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10 Perguntas


Naiara Azevedo: "Mamei nas tetas de uma vaca chamada Estrela. Virei uma"

Arte UOL
Naiara Azevedo quer lançar novo hit antes do Carnaval Imagem: Arte UOL

Talyta Vespa

Da Universa

14/02/2019 04h00

A cantora Naiara Azevedo gosta de contar que foi uma traição que alavancou sua carreira. Claro que foram baldes de choro na época em que ela encontrou o namorado na cama com outra; mas nada que faça sombra à burra de dinheiro que que ela ganhou com a música "50 reais", cujo clipe foi visto por mais de 30 milhões pessoas no YouTube, inspirada no episódio. Com a grana, Naiara conta, comprou casa e até um avião. "Não gostei de ter um avião, dá muito trabalho. Prefiro ter amigos com um". Tá? 

 À Universa, a cantora diz que é feminista, "mas não das que mostram os peitos", e que foi mal interpretada quando disse que uma escritora, "como uma mulher preta, era inteligente e culta". Revela os truques, nem sempre saudáveis, para manter a dieta que a fez perder 33 quilos e conta que já ficou 46 horas acordada em uma rotina intensa de shows. 

Você está gravando um DVD só com músicas novas, com lançamento previsto para o fim deste mês. É uma data pensada para que alguma das músicas vire hit de Carnaval, certo?
Sim. Escolhi todas as 10 faixas pensando no que pode bombar. Foi o que aconteceu com "50 reais", mas daí, sem querer. Fiz a música depois de sofrer muito com uma traição e, quando vi, estava na boca de todo mundo. Eu aconteci sem querer e estou vivendo esse sonho louco até hoje. Tenho certeza de que "50 reais" vai ser um hit eterno. Daqui a cem anos, ele vai continuar tocando.

Na música, você conta que, quando pegou seu namorado com outra, jogou 50 reais em cima dos dois. Isso aconteceu de verdade?
Eu nunca vou revelar isso, é meu segredo. Eu morava no Paraná e tinha um namorado que quis dar uma de esperto para cima de mim. Mas mulher tem sexto sentido, né? Sabia que tinha alguma coisa errada e decidi ir até a casa dele sem avisar. Quando cheguei, ele estava na cama com outra, no ato. Queria quebrar a cara dele, tive vontade de matá-lo. Sofri muito e, então, escrevi a música. Depois, levei para outros compositores que me ajudaram a melhorá-la e assinam comigo. Foi um trauma que resultou em sucesso. 

Você perdeu 33 quilos para tentar reverter um problema de sobrepeso nos joelhos. Qual a parte mais difícil de manter a dieta?
A madrugada. Eu acabo um show de duas horas tarde da noite e não tem nada que eu possa comer. Então, apelo para uma banana ou uma maçã e bastante água. Se continuo com fome, durmo que passa. Comer de madrugada é uma cilada, então tento dar uma segurada. Eu tinha um problema sério nas cartilagens dos joelhos, e como sempre pulei e dancei muito em cima do palco, meu médico disse que se eu não emagrecesse, precisaria fazer uma cirurgia. 

O que precisou enfrentar para encontrar seu espaço no sertanejo?
Ouvia que mulher no sertanejo não fazia sucesso e que eu, por ser gorda, faria menos ainda. Ouvi que eu não me encaixava em um padrão de beleza para aparecer na televisão e que minha voz era feia. Eu sou formada em estética e cosmética e pós-graduada em pós-operatório estético; então, colegas insistiam que eu seguisse essa profissão e deixasse a música de lado. Não vou dizer que não fiquei abalada, mas meu sonho de ser artista era maior. Mulher é muito forte, né? 

O que você acha do feminismo?
Sou feminista, mas não dessas que mostram os peitos segurando cartaz dizendo que homem tem que morrer. Ser feminista, para mim, é lutar para que eu possa fazer tudo o que um homem faz. Passou daí, vem a ignorância, esses movimentos rebeldes, essa coisa de feministas radicais. Gosto do feminismo que respeita, não desse que diz que mulher não pode lavar prato. Eu lavo louça, limpo o chão, faxino a casa e amo cozinhar. Mas, se precisar subir uma parede, eu coloco tijolo por tijolo.

Você postou uma foto com o rosto machucado (era uma maquiagem), dizendo que queria conscientizar as mulheres sobre a importância de denunciar violência doméstica. Já foi agredida por algum namorado?

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Já, verbal e psicologicamente. Ele me colocava para baixo, falava coisas que faziam com que eu me sentisse um lixo. Ainda assim, dizia que eu nunca encontraria alguém igual a ele, e eu acreditava. Era uma violência muito grande, mas eu era jovem, não entendia como lidar com isso. Quando fiz a campanha contra violência doméstica, muitas mulheres passaram a me procurar no camarim dizendo que eram violentadas pelos maridos e que, graças a mim, tiveram coragem de denunciar. 

Você foi acusada de racismo após uma fala no "Encontro com Fátima Bernardes" [Naiara disse à escritora Vilma Piedade: "Estou admirada com a inteligência, com as palavras, porque ela é uma mulher preta, como ela se diz, tão culta e dando todos esses ensinamentos"]. Hoje, você diria a mesma coisa?
Acho que sim. Não entendi o que aconteceu ali. Quem me chamou de racista é maldoso e tem mente pequena. Eu vi naquela mulher uma pessoa muito inteligente. Minha equipe é negra, fui criada com pessoas negras. Depois saímos para almoçar e eu perguntei para ela se eu a tinha ofendido, e ela deu risada, disse que não. Quem criticou só vê as coisas negativas da vida. 

Qual foi a primeira coisa cara que você comprou quando começou a entrar dinheiro?
Uma casa. Eu cresci em uma fazenda em Goiás, não tínhamos muito dinheiro, só o suficiente para sobreviver. Depois da casa, a gente vai aumentando os luxos. Cheguei até a comprar um avião, mas não gostei, dá muito trabalho. Legal é ter amigos com avião. Gosto mesmo é de viajar de ônibus porque tem cama de casal e TV. 

Qual a pior parte da vida de artista?
Não conseguir marcar uma cerveja com amigos com uma semana de antecedência. Já fiquei 46 horas acordada emendando show, ensaio, gravações e o Melhores do Ano, do Faustão. Eu fico doida, esqueço que conversei com pessoas, começo a falar enrolado e falo um monte de besteira. 

Você consegue visitar seus pais com frequência?
Quase nunca. A comida da minha mãe me faz sentir muita saudade de casa. Ela e meu pai me deram muito amor. Meu pai diz que eu fiquei famosa porque, quando criança, mamei nas tetas de uma vaca chamada Estrela. Virei uma estrela.