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Por que um suéter de cashmere pode custar US$ 2.000 ou US$ 30?

Sigi Tischler/AP
Imagem: Sigi Tischler/AP

Kim Bhasin

20/04/2018 09h55

Um suéter liso, mas trabalhado meticulosamente, feito do melhor cashmere do mundo pode custar US$ 2.000 ou mais se vendido por grifes de luxo como a Loro Piana. Ao mesmo tempo, é possível conseguir por apenas US$ 29,90 um suéter simples, 100 por cento de cashmere, na estante de ofertas da Uniqlo.

Feito com a lã mais macia produzida por certas raças de cabras, como a cabra branca Zalaa Ginst e a cabra do Planalto do Tibete, o cashmere antes era reservado aos seguidores da moda mais ricos. (A esposa de Napoleão Bonaparte ajudou a popularizar a lã). Mas nas últimas duas décadas, seu prestígio disparou e as roupas mais baratas inundaram o mercado.

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Foram exportados quase US$ 1,4 bilhão em roupas de cashmere em todo o mundo em 2016, contra US$ 1,2 bilhão em 2010, segundo dados de comércio da Organização das Nações Unidas. São quase 5.000 toneladas de pulôveres, cardigãs e outros itens. Agora, os produtos feitos com essa lã parecem estar em todo lugar com preços para todos os bolsos. A onipresença pode gerar problemas para um produto, que acaba parecendo uma commodity, especialmente no caso de uma lã historicamente comercializada como item de luxo.

Mas então o que torna um suéter melhor do que outro? O preço depende da qualidade da lã, do local de fabricação da peça, do número de unidades compradas pela marca e da margem de lucro.

A qualidade da matéria-prima costuma ser o mais importante. As fibras de cashmere mais compridas mantêm a integridade por mais tempo, permitindo que as roupas mantenham a estrutura. O pilling -- as bolinhas que se formam na lã com o desgaste -- é mais comum em roupas feitas de fios mais curtos de cashmere. Hoje em dia, os fabricantes muitas vezes produzem roupas a partir de uma mescla de comprimentos para equilibrar qualidade e custo.

Ocasionalmente, até cashmere falso chega às prateleiras das lojas. "Com certeza existe fraude nesse mercado", diz Frances Kozen, diretora do Instituto Cornell para a Moda e a Inovação nas Fibras. Comerciantes fraudulentos, e às vezes falsificadores, criam misturas de cashmere rotulados como 100 por cento cashmere que na verdade são feitas de lã, raiom de viscose e acrílico -- e possivelmente até pele de rato, afirma.

O setor tenta recuperar a reputação do tecido educando os consumidores sobre a origem do cashmere. A marca de cashmere Naadam garante aos clientes que usa apenas as fibras mais longas e que isso faz com que as peças durem mais. A marca divulga suas práticas sustentáveis de pastagem e de ausência de produtos químicos e alvejantes. Os suéteres da Naadam não são baratos, a preços de US$ 125 a US$ 225, por isso a marca precisa mostrar aos compradores por que merece o investimento.

"O cashmere ainda significa muito para as pessoas, apesar de muitas marcas terem degradado o significado de muitas palavras", diz Shilpa Shah, cofundadora da marca de roupas e acessórios Cuyana. Os suéteres de cashmere da marca são fabricados na Escócia e na Itália e custam US$ 155 a US$ 495. Eles não têm a qualidade do que se pode encontrar em grifes com preços muito mais elevados, mas Shah insiste em que chegam perto.

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