Direitos da mulher

Vivemos numa sociedade machista, sim ou não? Venha entender!

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Não dividir as tarefas domésticas é um dos micromachismos praticados atualmente Imagem: iStock

Geiza Martins

Colaboração para Universa

25/04/2018 04h00

Se você é um usuário ativo da internet, certamente já se deparou com uma discussão virtual sobre machismo. Provavelmente, você até se enfiou em algum desses bate-bocas virtuais, em que há sempre dois grupos: pessoas tentando conscientizar sobre o assunto e outras defendendo que "mundo está ficando chato". Muitos argumentos são ditos e quase nunca as turmas entram em acordo. É por isso que um assunto sério como esse merece ser tratado com respeito e clareza. Afinal, o machismo é a causa de morte de muita mulher.

Caso você ainda tenha dúvidas quanto à pergunta do título, saiba: esse comportamento faz parte de nossas vidas, infelizmente. Segundo uma pesquisa feita pelo Ibope, ele está presente no cotidiano de 99% dos brasileiros, e é mais forte nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil -- 7% dos moradores desses locais estão acostumados a reproduzirem frases machistas. No estudo, um total de 61% das pessoas já pronunciou algum comentário machista, mesmo que alguns não reconheçam o preconceito.

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Ou seja, está na hora de entender e nos responsabilizarmos sobre o que perpetuamos por aí, seja na vida real ou na internet. Entenda de uma vez por todas que você pode estar reproduzindo esse comportamento, mesmo sem ter intenção disso.

O que é?

Sabe aquelas piadinhas sobre mulher que são trocadas no grupo do WhatsApp? Quando no churrasco alguém brinca que a mulher não sabe fazer a carne? Então, é exatamente aí que reside o machismo!

Nas palavras da professora de psicologia do centro Universitário Celso Lisboa Adriana Marques Santos, machismo é "todo comportamento que demonstra que o gênero masculino é hierarquicamente superior ao feminino, ratificando a desigualdade de direitos e deveres entre estes".

E quando falamos isso, não estamos apenas colocando os homens nesse pote. As mulheres podem reproduzir o machismo e muitas o fazem mesmo! Toda mulher que supervaloriza os direitos dos homens, em detrimento das mulheres, veste a carapuça desse comportamento.

"É frequente o número de mulheres que enaltece, por exemplo, que as posições de comando cabem somente aos homens. Vivemos em uma sociedade machista", diz a professora.

Mimimi?

Muita gente vai dizer que isso é exagero, que é uma reclamação sem muito fundamento e que uma piadinha não faz mal a ninguém. Faz, sim. Piadas são reflexo da sociedade e, disfarçadas de humor, acabam perpetuando esse comportamento no mundo.

"É machismo todo comportamento que demonstra que o gênero masculino é hierarquicamente superior ao feminino, ratificando a desigualdade de direitos e deveres entre estes", explica Adriana.

Isso vale para concentração de poder para os homens no mercado de trabalho, diferenças salariais para os mesmos cargos, direito sobre seu próprio corpo, entre tantas outros. Ou seja, quem confirma o pensamento de que as mulheres são “inferiores”, legitima essa falsa hierarquia e (por que não dizer?) violência.

Machismo mata

Novamente, você pode pensar: "ora, mas uma piadinha no churrasco ou no grupo da família não gera violência". Só que gera. Primeiro, vamos entender o que significa essa palavra. Normalmente só pensamos no sentido da agressão física.

"No entanto, qualquer forma de assédio moral, por exemplo, se configura como uma expressão violenta, uma vez que se trata de uma atitude desrespeitosa", explica a psicóloga. Segundo Adriana, qualquer percepção e comportamento que favoreça os homens em detrimento das mulheres, possibilitando privilégios a eles, pode ser a base para assédio.

O resultado disso? Relações abusivas e violência contra a mulher. Segundo dados do mais recente Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou uma média de 135 estupros por dia em 2016.

Mudança necessária

Felizmente, nem todos os homens são machistas por essência. O resumo da ópera é: qualquer mudança de comportamento e atitude demanda uma transformação profunda na estrutura social. “Uma sociedade patriarcal se constrói com base em valores voltados para a manutenção do poder centralizado nos homens”, afirma Adriana Marques. E completa: “Portanto, a necessidade de reestruturação do sistema social é anterior à transformação do comportamento machista”.

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O verbo SER: nenhum ser humano essencialmente bom pode não ser feminista

Eu sou Feminista. Tu és Feminista? Ele é Feminista! Ela não é Feminista?? Nós somos Feministas! Vós sois Feministas? Eles são Feministas! Elas não são Feministas?? Eu não sou Feminista?!? Sou sim, mas sei que preciso ser mais e melhor... Tu és Feminista. Apenas não sabes... Ele não é Feminista? Poderia ser sim, aliás, deveria, ainda que por empatia... Ela é Feminista! E ainda bem que tem consciência de que o é... Nós não somos Feministas? Claro que somos, ainda que disso não falemos o tempo todo... Vós sois Feministas. E fazem muito bem em o ser... Eles não são Feministas? Mas deveriam, pois todos os seres humanos deveriam ser, uns por essência e outros por empatia. E fato é que todos deveriam ser... Elas são Feministas. Sim, são, aliás, feministas convictas. E apesar de toda a ignorante discriminação que sofrem... E você? é ou não é? Sabes afinal o que é ser feminista? Sabes de verdade? Sem preconceitos? Ser feminista é ser simplesmente a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres e a favor do respeito à condição feminina. Ser feminista, portanto, é lutar contra os preconceitos que aprisionam, intimidam e limitam as mulheres nas empresas, nos espaços públicos, nas escolas e nas universidades, nas casas e nas famílias, nos jardins, nas ruas e nas praças da nação e deste mundo, impedindo-as de irem mais longe e de serem mais naturalmente felizes. Ser feminista é lutar pelo reconhecimento dos direitos civis e humanos de todas as mulheres; é lutar para que tais direitos não sejam nem menores e nem menos importantes de que os de quaisquer outros seres humanos. Ser feminista é não aceitar que uma mulher seja morta neste país a cada hora e meia apenas e tão somente porque ela é mulher. Ser feminista é perceber que é um absurdo sermos um dos países do mundo em que há menos mulheres no Legislativo e na cúpula dos Poderes Instituídos do Estado, fatos esses que enfraquecem e desqualificam o ambiente da democracia brasileira. Ser feminista é saber que enquanto não tivermos mulheres ocupando isonomicamente todos os espaços, especialmente os espaços de poder e decisão, que são os espaços em que são tomadas as decisões mais relevantes e impactantes para o presente e para o futuro da nação brasileira e de toda a nossa sociedade, não teremos um país justo, equilibrado, contemporâneo e nem será o nosso país um país melhor. Ser feminista é ter consciência da absoluta e profunda importância da mulher para o desenvolvimento e para o aprimoramento otimizado da humanidade e dos países contemporaneamente. Ser feminista é apenas querer que todas as mulheres possam andar tranquilamente pelas ruas deste país sem correrem o risco de serem assediadas, desrespeitadas, diminuídas, estupradas ou atacadas. Portanto, tenho certeza de que você é feminista, pois nenhum ser humano essencialmente bom pode não ser feminista. Você só não sabia ou não tinha consciência de que era, como eu mesma um dia não tive consciência de que era. Mas isso foi há muitos e muitos anos... Desde então, eu lutei para ser um ser humano melhor e penso que, pelo menos, amadureci e, por decorrência, pude perceber e reconhecer que eu sou Feminista sim e é ótimo assim ser. E, aliás, sempre é tempo para ser e se reconhecer como um ser humano melhor... E você? Não quer ser um ser humano melhor?

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