A consciência negra feminina

Elas quebraram tudo: 12 negras da contemporaneidade que chutaram o preconceito e mudaram o cenário brasileiro

Márcia Foletto/Agência O Globo Márcia Foletto/Agência O Globo

De Zumbi a Marielle

Zumbi dos Palmares, ao ser morto, teve sua cabeça cortada, salgada e exposta em praça pública, para que fosse desmentida a lenda de que ele era imortal.

O líder negro comandou por 15 anos o Quilombo dos Palmares, maior reduto de resistência à escravidão do período colonial, que chegou a ter o tamanho de Portugal e contar com 30 mil escravos fugitivos de fazendas, senzalas e prisões. 

Sua morte aconteceu no dia 20 de novembro de 1695, num território que hoje pertence a Alagoas. Naquele ano, Pedro II de Portugal premiou com 50 mil réis o capitão responsável pelo assassinato.

Desde 2011, a data de sua morte passou a ser "celebrada" como o Dia da Consciência Negra e um convite para que reflitamos sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

De que "inserção" estamos falando?

Marielle Franco, ao ser morta, teve sua cabeça atingida por três tiros, e o pescoço, por outro. O caixão em que foi enterrada precisou ser lacrado porque seu rosto ficou desfigurado. Marielle está presente. E não é lenda.

Negra, intelectual, política, bissexual, mãe e favelada, Marielle cresceu no Complexo da Maré e em 2016, com mais de 46 mil votos, foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro. Formada em Sociologia e mestre em Administração Pública, sua dissertação, intitulada "UPP - a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro", revelava alguns dos temas com os quais se preocupava, como direitos humanos e moradores de favelas. Mas Marielle ainda usava sua voz potente, seu sorriso largo, os cabelos black power e coloridos vestidos na defesa do feminismo e das populações LGBT e negra. Por incorporar tantas bandeiras e ocupar um espaço majoritariamente tomado por homens brancos, ela incomodava muita gente. 

No dia 14 de março deste ano, ela foi assassinada junto com o motorista Anderson Gomes, quando voltava de uma palestra. Mais de oito meses depois, o crime segue sem elucidação. A polícia carioca trabalha com as hipóteses de que policiais, ex-policiais, milicianos e empresários do jogo bicho estejam envolvidos com os crimes. 

Neste dia da Consciência Negra, Universa presta uma homenagem a Zumbi, a Marielle e a mais 11 mulheres negras, brasileiras e da contemporaneidade que tiveram papel dos mais importantes no espaço em que escolheram e batalharam para atuar. Estamos juntas. 

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Negócios: Rachel Maia

Uma joia preciosa

Entre as lembranças da infância da executiva Rachel Maia, 47, nascida num bairro periférico de São Paulo, estão os almoços de domingo, com apenas um frango dividido entre 11 pessoas - ela, os seis irmãos, os pais e dois primos que moravam com a família. Em casa, cada centavo era contado, e Rachel aprendeu a usar isso a seu favor. Nas empresas em que trabalhou no começo da vida profissional como contadora e gerente financeira, investia boa parte do que ganhava em cursos fora do país -- de inglês no Canadá a finanças em Nova York. Rachel tinha um objetivo: chegar à direção de uma empresa gigante.

Deu certo. Hoje ela é uma das 40 mulheres mais poderosas do Brasil, segundo a revista Forbes, e única brasileira negra CEO de uma multinacional no país, a Lacoste.

Ao lado dela, na lista, só há outra negra: a moça do tempo do "Jornal Nacional", Maria Júlia Coutinho. A publicação afirma que Rachel é "quase um mito" por ser única no mercado em cargo de direção. Segundo André Freire, sócio-diretor da consultoria Exec de headhunting para postos executivos, Rachel é reconhecida por encarar cargos complexos. "Quando ela começou, não havia ninguém em quem se espelhar; pelo contrário, com um perfil até hoje inexistente em cargos de chefia, só havia motivos para desistir", afirma Freire. "Mas ela fechou os olhos para isso e fez seu caminho."

A pronúncia original do seu nome é Raquel, mas, depois de 20 anos lidando com parceiros do exterior, adotou a forma em inglês, que soa como Rêitchel. A executiva formou-se em Ciências Contábeis e seu primeiro cargo de projeção foi em 1998, como controladora financeira do grupo farmacêutico suíço Novartis. Ficou quatro anos nessa indústria e seguiu para um tempo na Universidade de Harvard, onde fez especializações nas áreas de finanças e liderança. Foi nos Estados Unidos que uma headhunter da Tiffany & Co. a abordou. Marcas de luxo não eram seu alvo, mas decidiu arriscar: voltou para o Brasil e tornou-se diretora financeira da joalheria. Quatro anos depois, já respondia como a CEO da marca no Brasil.

Em 2010, Rachel daria outro de seus extraordinários saltos na carreira: virou a CEO brasileira da Pandora, a segunda maior fabricante de joias do mundo, com sede na Dinamarca. A executiva foi contratada com a missão de expandir as lojas no país. Aumentou os pontos de venda de dois para 98. Um dos segredos desse crescimento, foi "desmistificar o luxo no Brasil", contou Rachel ao UOL, em 2016. "Antigamente, as lojas de joias recebiam clientes a portas fechadas. Minhas portas são abertas, maravilhosas, e oferecemos descontos."

Há poucos dias, uma nova estrada abriu-se para Rachel, depois que seu cargo na Pandora foi extinto: ela acaba de virar (também!) CEO da Lacoste, rede francesa que, agora, procura se firmar no mercado premium. Rachel, que é mãe de uma menina de sete anos, planeja lançar um livro sobre sua excepcional trajetória. Viviane Duarte, fundadora da Plano Feminino, que presta consultoria para que empresas contratem mulheres e negros, e do projeto Plano de Menina, que dá cursos para garotas de periferias sobre possibilidades profissionais, não tem dúvida:

Rachel abriu as portas para que meninas negras que estão agora decidindo sua carreira possam se tornar mulheres bem-sucedidas em cargos de chefia.

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Política: Benedita da Silva

Chega à política a "negra, mulher e favelada"

Já são 36 anos na vida política do Brasil. A carioca Benedita da Silva, 76, elegeu-se pela primeira vez para cargos eletivos em 1982, como vereadora, com um slogan que até hoje é lembrado: "Negra, mulher e favelada". "Sou militante dos grupos de favela há muitos anos e foi ali que me descobri enquanto população pobre, mulher negra e jovem que passava por apertos", diz à Universa Benedita, que viveu na comunidade Chapéu Mangueira e lá deu os primeiros passos no ativismo social, ao presidir a Associação das Mulheres do Chapéu Mangueira e trabalhar no Departamento Feminino da Federação das Associações de Favelas do Rio. Filiada desde sempre ao PT, a hoje deputada federal reeleita lembra que, de tanto ser ignorada em suas reivindicações --"íamos à prefeitura e os políticos desapareciam"--, percebeu que precisava se colocar formalmente na estrutura política do país.

Pioneira negra a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, Benedita conta que enfrentou dificuldades. "Fui para um ambiente em que eu era a primeira favelada a chegar ali. A questão racial naquela época era vista como chacota", diz a política, que salienta ter também trabalhado pela representatividade dentro do próprio PT. "Era preciso ter a cara preta ali, não só a branca e masculina", destaca Bené, como é chamada pelos amigos, que é filha de pai pedreiro e mãe lavadeira (ela própria trabalhou como ambulante, empregada doméstica, servente e professora), evangélica da Assembleia de Deus, casada com o ator Antonio Pitanga e madrasta dos atores Camila e Rocco Pitanga. De um casamento anterior, teve quatro filhos; dois deles morreram ainda bebês.

Com formação em auxiliar de enfermagem e graduação em Serviço Social, Benedita construiu posteriormente uma carreira política de peso: foi deputada federal, senadora, vice-governadora do Rio no mandato de Anthony Garotinho, depois, governadora (quando ele renunciou para concorrer à presidência), secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, e ministra da Secretaria Especial de Trabalho e Assistência Social, no primeiro mandato do presidente Lula. Nessa trajetória, acumulou polêmicas: foi acusada de improbidade administrativa e de nepotismo. 

Entre suas conquistas como parlamentar, Benedita destaca três: "O direito da trabalhadora doméstica (ela foi a relatora da PEC que ampliou os direitos das empregadas domésticas), o racismo como crime (participou do processo da Constituinte, em 1988, e colocou essa questão em pauta na Câmara dos Deputados) e um projeto de lei para que crianças nascidas no sistema prisional possam permanecer com as mães durante o período de amamentação. 

"Para mim, ela é uma referência de mulher negra de luta, que fortalece a população mais carente", afirma Leci Brandão, sambista e deputada estadual pelo PC do B. Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da PUC-SP, destaca não só o pioneirismo de Benedita, como sua longevidade na política nacional", que se explica, segundo ele, justamente pelo envolvimento com as causas sociais: 

Ela tem um eleitorado formado por moradores das comunidades cariocas e pela população negra que sofre com a discriminação. Junto do PT, teve um papel de destaque na defesa dos direitos dos trabalhadores. 

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Esporte: Marta

A fenômena

Seis vezes premiada como a melhor jogadora de futebol mundo, Marta Vieira da Silva, 32, é a maior futebolista de todos os tempos. A alagoana, chamada no início da carreira de "Pelé de saias", ostenta ainda o posto de maior artilheira da história da Seleção Brasileira (contando a masculina e a feminina), com 101 gols.

Nascida na cidade sertaneja de Dois Riachos, Marta, que só entrou na escola aos nove anos, começou a jogar futebol bem antes, aos seis, com primos e amigos da rua. Era, evidentemente, a única menina a participar das peladas e, em vários campeonatos da escola enfrentou a cara feia de treinadores preconceituosos. No entanto, ela sabia que levava jeito. E resolveu se profissionalizar. Em 2000, com 14 anos, batalhou e foi contratada pelo Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Apenas cinco meses depois, foi chamada para a Seleção Brasileira. Com 17 anos, estava na Copa do Mundo Feminina. Um fenômeno.

No Brasil, Marta jogou também pelo Santos e pelo Santa Cruz, em Minas Gerais, mas foi lá fora que sua carreira explodiu. O primeiro país em que carimbou seu nome foi a Suécia; ela tinha então 18 anos e conta que nem sabia onde ficava o país. Depois de fazer-se conhecida na Europa (ainda jogaria em duas outras equipes suecas e, em nove anos atuando por lá, foi sete vezes campeã), Marta brilhou em quatro times americanos. Atualmente, joga nos Estados Unidos pelo Orlando Pride.

Marta carrega a tristeza de nunca ter ganhado uma Copa do Mundo, mas sua história -- que inclui uma nomeação pela ONU como embaixadora de causas humanitárias, num time que conta ainda com Angelina Jolie, a rainha Rania, da Jordânia, a tenista Maria Sharapova e a modelo Gisele Bündchen -- é, evidentemente, inspiração para muitas meninas e meninos também. Segundo a historiadora Isabella Trindade, que pesquisa o papel das famílias na formação dos atletas, Marta "mostra a possibilidade de existência para as garotas negras que gostam de futebol. Ela também é importante para os meninos porque é preciso ver que pessoas parecidas com a gente ocupam lugares de poder", diz a pesquisadora.

O futebol feminino brasileiro começou em 1980 e, apesar do destaque de Marta, continua sofrendo com uma vergonhosa falta de investimento. A professora Fernanda Haag, que estuda futebol feminino em seu doutorado pela USP, pontua bem o gol contra do Brasil: 

Ao mesmo tempo que é um baita exemplo de representatividade, Marta escracha a contradição de que um gol do Neymar, que nunca levou uma bola de ouro, vale muito mais do que um dela, que já levou seis.

Emanuel Pires /Fotoarena
Eduardo Knapp/Folhapress Eduardo Knapp/Folhapress

Música: Elza Soares

A voz do milênio

Poucas pessoas fizeram tanto pela música brasileira quanto Elza Soares. Dona de um timbre rascante, a carioca, de quem não se sabe ao certo a idade ? ela teria entre 81 e 88 anos ? e que foi eleita pela Rádio BBC de Londres, como a cantora brasileira do milênio, grita, em sua vida e em suas canções, pelo respeito à mulher. 

Aos cinco anos e filha de uma família pobre, a cantora conta ter tido uma visão de São Jorge e pedido ao santo guerreiro que fizesse seu pai parar de bater nela. Aos 11, foi obrigada a abandonar os estudos e se casar com um amigo do pai que, segundo relatos de Elza, a submetia a violências doméstica e sexual. Aos 12 anos, ela deu à luz ao primeiro filho; aos 19, já havia tido cinco e perdido dois deles, e aos 21, tornou-se viúva.

Tomada pelo sonho de virar cantora, em 1953, Elza participou do programa de Ary Barroso na Rádio Tupi, e fez sua primeira apresentação ao vivo. Por causa de seu jeito humilde, Barroso lhe perguntou: "De que planeta você veio?". Ela respondeu: "Vim do mesmo planeta que o senhor". "E posso saber de que planeta eu sou?". "Do Planeta Fome", tascou Elza, que começou a cantar, claro, escondido da família. No início da carreira, ela chegou a ser impedida de se apresentar pelo simples fato de ser negra. "Tinha clube que era racista (....) Tinha lugar que negro não cantava (...) Algumas noites eu me arrumava toda, ficava ali, prontinha, fora do palco, esperando para entrar... e nada. Voltava pra casa sem me apresentar", revela a artista, em sua recém lançada biografia, Elza, escrita pelo jornalista Zeca Camargo.

O envolvimento amoroso com Garrincha, no começo dos anos 1960, foi outro marco na vida de Elza. Para o bem e para o mal. O jogador era casado e ela levou a fama de destruidora de lares. Por fim, acabaram ficando juntos, mas a relação foi tumultuadíssima, graças, em grande parte, ao alcoolismo e à violência de Garrincha. Em 1969, numa viagem de carro de São Paulo ao Rio, o jogador, que estava bêbado, provocou um acidente, matando a mãe de Elza, que estava no carro. Em 82, o relacionamento se desfez e, um ano depois, o jogador morreu de cirrose hepática. "A trajetória de Elza Soares é muito maior do que isso. A evolução da sua consciência como artista, mulher e voz a ser ouvida seguiu por caminhos complexos e sempre lineares", diz Zeca Camargo à Universa.

Dos sete filhos que teve, Elza ainda viu dois outros falecerem. Depressão, pensamentos suicidas e desespero foram, em parte, suavizados com o mergulho no trabalho, inclusive fora do país. Elza ganhou fãs ilustres como Louis Armstrong e João Gilberto e, em 2002, lançou seu o disco, "Do cóccix até o pescoço", que tirou dela o rótulo de sambista e abriu-lhe caminho para o rap, o techno e o funk. Neste ano, ela presenteou os fãs com seu 33º álbum, "Deus é Mulher", trabalho que a consagrou de vez como uma potentíssima voz do feminismo negro. Zeca Camargo dá o tom da importância desse disco:

Imagine que você lança o disco mais importante da sua carreira depois dos 80 anos. E que esse disco fale não apenas com seus contemporâneos octogenários, mas com gerações que vieram décadas depois de você ter entrado num estúdio. Elza Soares viveu isso e pode se orgulhar de ter conseguido tanto.

Com a palavra, à Universa, Elza Soares: "O Brasil é um dos países mais preconceituosos do mundo. Então deixa eu te contar uma coisa, o meu sonho é o mesmo do grande Martin Luther King, o de que um dia, todos os homens serão criados iguais e caminharão de braços dados com liberdade e justiça. É tão simples, mas é importante não se conformar com o preconceito. Eu luto pelos meus sonhos, que deveriam ser de vocês também."

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Bruno Santos/ Folhapress Bruno Santos/ Folhapress

Moda: Lais Ribeiro

"A perfeição feminina"

Negra, nordestina e brasileira. Essas são apenas três das potentes características que descrevem Lais Ribeiro, a primeira modelo negra brasileira a ser reconhecida mundialmente. Aos 28 anos, nascida em Miguel Alves, cidade piauiense rural com 33 mil habitantes, a caçula de três filhos de uma professora primária e um técnico de máquinas da Coca-Cola deu os primeiros passos em direção às passarelas internacionais em 2009 e, dois anos depois, ganhou notoriedade ao participar dos desfiles de 26 grifes no Fashion Rio e 27 outras, no São Paulo Fashion Week. O celebrado site models.com elegeu Lais como uma das mais sexy do mundo e a definiu como "perfeição brasileira".

Mãe desde os 17 anos, Lais, que planejava ser enfermeira, se tornou modelo de destaque mundial com trabalhos para as portentosas grifes Chanel, Louis Vuitton, Gucci, Marc Jacobs e Tom Ford. Vogue (Itália, EUA e Espanha), Haper's Bazaar (Arábia e Brasil) L'Officiel (França e Holanda) são algumas das revistas que já contaram com a presença da brasileira em ensaios. Desde 2015, Lais é uma das Angel?s da grife de lingerie norte-americana Victoria's Secret. No ano passado, foi escolhida para desfilar com o Fantasy Bra: com cerca de 6 mil pedras preciosas, entre diamantes, safiras amarelas, topázio azul e ouro, o sutiã icônico foi avaliado em mais de 2 milhões de dólares.

A presença de Lais em espaços historicamente ocupados por modelos brancas rompe com alguns paradigmas e resulta em atitudes que fortalecem outras modelos. Ela denunciou o racismo que sofreu em Milão, quando ouviu que não precisavam dela, pois já tinham modelos negras o suficiente. Recentemente, revelou que sofreu assédio praticado por um fotógrafo; atitude que encorajou outras modelos a falarem sobre os abusos por quais também haviam passado. No Brasil, Lais Ribeiro faz parte do diminuto time das topmodels negras, formado também por Donyale Lun, Naomi Sims, Alek Wek e Naomi Campbell.

"Hoje, eu falo com orgulho da minha origem. Você precisa ser forte, combatendo o descrédito preconceituoso e mostrando do que é capaz. A cor da minha pele, que em alguns momentos foi motivo de preconceito, acabou sendo abraçada por muitos clientes", diz Lais à Universa. 

Atualmente, é possível identificar uma pluralização das belezas nos desfiles e campanhas. Porém, levando em conta que a maioria da população brasileira é negra -- 54%, de acordo com o IBGE -- o número de modelos negras em desfiles e editoriais ainda é baixo.

Elas estão ligadas, especialmente no Brasil, a um determinado estereótipo. Pouco as vemos em marcas voltadas para mulheres mais sofisticadas.

Este é o comentário que faz a professora Maria Claudia Bonadio, doutora em história e líder do Grupo de Pesquisa História e Cultura de Moda, da pós-graduação em Artes, Cultura e Linguagens da Universidade Federal de Juiz de Fora, que atesta ainda que os trabalhos de modelos negras são muito mais frequentes em coleções de moda praia e de roupas tidas como divertidas.

Um modelo equivocado, evidentemente.

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Ciência: Sonia Guimarães

A primeira professora negra do ITA

Se na escola o que parece ser praxe entre os alunos é a compreensão de que a Física, findo o Ensino Médio, não terá aplicação alguma na vida prática, uma mulher negra, brasileira e cientista de ponta mostra que, na realidade --ou na tal da vida prática -- , é justamente o contrário o que acontece: a ciência está em tudo. Esta mulher é Sonia Guimarães, 62, paulista da cidade de Brotas, e que, como se já não se destacasse o suficiente da humanidade por ser absolutamente apaixonada pela "Física das coisas", carrega ainda outra admirável credencial.

"Tudo é muito lindo porque tudo tem Física. O pôr do sol com o vermelho que vai escurecendo, a maneira como o som se propaga, o jeito com que a música bate na gente: ela não vibra no nosso coração só porque a gente gosta muito dela, sabia?", diz, empolgada, a primeira professora negra do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) de São José dos Campos, a instituição militar mais tradicional do país.

Pouco mais de duas décadas atrás, quando, em 1993, ela se juntou ao quadro docente, mulheres eram figuras nulas não só entre os professores da casa, mas também em suas salas de aula -- foi só dali a três anos que pessoas do sexo feminino puderam se candidatar aos estudos no ITA. "Atualmente, meu reitor diz que somos 10% do quadro geral. É uma evolução maravilhosa, e a tendência é a de meninas indo para a área de Exatas. Há empresas como a Microsoft, por exemplo, fazendo campanha para aumentar o número de mulheres entre seus funcionários", diz Sônia

Filha de pai tapeceiro e mãe comerciante, a paulista estudou em escola pública e sonhava cursar Engenharia Civil. No cursinho, um professor sugeriu que ela pensasse em outras opções menos concorridos. Sonia nem precisou se esforçar muito: "eu já estava apaixonada pela Física". Aos 19 anos, saiu de casa para estudar; em 1979, com 23, formou-se com licenciatura plena em Ciências e, depois, fez um mestrado em Física Aplicada, pela Universidade Federal de São Carlos. Sua dissertação, aos olhos da maioria dos mortais, merecia um prêmio só pela complexidade do nome: "Desenvolvimento da Técnica Elipsométrica para Caracterização Ótica de Filmes Finos". Três anos depois, Sônia se especializaria em Química e Tecnologia dos Materiais e dos Componentes, e daria aulas no doutorado da Universidade de Manchester, na Inglaterra. Já se vão 26 anos dividindo a rotina entre as aulas no ITA e a carreira de pesquisadora na área da Física.

Transitando por espaços de predominância masculina, ela conta que sempre lidou bem com gestos machistas de colegas. "Se alguém viesse se meter comigo, eu dava uma invertida rapidinho. Tinha pessoas que não olhavam na minha cara, mas eu também não olhava nas delas. Não deixava nada encher meu saco."

Somos minoria nas Exatas e, desde cedo, desestimuladas a seguir carreiras nessa área. Ver mulheres em posição de prestígio na ciência incentiva meninas a acreditar que elas podem e são capazes de ser o que elas quiserem.

É o que atesta Isis Brito, pós-doutoranda do Instituto de Física da USP. Sônia faz seus cálculos: "As mulheres são metade da população mundial. Ou seja, enquanto estivermos fora de determinada área, aquela área estará deficitária."

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Literatura: Conceição Evaristo

A fina escrita negra

Uma construção de identidade baseada em memórias herdadas de seus ancestrais e que enfrenta as barreiras do patriarcado e do preconceito racial. Com esta sinopse, seria possível descrever a vida tanto da personagem Ponciá Vicêncio, que dá nome ao romance homônimo lançado em 2003, quanto à de sua autora, a escritora Conceição Evaristo, 71. Ambas negras, elas se destacaram em suas comunidades como umas das poucas mulheres que dominaram a leitura e a escrita.

O livro "Ponciá Vicêncio" alçou Conceição à visibilidade, num campo ainda de predominância branca e masculina.

Entre as artes, a literatura parece ser a mais difícil para se sobressair. Historicamente, temos homens e mulheres negros de destaque na música e no teatro. A área do saber escrito sempre foi mais fechada.

Este é o comentário da jornalista, mestre e doutoranda em História, Joselia Aguiar, que foi a curadora da edição 2017 da Flip. "Conceição foi reconhecida primeiro no exterior, por editores e especialistas da Alemanha, dos Estados Unidos e da França. Eles tiveram a atenção despertada pelo trabalho literário que ela faz de suas memórias", diz Joselia.

Nascida em uma família de nove irmãos, numa favela de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Conceição trabalhou como empregada doméstica enquanto terminava a escola. Em 1971, formou-se professora e mudou para o Rio de Janeiro. Lá, cursou magistério, entrou no curso de letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro e tornou-se mestre em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada.

"É possível pensar Conceição dentro de uma tradição de vozes femininas da diáspora africana", diz Joselia. "Ponciá" é seu livro mais emblemático, mas o outro, "Becos da Memória" e poemas e contos como "Olhos d'Água" (que recebeu um Jabuti em 2015 como melhor obra de contos) e "Inquisição", também trazem profundas reflexões sobre as questões de raça e gênero e recuperam uma memória sofrida e rica da população brasileira.

Militante do movimento negro e professora visitante da Universidade Federal de Minas Gerais, em junho deste ano, Conceição Evaristo oficializou sua candidatura à cadeira de número 7 da Academia Brasileira de Letras, originalmente ocupada por Castro Alves, e que se tornou vaga após a morte do cineasta Nelson Pereira dos Santos. Em sua carta de autoapresentação, a escritora se dizia disposta ao diálogo e na expectativa de uma oportunidade. Sua candidatura foi impulsionada por movimentos negros e feministas, que esperavam ver na ABL, composta por 40 membros em sua maioria homens e brancos, uma representatividade maior. Conceição Evaristo levou apenas um voto, e perdeu para o cineasta Cacá Diegues.  

Zanone Fraissat/Folhapress
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Causa negra: Djamila Ribeiro

A filósofa do feminismo negro

Ela é uma das principais vozes do feminismo negro na televisão, nas universidades e, principalmente, nas redes sociais. Por causa de seus posicionamentos, despertou as antenas de jovens que procuravam uma voz moderna que falasse desses assuntos, e de famosos que, rapidamente, a elegeram uma espécie de guru da atualidade; caso da atriz Camila Pitanga -- na casa de quem já deu aulas de feminismo -- e da apresentadora Fernanda Lima --de cujo programa "Amor & Sexo", é consultora.

Djamila Ribeiro, 38, mestre em filosofia, com ênfase em teoria feminina, nasceu em Santos, filha de pais politizados. A mãe era empregada doméstica e o pai, um estivador, ativista do movimento negro e um dos fundadores do Partido Comunista na cidade, a incentivou desde cedo a discutir questões relacionadas aos negros no Brasil. Os dois morreram cedo e num intervalo de apenas um ano, e Djamila, então por volta dos 18 anos, mergulhou nos trabalhos da ONG Casa de Cultura da Mulher Negra. Ali se consolidava sua direção para o ativismo.

Estou filosofia na Unifesp e fez mestrado na área com foco nas obras de Simone de Beauvoir e Judith Butler. Começou a publicar textos na internet, ser chamada para dar palestras e entrevistas e seu discurso acessível sobre feminismo ganhou espaço facilmente. Djamila então foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo na gestão do prefeito Fernando Haddad, em 2016, apresentou um programa no Canal Futura, deu cursos na Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo e publicou dois livros, "Quem tem Medo do Feminismo Negro"e "O Que é Lugar de Fala?", título que virou uma espécie de carimbo nos discursos feministas contemporâneos. Na obra, Djamila explica quando e por que uns devem falar sobre e outros apenas ouvir a mulher. Especialmente a negra.

"O ponto alto da minha militância é aumentar o acesso a esse tipo de reflexão", diz Djamila. "O fato de ser mulher e negra não significa, necessariamente, que a gente consiga refletir sobre machismo e racismo de maneira crítica", diz a filósofa, que tem 217 mil seguidores no Instagram e mais de 140 mil no Facebook. "A internet instrumentaliza meu ativismo", diz Djamila --nome escolhido pelo pai e que em swahili, língua falada no leste da África, significa "beleza" --, dona de longas tranças que marcam sua figura, e mãe de uma adolescente.

Para Eliane Dias, coordenadora da associação SOS Racismo e produtora da Boogie Naipe, dos Racionais MC's, Djamila faz um trabalho "aprofundado e delicado". "Ela tem um posicionamento e não recua nem se omite por motivo nenhum. Dá muita força para outras mulheres virem junto". Stella Yeshua, rapper e influencer digital do coletivo Estaremos Lá, dá a letra:

Eu acho que ela é tipo um [Mano] Brown feminino. Ela fala e dá uns estalos na gente. Sabe quando você tem várias ideias, não consegue fazer com que nenhuma delas aflore, e vem alguém, da forma mais simples do mundo, e coloca uma explicação? É a Djamila.

Lucas Lima/Universa
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Tecnologia: Nina Silva

TI black power

Reconhecida como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo antes dos 40 anos, executiva da área de TI há 16, cofundadora do Movimento Black Money, palestrante para audiências nacionais e internacionais que a aplaudem de pé, Nina Silva é a mulher que defende "que toda tecnologia tem que ser social". 

Nascida Marina Barbosa da Silva, numa favela de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e criada por uma ?família tradicional preta brasileira?, como ela explica o ambiente dentro de casa, Nina cresceu ouvindo que não era "pra não brincar até tarde e nem correr na rua porque era perigoso"; mas ninguém explicava para ela "por que uma menina negra não devia fazer essas coisas". 

Com facilidade para números desde pequena, formou-se em administração de empresas em uma universidade federal e trabalhou na área de TI de várias empresas gigantes, entre elas OI, L'oréal, Honda e Heineken,e hoje é "project manager lead" na ThoughtWorks, um consultoria global de tecnologia, onde desenvolve aplicativos e softwares. Mas, no meio disso tudo, em 2013, quando estava morando no Brooklyn e fazendo uma mentoria na New York University, ela quebrou emocionalmente. Nina identificou que a deprê bateu não só por conta da demanda intelectual e profissional, mas porque havia cortado o vínculo com a ONG que atuava há anos, de formação de espetáculos negros. Falando de sua mais recente aparição pública, como palestrante de um grande evento de tecnologia, ela analisa. ?Por mais que vivencie coisas maravilhosas, como estar num palco do RD Summit, com mil pessoas me aplaudindo, não posso esquecer da minha infância, da luta diária familiar e da esperança de outras pessoas que eu acabo carregando". 

O Movimento Black Money, criado por ela e um amigo da área financeira, é uma comunidade de afroempreendedores que quer fazer o dinheiro circular por mais tempo entre pessoas negras. Um dos braços do movimento, chamado de Afreektech, visa a educação financeira e tecnológica por meio de cursos de programação e marketing digital. Outro deles pretende criar uma instituição financeira que priorizará taxas mais acessíveis para quem normalmente tem créditos negados. O D´Black Bank também quer fortalecer projetos sociais da comunidade negra. Segundo Nadine Gasman, Representante da ONU Mulheres Brasil, a comunidade Black Money pode acelerar a transformação social. Para ela, 

A iniciativa muda o eixo da circulação de dinheiro, entra no mundo do fomento, concessão de crédito e investimentos a partir das redes de solidariedade entre negras e negros, que são parcela expressiva de consumidores no Brasil. 

Raquel Cunha/Folhapress Raquel Cunha/Folhapress

Causa LGBTs: Lea T.

Ela inventou moda

A modelo Leandra Cerezo, 37, é mineira, mas cresceu na Itália por conta da carreira do pai, o jogador e um dos volantes mais técnicos do futebol brasileiro, Toninho Cerezo. Até o começo da vida adulta, Lea T., nome artístico de Leandra, era identificada como homem. O reconhecimento e a autoafirmação como mulher transgênero, como acontece na maioria das famílias, foram muito sofridos. A mãe a criticava e o pai chegou a excluí-la da lista de filhos -- dizia que só tinha três, seus irmãos Gustavo, Lorena e Luana. Para piorar as coisas, Lea teve depressão, pensou em suicídio e tinha muito medo de precisar se prostituir para sobreviver -- realidade de muitas pessoas trans e travestis. Ela, no entanto, foi salva.

A amizade com o estilista Riccardo Tisci, que no início dos anos 2000 era diretor criativo da Givenchy, fez com que Lea se tornasse um ponto radiante fora da curva. Tisci a colocou para estrelar a campanha da grife francesa em 2010 e boom!, ela virou um meteoro no mundo da moda. Lea então posou beijando a top Kate Moss, fotografou para Benetton e Redken, foi entrevistada por Oprah Winfrey, eleita pela Forbes como uma das mulheres que mudaram a moda italiana -- ao lado de nomões como Miuccia Prada e Anna Dello Russo -- e convidada para todos os desfiles mundiais de peso.

?Ela estourou como uma modelo transgênero, brasileira, fazendo sucesso na Givenchy e que ninguém tinha ouvido falar antes. A Lea atraiu os holofotes primeiro lá fora e só então foi chamada no Brasil para desfilar no São Paulo Fashion Week (sua chegada no aeroporto foi tumultuada e sob forte segurança, dada a curiosidade e o celebrismo que sua figura já causava), analisa Silvia Scigliano, consultora de tendências e comportamento e vice-presidente da Associação Internacional dos Consultores de Imagem. "Quando falamos em tendências, vemos tudo sob a perspectiva de uma pirâmide. No topo, tem aquela pessoa que é inovadora, a vanguarda. A Lea é uma dessas pessoas."

Não é possível dizer que a aparição da modelo causou um aumento expressivo de pessoas trans no mundo da moda; algo que ainda não aconteceu também e infelizmente com modelos negras. No entanto, algumas mudanças já são perceptíveis, segundo Silvia Scigliano: 

Na última semana de moda de Nova York aumentou em 40% o número de modelos negros, transgêneros, plus size e mulheres mais velhas. Uma semente foi plantada por Lea. 

Depois da mineira, outros modelos transgêneros encontraram oportunidades, caso da australiana Andreja Pejic, a francesa Ines-Loan Rau, a brasileira Valentina Sampaio, o americano Laith Ashley e o polonês Oliwer Mastalerz.

Lea, que passou em 2012 por uma cirurgia de resignação sexual --popularmente conhecida como mudança de sexo -- e vive hoje na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foi eleita no ano passado como uma das embaixadoras da campanha "He For She" da ONU Mulheres contra o machismo. Na abertura de seu discurso, lançou a pergunta: "Se uma mulher já é vítima de preconceito, imagine quem precisa lutar para ser reconhecida como mulher?". E, muito importante: em 2011, numa entrevista ao jornalista Juca Kfouri, Toninho Cerezo citou Lea como uma das mulheres maravilhosas de sua vida e declarou respeito, amor e orgulho pela filha.

Marlene Bergamo/Folhapress
Sergio Dutti/BOL Sergio Dutti/BOL

Educação: Gina Vieira Ponte

Ela ensina a importância das mulheres

Gina Vieira Ponte foi uma das muitas crianças negras que se esforçam para serem invisíveis no ambiente escolar e, dessa forma, tentar sobreviver às violências do racismo. Naquele tempo, quarenta anos atrás, ela não podia nem sonhar que sua história ganharia ares de livro e que ela se tornaria professora e inspiração máxima para milhares de alunas.

Nascida na Ceilândia, região periférica do Distrito Federal, Gina, 46, é professora de português da educação básica na mesma escola em que estudou; criadora do projeto "Mulheres Inspiradoras" e premiadíssima por causa dele.

Criado em 2013, o projeto incentiva nos alunos a leitura de biografias de figuras femininas importantes no cenário mundial, por exemplo, as de Anne Frank, Malala Yousafzai, Carolina Maria de Jesus, Nise da Silveira e Maria da Penha. Após estudarem as biografias, os alunos entrevistam mulheres de suas comunidades e publicam o trabalho em um livro coletivo. Desde 2017, o "Mulheres Inspiradoras" foi levado para cerca de 20 escolas, estudado por mais de 3 mil jovens da rede pública do Distrito Federal e laureado com os prêmios Nacional de Educação e Direitos Humanos, Professores do Brasil, Construindo a Igualdade de Gênero e Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos.

A mãe de Gina era lavradora e o pai, vendedor ambulante. Apesar do pouco conhecimento cultural, os dois tinham o ensino como "sagrados", conta a educadora. "Eles possuíam uma narrativa extraordinária sobre o poder da educação. Diziam que a escola transformaria nosso destino e que quando eu aprendesse a ler, nada me seguraria". No entanto, quando chegou à escola, Gina foi recebida pelo duro golpe do racismo, o que complicou sua alfabetização. Aos 8 anos, ela ainda não sabia ler nem escrever nada. "Como não tinha repertório para entender aquelas agressões, imaginei que se ficasse muda, quieta, aquela violência cessaria", conta.

Um encontro, porém, mudou seus caminhos. Certo dia, quando estava na segunda série, uma professora negra, de nome Creuza, colocou Gina em seu colo e afetuosamente ouviu e entendeu quais eram os problemas daquela aluna. "Foi isso que fez com que eu decidisse me tornar professora", diz, emocionada. 

Para a psicóloga e educadora Irene Silva, que trabalha como coordenadora na Evoluir Educação Transformadora,

Gina rompe com a naturalidade que temos, enquanto professores, de só ficar reclamando da falta de interesse dos alunos. Ela abre espaço para a reflexão e percebemos que também podemos fazer coisas incríveis.

A importância simbólica de ter uma mulher negra à frente de iniciativas educacionais demonstra o valor da representatividade. Na visão de Irene, tê-la como professora estimula crianças negras e em situações de vulnerabilidade social a redesenhar seus planos para o futuro. 

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