seção feminina, algo que não ocorreu.

Depois de rezar por mais de uma hora, as integrantes do Mulheres do Muro saíram juntas e cantando salmos judaicos sob uma leve proteção das forças de segurança israelenses e a atenção dos jornalistas, enquanto dezenas de ultraortodoxos, na maioria menores de idade, gritavam em tom agressivo e expressam o mal-estar de maneira intimidatória.

"A religião é consistente. A reforma está baseada na mudança, portanto, a reforma não é religiosa", dizia um cartaz do grupo ultraortodoxo.

Para a rabina Susan Silverman, que participou nas rezas de hoje, "o Rosh Kodesh é tradicionalmente uma comemoração de mulheres que tem um significado especial para nós, por isso viemos aqui rezar juntas, como fizemos durante muitos anos".

"Desgraçadamente, o nosso encontro se tornou a parte do jogo político dos ultraortodoxos no governo", lamenta Silverman.

Em 2016, as Mulheres do Muro geraram rebuliço quando entraram no recinto do Muro das Lamentaçãos portando vários rolos sagrados da Torá para reivindicar o direito a rezar neste lugar sagrado, o que irritou os ultra-ortodoxos presentes.

A ação, de caráter religioso e reivindicativo, foi um protesto para exigir ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que permita rezar livremente no recinto religioso, situado na Cidade Velha, na parte leste de Jerusalém, sob ocupação israelense desde 1967 durante a Guerra dos Seis Dias.