Sou trans e arraso

Sucesso na carreira, na família, na política: elas são minoria, mas apontam um novo cenário para transgêneros

Camila Brandalise da Universa, em São Paulo Marcus Steinmeyer/UOL

O Brasil tem o terrível título de país com maior número de assassinatos de transexuais no mundo. A maioria, 94%, é mulher. Não dá para fingir que as dificuldades que a maior parte das trans enfrentam não existem. Mas precisamos, também, olhar para as que conseguiram seguir caminhos diferentes ao das estatísticas.

Nesta reportagem, Universa fala de vitórias. Aqui, contaremos a história de Ariadne Ribeiro, ex-prostituta e hoje doutoranda em um grande centro de pesquisa brasileiro; de Jacqueline Rocha Côrtes, mãe de duas crianças, casada e professora e de Erika Hilton, eleita deputada estadual por São Paulo.

Elas estão nos lugares que, um dia, disseram que não serviam para elas. Servem. Trajetórias como as dessas mulheres estão ficando mais comuns e trazem um recado: elas serão muitas mais.

Marcus Steinmeyer/UOL
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"Larguei a escola depois de ter sido espancada"

Pesquisadora Ariadne Ribeiro foi prostituta e, hoje, tem projeto reconhecido pela ONU

"Parei de estudar aos 13 anos, depois de ter sido espancada por um grupo de alunos na porta da escola. Fiquei com o rosto desfigurado de tanto apanhar. Ninguém, alunos ou funcionários, me procurou para oferecer ajuda. Só terminei o colégio aos 21, depois de fazer um supletivo.

Hoje, tenho 37 anos e sou pesquisadora. Faço doutorado em Psiquiatria e Psicologia Médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Tenho minha sala, bolsa e outras duas pesquisas financiadas por multinacionais na área da saúde mental. Soube aproveitar as oportunidades que apareceram e, usando minha própria experiência, criei uma trajetória acadêmica que é única, só minha, e me dá muito orgulho e prazer fazer o que faço.

Eu era a filha que dava problema em casa. Já me entendia como mulher, mas meu padrasto, não, e ele me ofendia. Minha mãe não tinha forças para brigar contra ele. Aos 13, fui morar com a minha avó, Neusa. Ela morreu quando eu tinha 18. Foi um baque. Sem conseguir emprego, comecei a me prostituir. Não tinha dinheiro nem para comer. Em 2002, aos 21, estudei em um curso supletivo e fiz um exame, aplicado pelo MEC (Ministério da Educação), para tirar o diploma de conclusão do Ensino Médio.

Entrei na faculdade no mesmo ano. Passei em um concurso da prefeitura de São Paulo para trabalhar em uma escola infantil e ganhei uma bolsa para cursar Pedagogia. Não tinha interesse na área, mas foi o que surgiu. Não fui chamada para ocupar a vaga, mas pude estudar. Conciliava o trabalho de operadora de telemarketing com a prostituição. Já passei fome. Lembro um dia que disse para um cliente que só queria que ele me desse uma coxinha.

Depois de me formar, consegui um emprego no Centro de Infectologia de Itanhaém, no litoral de São Paulo. Lidava com a população de rua dependente química. Eu me inscrevi para outra bolsa, concedida pelo governo de São Paulo, e ganhei uma especialização na Unifesp, na capital paulista. Foi onde me encontrei.

Apresentei um projeto de TCC inovador, para entender porque dependentes químicos não se comprometiam com o tratamento de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). Converso com os usuários sem discriminação, quero que eles falem sobre sua sexualidade, não sintam vergonha em falar que se prostituem. Tendo essas informações, a chance de eles continuarem o tratamento aumenta. Depois, fui convidada para fazer mestrado. Concluí antes do tempo, tive o dobro de publicações acadêmicas do que um aluno precisava ter e ganhei a bolsa para o doutorado.

Também trabalhei no Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), do governo do Estado de São Paulo, e tive resultados ótimos. Em um ano, o número de pessoas que aderiram ao tratamento para ISTs era 5,7 vezes maior do que em outros serviços de saúde da cidade. Foi o único projeto brasileiro a participar de uma convenção da ONU sobre Aids, em Genebra, em dezembro de 2018. Quem apresentou o projeto foi o diretor do Cratod, meu orientador do doutorado, Marcelo Ribeiro. Meu plano, agora, é estudar neurociência.

A maior de todas as minhas conquistas, hoje, é ter o respeito e o amor da minha família. E quando me lembro de cada uma das pessoas trans que pude ajudar no cuidado em saúde, me lembro de mim mesma, há 20 anos, e agradeço a todas as mãos amigas que me fizeram chegar onde estou."

Marcus Steinmeyer/UOL Marcus Steinmeyer/UOL
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"Filha, sabia que mamãe nasceu menino?"

Jacqueline Rocha Côrtes virou mãe após a transição e ama sua família harmoniosa

"Eu me entendo como mulher desde os 4 ou 5 anos de idade. Queria colocar roupa de menina, usar vestido. Aos 16, estava no consultório de um dentista e li em uma revista sobre transexualidade. Entendi que era essa a minha condição. Eu dizia para mim mesma: nasci menino mas vou morrer mulher.

Eu me tornei professora de inglês. Professor, ainda era rapaz. Afeminado. E me vestia de mulher em festas, passava batom de vez em quando. Soube da existência da cirurgia de redesignação sexual quando tinha uns 20 anos. Faziam no Marrocos, mas era uma coisa muito distante para mim.

Aos 34 anos, descobri que tinha Aids. Fiquei com medo de morrer sem realizar meu sonho de ser mulher. Quatro anos depois, comecei um tratamento para a transição no Hospital das Clínicas, com hormonioterapia e cirurgia. Estava prestes a fazer a operação de redesignação sexual quando sofri um infarto. Passei por uma cirurgia complicada no coração e tive que interromper tudo. Dois anos depois, voltei ao HC e terminei minha transição.

Durante minha recuperação da cirurgia no coração, me aproximei de um primo, que é gay, o Vitor. Sou 17 anos mais velha do que ele. Estava tomando hormônio, então minha aparência já era feminina. Um dia, falei que estava sentindo algo diferente por ele. Vitor respondeu que não era recíproco, que era gay. Lamentei, mas entendi.

Continuamos conversando. Um dia, ele me disse que estava resistente à ideia de gostar de mim, que seria como um homem heterossexual que não aceita ser gay. Já estávamos envolvidos. Quando ele veio para São Paulo, me deu rosas e se declarou, disse que me amava. Começamos a namorar e casamos em 2004. Nessa época, me tornei assessora de projetos da Unaids (braço da ONU para a Aids). Ajudei a criar campanhas e viajava para diferentes países.

Pensava em ser mãe, mas já estava na casa dos 40 e com Aids. Tinha medo de deixar a criança desamparada. Mas o Vitor queria, insistiu, e eu concordei. Nos registramos no cadastro nacional e, em 2011, o Gilson, hoje com 16, e a Luara, de 10, nasceram para nós.

Conversei com os dois por ser trans. Para o meu filho, mostrei uma foto minha com 12 anos. Ele tinha 13. 'Você era um menino?', ele perguntou. Expliquei que sim, que era uma mulher transexual. Ele me abraçou e disse que eu sempre seria a mãe dele.

Com a menina, conversei quando ela tinha 7. Estávamos vendo TV e eu disse: 'Filha, sabia que mamãe, quando nasceu, era menino? Mas a mamãe não gostava de ser menino. E fez um tratamento médico e virou mulher." Na hora, ela me perguntou: 'Eu também nasci menino e virei menina? Porque não quero ser menino'. Disse que 'não' e achei graça. Tem essa ideia de que filhos de trans serão também, e esse episódio mostra que não tem nada a ver.

Cuido da parte da educação deles, de levar e buscar na escola, participo das reuniões de pais, oriento os estudos, faço pesquisa com eles no computador, imponho disciplina e dou castigo se não tiver nota boa, como ficar sem celular por uns dias. Fazemos programas de família juntos: vamos à praia, viajamos para visitar meus parentes, assistimos Netflix juntos. Posso dizer que hoje, com 58 anos, tenho a família que queria ter: harmoniosa."

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"Entrei para a política em nome das trans e travestis"

Deputada estadual, Erika Hilton projeta seu futuro no legislativo em defesa de LGBTs

"Meu nome ficou conhecido em 2015, quando tinha 23 anos e fiz um abaixo-assinado porque uma empresa privada de transporte público de Itu, no interior de São Paulo, onde eu vivia, se recusou a colocar meu nome social no cartão que eu usaria para entrar nos ônibus. Consegui mais de 30.000 assinaturas, dei entrevistas para tudo quanto é lugar. A empresa cumpriu meu pedido e, pela repercussão, recebi um convite do PSOL para me filiar ao partido. Aceitei.

Em 2017, me convidaram para ser candidata a vereadora. Topei, mas sem expectativa nenhuma. E não fui eleita. Queria ser pesquisadora. Na época, cursava Gerontologia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), área que estuda o envelhecimento humano.

Nessa época, tinha saído da casa da minha família, que é evangélica, por causa de uma convivência complicada. Eu era uma travesti e ouvia da minha mãe que o que eu fazia 'não era coisa de Deus'. Eu me mudei para estudar na cidade de São Carlos, mantivemos contato e eles me ajudaram financeiramente por um tempo.

Em 2018, fui convidada para fazer parte do mandato coletivo da Bancada Ativista com outras oito pessoas. Mais uma vez, aceitei. Queria mostrar que existia, em nome das pessoas trans e travestis. Mas eu me surpreendi quando soube que fomos eleitos em 14º lugar, de 94 vagas. Somos em nove e ocupamos diferentes cargos no mandato coletivo. Eu sou chefe de gabinete, e nos juntamos para discutir votos e concepção de projetos de lei. Decidimos tudo, as nove pessoas, juntos.

Hoje, com a faculdade de Gerontologia trancada, penso em estudar políticas públicas e seguir o caminho que comecei a trilhar aqui na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), principalmente de defesa da população LGBT. A fala do deputado Douglas Garcia [do PSL, que disse que, se encontrasse uma trans em um banheiro, tiraria "a tapa"] mostra a violência que vivemos. Um dia depois da eleição de 2018, a UFSCar amanheceu com uma pichação: 'Traveca tem que morrer'. Ando com uma segurança, me protejo. Não vou morrer, não. Ainda tenho muito trabalho pela frente.

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"85% das atendidas eram prostitutas. Esse número se inverteu"

Especialista em transição de gênero avalia quadro das últimas décadas em São Paulo

O psiquiatra Alexandre Saadeh está à frente do primeiro centro de atendimento para pessoas trans no país, o Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas, em São Paulo, criado em 1997. Nesta entrevista, Saadeh fala sobre mudanças de perfil da população trans da década de 1990 para cá, em relação a trabalho, escolaridade e relações familiares. Mas, ressalta, que essas mudanças têm acontecido em grandes centros urbanos, como a capital paulista.

Qual foi a maior mudança de perfil dos pacientes nos últimos anos?
Houve uma inserção da população trans no mercado de trabalho. Em 1997, de 85% a 90% dos trans atendidos por nós se prostituíam. Quando fechamos a triagem para adultos, em 2015 (ano em que o ambulatório passou a atender somente crianças e adolescentes), a proporção se inverteu: só 15% se prostituía. Os outros 85% da população adulta tinha carteira assinada ou era profissional liberal. Pesa o fato de ser em São Paulo: a cidade com mais projetos e mais ONGs que ajudam os trans no quesito trabalho.

A escolaridade aumentou?
Sim. Há muitos trans completando o ensino universitário, fazendo pós-graduação. Hoje, é uma realidade que nos anos 1990 nem se pensava.

13 anos é a idade média em que uma pessoa trans é expulsa de casa no Brasil. Sobre esse número, há alguma mudança positiva?
Sim. Ainda há muitos adolescentes que não são aceitos pelos pais, mas isso tem mudado muito. Antigamente, os pais traziam os filhos aqui para 'consertá-los' --eles usavam esse termo, mesmo. Hoje querem saber como ajudar a criança ou o adolescente a sofrer menos, para que não seja excluído na escola, não sofra bullying. Percebi essa mudança de três anos para cá, pois a questão trans tem entrado nas novelas, na mídia, na internet, há programas de televisão falando disso.

Justamente por ser um tema em pauta, há quem argumente que a transexualidade é uma "moda". É?
Não. É uma questão que sempre acompanhou nossa espécie, não tem a ver com o momento sociocultural. Tem uma base biológica. A abordagem apresentada pelas pesquisas atuais é a de que a transexualidade é uma condição que se desenvolve na gestação. Primeiro, se forma a genitália. Depois, quando algumas partes cerebrais começam a se formar, alterações dos hormônios masculinos ou femininos fazem com que o cérebro siga uma linhagem feminina num corpo com cromossomo masculino ou o contrário.

Uma aparência mais condizente com a identidade de gênero da pessoa facilita sua inserção no mercado de trabalho?
Sim. Quanto menos ela chama a atenção pelo fato de ser trans, mais fácil é a própria aceitação e a inserção social como um todo. Claro que há pessoas que não são tão femininas ou masculinas, conseguem emprego e se dão bem. Mas ter uma aparência mais condizente com o gênero pode ajudar.

Essa mudança exige hormonioterapia e cirurgias?
O tratamento com hormônios é feito em 100% dos casos. A cirurgia de redesignação sexual, diria que em 99%. Mas há outros procedimentos muito procurados: trabalho fonoaudiológico, para que a voz se adeque à identidade de gênero, cirurgias de correção facial, de retirada de gogó, laser para tirar pelos.

O que as pessoas deveriam saber em relação à população trans que, no geral, não sabem?
Acho que as pessoas não têm noção do sofrimento. O preço do preconceito é muito alto. Eles sofrem por não serem aceitos pela família, não conseguirem se inserir socialmente, têm depressão, abandonam a escola, se automutilam, tentam suicídio. Apesar da melhora nos índices de inserção social, é uma população ainda muito agredida, apanham, são assassinados. Há uma grande parte que tenta suicídio, também. 35% dos adolescentes trans já tentaram. Então é de se preocupar. Por isso acredito que é uma questão de saúde pública.

Mulheres trans contam como lidaram com sua identidade de gênero no trabalho

Quando o Fórum de Empresas LGBT foi criado, em 2013, era comum um funcionário ser demitido, após fazer a transição, com a desculpa de baixo desempenho. "Mas a chave das empresas virou", afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo da entidade, que tem 66 companhias signatárias. "Elas incluíram o respeito à identidade de gênero em seu código de conduta e, caso haja uma situação de discriminação, o agressor é punido."

Para Márcia Rocha, da ONG Transempregos, companhias têm percebido que há profissionais extremamente capacitados, mas que estão "soltos" em razão do preconceito. "A pessoa tinha uma experiência de 15 anos em tecnologia da informação, duas pós-graduações, mestrado, fez a transição e foi mandada embora. Tenho notado que isso já não acontece como no passado. Hoje, o Brasil está agindo para aumentar contratações e já é um exemplo para outros países."

Leia, abaixo, os relatos de três funcionárias de multinacionais que chegaram em cargos de destaque em suas empresas. Elas contam como resolveram questões envolvendo a identidade de gênero no ambiente de trabalho.

"Eu me afastei da empresa e, quando voltei, já era Érica"

Engenheira de telecomunicações na Petrobras, Érica Alves de Oliveira, 37, entrou na companhia em 2010, mas só passou pela transição sete anos depois, quando tirou uma licença de 20 dias para um procedimento estético. "Quando fui conversar com o RH sobre minha identidade de gênero, estava preparada para os piores cenários." Mas a resposta foi positiva e envolveu uma série de conversas com chefes da empresa.

"Antes de dar ciência à companhia, tentei prever cenários, dos melhores aos piores. Busquei o RH e expliquei que passaria por uma transição de gênero. Recebi apoio integral da empresa. Logo em seguida, tive apoio de uma psicóloga . Pedi que o assunto ficasse o mais restrito possível, pois não queria me expor. Foi criado um grupo multidisciplinar envolvendo RH, área jurídica, área de saúde e chefia. Definimos que eu ficaria fora por 20 dias. Eu me afastei para fazer uma cirurgia facial. Nesse período ocorreu a criação de um conjunto de ações aplicadas a funcionários trans e a implantação do meu nome social. Criaram regras quanto ao uso de áreas comuns internas e adequaram os sistemas, como alteração de e-mail."

"Fui a 1ª trans em cargo de chefia"

Gestora da área de suporte ao cliente da SumUp, multinacional de pagamentos online, Renatha Paiva Dionísio, 36, entrou no mundo corporativo em 2010, como atendente de telemarketing na filial brasileira da empresa francesa Teleperfomance. Três anos depois, subiu de cargo por meio de processos seletivos internos e se tornou supervisora. Foi quando precisou acionar a área jurídica da empresa para resolver problemas envolvendo o nome social.

"Quando me tornei chefe, comecei a usar muito o e-mail para falar com pessoas de outras áreas. Mas o endereço estava registrado com meu nome antigo. Chamei minha gestora e expliquei que não poderia ser assim. Expor o nome de registro é uma situação desconfortável. As pessoas respondiam perguntando: 'Quem é fulano?', e eu tinha que explicar. Conversei com a área jurídica, que autorizou a mudança. Levou dois meses. Meu crachá também mudou. Depois disso, o RH passou a perguntar, no momento da contratação, o nome social para novos funcionários."

"Falei que era trans já na entrevista"

Maria Fernanda, 28, é engenheira biomédica na filial brasileira da BD, empresa americana de tecnologia médica. Foi contratada após a transição e conta que, já na entrevista, quis falar sobre sua transexualidade.

"Sabia que a empresa era norte-americana e tinha um programa de contratação de LGBTs. Quis falar que era trans na entrevista e tentei trazer o tema de uma maneira natural. Acredito que, se a pessoa não se sentir à vontade para falar sobre o tema, não tem porque citar. A empresa é que tem que valorizar o profissional acima de qualquer preconceito. Na minha percepção, o mercado está mais preparado para lidar com pessoas trans."

Os números da transfobia

No Brasil, a expectativa de vida de um transexual é de 35 anos, segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). De acordo com a ONG Transgender Europe, que mapeia estatísticas referentes a travestis e transexuais no mundo, o risco de um trans ser morto só por ser trans é 14 vezes maior do risco de um homessexual ser assassinado por homofobia.

A idade média em que uma pessoa trans é expulsa de casa é de 13 anos e 56% de toda a população transgênero não completa o Ensino Fundamental. Muitos dizem largar a escola depois de sofrerem violências físicas ou psicológicas, por parte de colegas ou professores. Entre as mulheres, 90% se tornam prostitutas, em média, no Brasil.

"Precisamos pensar em prevenção e educação, em campanhas ostensivas e periódicas contra o preconceito, contra o ódio, contra o discurso religioso que nos demoniza", afirma o relatório "Mapa dos Assassinatos", da Antra. "Nos desumanizando, podem fazer conosco o que quiserem, até matar, contando com a certeza da impunidade."

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