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10 Perguntas


Surfistinha: "Jamais me prostituiria de novo. Não tolero mais homem fedido"

Arquivo Pessoal
Aos 34 anos, Raquel dá workshops de sexo para mulheres Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

Da Universa

2019-05-24T04:00:00

24/05/2019 04h00

"Não me chame de Bruna", é a resposta que Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, dá para os homens que querem se aproximar afetivamente dela e a perguntam o que devem fazer. A frase é o oposto da que é pedida na série da FOX, "Me chame de Bruna". A trama, que conta a vida da ex-garota de programa está chegando à quarta temporada e é uma das principais fontes de renda de Raquel, como ela deseja ser chamada.

Aos 34 anos e separada há quatro do marido que havia sido um de seus clientes, Raquel dá workshops de sexo para mulheres --um dos mais procurados é o de sexo oral -- e está perto de lançar mais um livro. "Bruna Surfistinha nua e crua", uma autobiografia, fica pronta em agosto.

Nesta entrevista, ela conta das "inúmeras" tentativas de se reconciliar com os pais, do arrependimento de ter se casado cedo (aos 20 anos) e que ainda recebe altas propostas para voltar a ser prostituta. "Um homem me ofereceu R$ 80 mil por um fim de semana. Não quero. Não tenho mais paciência para aguentar homem fedido".

Ministrar um workshop que ensina mulheres a fazerem sexo oral em homens não reforça uma ideia machista, de que mulheres precisam satisfazer os homens?
Não. E por dois motivos. As mulheres sempre me perguntam o que devem podem fazer para enlouquecer o marido ou o namorado. Portanto, a demanda veio das mulheres. Aliás, minha resposta para essa pergunta é: "Um homem fica louco quando vê uma mulher sentindo prazer. Por isso, faça um sexo bom para você". Além disso, logo no começo do curso, falo que a mulher precisa focar no próprio prazer antes de qualquer outra coisa. Conversamos dos bloqueios que muitas de nós temos e de outros fatores que interferem no prazer. Falo sobre não fingir orgasmo e ensino a conversar quando o sexo está ruim. Depois disso é que vem a aula prática. Cada aluna recebe um vibrador para treinar. Ensino técnicas como colocar camisinha com a boca, por exemplo. Você a posiciona, ainda enrolada, entre os dois lábios e com o biquinho para dentro da boca. Vai fazendo o sexo oral e desenrolando o plástico sobre o pênis.

Por que não dá um workshop que ensine homens a fazer sexo oral em mulheres?
Pensei nisso, já que é superdifícil encontrar homem que saiba fazer direito. Mas desisti porque a maioria dos caras acha que é um sucesso no sexo e que sabe tudo. Perguntei para alguns amigos e eles disseram que não se interessariam. Presumi que eu não ganharia dinheiro. Tem ainda a grande possibilidade de os homens me procurarem com outras intenções.

Pensa em voltar a trabalhar como prostituta?
Jamais. Meu período como prostituta foi importante, mas passou. Essa fase me deu tantas opções que eu não preciso mais me prostituir. Não teria a paciência que tinha com 18 anos. Naquela época, transava com homens fedidos, que continuavam cheirando mal mesmo depois do banho. Pra mim, estava tudo certo, eu era porra louca. Há pouco tempo, minha empresária foi procurada por um homem que me ofereceu R$ 80 mil por um fim de semana. Não quis.

O que você mudaria das suas atitudes enquanto era prostituta?
Eu poderia ter trabalhado como prostituta sem que os meus pais soubessem, sem causar essa decepção a eles. Me arrependo de ter fugido de casa; ter deixado uma carta e ido embora. Também não teria casado aos 20 anos. Percebi que a fase dos 20 aos 30 anos é importante para a mulher se descobrir (Raquel se separou em 2015, depois de 10 anos de casamento).

Como é sua relação com sua família?
Não existe. Decidi participar do programa "A Fazenda", em 2011, porque achava que se eles me vissem na televisão, iriam me querer de volta. Quando acabou, eles continuaram cagando para mim. Em 2012, meu pai faleceu e, ali, minha luta acabou. Era com ele que eu me preocupava. Ainda assim, liguei para a minha mãe e tentei me reaproximar. Ela me disse que estava de luto e que, assim que passasse, me procuraria. Dei a ela o endereço da minha casa, meu telefone e o do meu marido. Ela nunca me procurou. Ano passado, fui até a casa dela decidida que seria minha última tentativa. Ela nem me deixou subir. Disse, pelo porteiro, que era para eu parar de procurá-la. Assim foi feito.

Acha que você mudou a forma como os brasileiros veem as prostitutas?
Tenho certeza, apesar de saber que ainda há muito preconceito. Muitas pessoas me disseram que passaram a respeitar garotas de programa depois de assistirem ao filme. Por causa da narrativa, foi possível enxergar um lado humano ali e tirar a visão de mulher "vagabunda". No filme, ficam claras as dores, dificuldades e os conflitos internos de uma prostituta que, antes de tudo, é uma mulher.

Me conta uma curiosidade sobre o universo da prostituição que só quem está nele sabe.
Quando eu comecei a me prostituir, não existiam redes sociais. As casas de prostituição faziam os anúncios em jornais. E eles tinham uma estratégia de marketing que era anunciar um perfil de prostituta que não existia na casa; uma coisa muito espetacular. Os clientes ligavam e pediam por essas mulheres, mas, quando chegavam, dizíamos que ela havia tido um imprevisto e não estava. Então, a dona da casa dizia: "Dê uma olhada nas outras meninas, quem sabe você se interessa por uma delas". Sempre dava certo.

Quais serão as diferenças entre seu próximo livro, autobiográfico, e o "Doce Veneno do Escorpião"?
Esse novo livro vai se aprofundar em questões menos comerciais da minha vida, como meu casamento e a realidade nada vendável da prostituição. O "Doce Veneno do Escorpião" era quase um livro erótico, o que foi uma recomendação da editora.

Você se casou com um homem que havia sido seu cliente. Depois da separação, seu passado dificultou amores novos?
Sim. Eu tive muito medo de ser usada. Tive um namorado e, antes dele, só saí com quatro caras. Fiz tanto sexo que acabou perdendo a graça. Hoje, só fico com o cara se eu tiver certeza de que ele está a fim da Raquel e não da Bruna. Se, na balada, o homem já chega me chamando de "Bruna", eu vou embora.

Um spoiler do workshop: você pode dar três dicas para um bom sexo oral?
Quanto menos usar a mão no pênis, melhor. O sexo oral não é uma masturbação. A graça é a boca e a língua. Além disso, use géis de temperatura fria e quente e os alterne durante os dias. Eles aumentam a sensibilidade do pênis e também da vagina. E use vendas nos olhos do parceiro, às vezes. Quando os olhos são tampados, os outros sentidos ficam mais aguçados.

Serviço

As inscrições para o workshop, que custa R$ 350 por pessoa, devem ser feitas pelo site.

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