Violência contra a mulher

Demissão e repúdio: autores de vídeos machistas sofrem consequências

Reprodução
Torcedores brasileiros em vídeo machista na Rússia Imagem: Reprodução

Da Universa

20/06/2018 15h44

Vídeos de grupos de brasileiros sendo ofensivos e tendo atitudes machistas contra mulheres estrangeiras na Rússia, onde ocorre a Copa do Mundo 2018, não param de pipocar nas redes sociais. São ao menos três casos de gravações com o mesmo teor até o momento. Desde o surgimento destes materiais no último domingo (17), diversas manifestações de repúdio surgiram, assim como punições contra os agressores identificados. A empresa de aviação Latam, por exemplo, demitiu seu funcionário.

No primeiro material divulgado, uma mulher, que aparentemente não fala e não entende português, é rodeada por homens que vestem a camiseta da Seleção Brasileira e gritam em coro “boceta rosa”, se referindo à genitália da mulher. No segundo, dois homens incentivam as mulheres a falar: “eu quero dar a boceta para vocês." É neste que aparece Felipe Wilson, ex-funcionário da Latam. No terceiro, o comerciante Leandro Dias de Montes Claros (MG) pede para uma estrangeira dizer: "Você vai dar para todo mundo de Montes Claros". 

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Desconcertada e visivelmente sem entender o que é dito, ela tenta reproduzir o canto a pedido de um dos homens. Os torcedores tiram selfies, fazem gravações e continuam a cantar em coro. Reunimos abaixo o que aconteceu até agora e pode acontecer com os agressores.

Casos de machismo na Copa:

Reprodução/Instagram/@diegojatoba
Diego Jatobá (à direita) Imagem: Reprodução/Instagram/@diegojatoba

O primeiro identificado no vídeo foi Diego Valença Jatobá (à direita), ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE).

Advogado filiado ao PSB, Diego foi procurado pela reportagem da Universa, mas não retornou. Diante dos pedidos de cassação do registro de Diego nas redes sociais, a Ordem dos Advogados do Brasil emitiu nota de repúdio às atitudes demonstradas no vídeo.

"A preconceituosa atitude é causa de vergonha para todos nós, brasileiros, e vai na contramão do atual contexto de luta contra a desigualdade de gênero, em que cada dia mais as instituições públicas e privadas estão em busca de soluções conjuntas para que nenhuma mulher sofra qualquer tipo de violência ou discriminação pelo fato de ser mulher", diz um trecho do texto publicado pela entidade.

Reprodução
Tenente Eduardo Nunes, da PM-SC Imagem: Reprodução

O segundo foi o tenente Eduardo Nunes, de Lages, Santa Catarina. A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou o policial entre os envolvidos e afirmou que ele deverá ser punido.

"A corporação não corrobora com este tipo de atitude que é incompatível com a profissão e o decoro da classe, previsto no Regulamento Disciplinar e no Estatuto da PMSC, independentemente de estar em período de férias, folga de serviço ou qualquer outra situação de afastamento, devendo portanto, responder por suas atitudes", afirmou o tenente-coronel João Batista Réus em nota. "Assim que se der seu retorno, a corporação abrirá um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do militar", concluiu.

Reprodução
O engenheiro Luciano Gil (camiseta preta, à dir.) Imagem: Reprodução

O engenheiro Luciano Gil, que também aparece no mesmo vídeo que os dois acima, disse que se surpreendeu com a repercussão e pediu "desculpas às mulheres ofendidas".

“Não foi feita coação, nada ali foi forçado. Tinha mais de 40 meninas ali e os próprios russos que tinham namoradas colocavam elas na brincadeira de livre e espontânea vontade. Só ganhou essa conotação porque aconteceu aqui na Rússia, mas se fosse na favela ou no carnaval, seria considerado normal.”

Luciano Gil, que já foi inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA-PI), foi um dos alvos de uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU), em 2015. A Operação Paradise desarticulou um esquema de desvio de dinheiro público na prefeitura de Araripina, em Pernambuco.

Reprodução
Wallace (barba, à esq.) Imagem: Reprodução

O outro homem (barba, localizado à esquerda, no canto inferior) é o estudante Wallace Prado, de 23 anos. O jovem mora em Dublin, na Irlanda, há cerca de quatro anos e estuda gestão de tecnologia de informação na Dorset College, uma faculdade local. Já sua família vive na Zona Leste de São Paulo, onde nasceu. Procurado, Wallace não respondeu as mensagens e os telefonemas da reportagem.

Reprodução
Outros brasileiros, inclusive Felipe, gravam vídeo machista Imagem: Reprodução

O funcionário Felipe Wilson, também envolvido em um outro vídeo machista com russas durante a Copa do Mundo, foi demitido da Latam, empresa para qual trabalhava nesta quarta-feira (20). Felipe participou de uma gravação na qual pede para três russas repetirem uma frase de baixo calão em português. 

A Latam ficou incomodada com a postura do funcionário, que atuava como supervisor de aeroportos, e emitiu uma nota à imprensa explicando sua decisão. “A LATAM Airlines Brasil repudia veementemente qualquer tipo de ofensa ou prática discriminatória e reforça que qualquer opinião que contrarie o respeito não reflete os valores e os princípios da empresa. A partir deste pressuposto, a companhia informa que tomou as medidas cabíveis, conforme seu código de ética e conduta.”

Reprodução
Leandro Dias, comerciante de Montes Claros Imagem: Reprodução

Ainda teria um outro torcedor, o comerciante Leandro Dias de Montes Claros (MG). Ele gravou uma menina, com uniforme de trabalho da Copa do Mundo na Rússia, dizendo frases de cunho sexual. “Você vai dar para todo mundo de Montes Claros”, o brasileiro faz a mulher de outro país falar em uma gravação, referindo-se, provavelmente, à cidade onde ele vive. “Montes Claros, melhor b... do mundo”, o homem pede para ela dizer em outro vídeo. Maíza Rodrigues, defensora pública de Montes Claros, município de 400 mil habitantes no norte de Minas Gerais, reagiu com indignação ao identificar o comerciante. “O que ele fez não foi uma ofensa apenas à mulher que aparece no vídeo, foi também uma ofensa a todas as mulheres e, particularmente, as mulheres de Montes Claros", disse.

Consequências

Os brasileiros podem responder por crime no país da Copa do Mundo. A jurista russa Alyona Popova fez uma denúncia e escreveu uma petição contra os atos machistas por violência e humilhação pública à honra e à dignidade de outra pessoa.

Representante do governo brasileiro na Copa do Mundo, o ministro do Esporte Leandro Cruz conversou com jornalistas e condenou as atitudes de seus compatriotas. "Acho que o caso não é de homens desrespeitosos com mulheres russas. São homens desrespeitosos, que o devem ser com mulheres brasileiras, russas, inglesas, francesas. São pessoas que prestaram um imenso desserviço ao Brasil. Uma atitude como essa, além de envergonhar nosso país, é merecedora de todas as repreendas que a gente possa fazer, porque realmente é um desserviço", criticou o ministro.

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