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Um olhar diferente - e xereta - sobre o que bomba nas redes sociais


"Passar pano" pode ser tão grave quanto ser a pessoa que discursa ódio?

Reprodução/Rede Globo
Imagem: Reprodução/Rede Globo

Gustavo Frank

Da Universa

21/01/2019 15h54

No último domingo (20), Anitta protagonizou uma polêmica durante o ensaio do Bloco das Poderosas, que aconteceu no Rio de Janeiro. O motivo para que isso tenha acontecido foi a participação do seu colega e amigo Nego do Borel.

O cantor recentemente recebeu críticas nas redes sociais após uma troca de mensagens com Luisa Marilac, mulher transexual que ficou famosa na internet em 2013. Na ocasião, ele respondeu a um comentário elogioso dela, tratando-a no gênero masculino, levando internautas e outras figuras da comunidade LGBTQ+ o acusarem de transfobia.

No show de Anitta, Nego do Borel foi vaiado pelo público logo após subir no palco. A repercussão foi tão grande que o assunto se tornou um dos mais falados no Twitter nesta segunda-feira (21).

Na rede social, "Nego", "Borel" e a hashtag "#AnittaIsOverParty" estão entre os tópicos mais citados.

Já entre os tuítes que estão alavancando esses termos, muitos internautas estão usando a oportunidade para explicar por que "passar pano" -- gíria usada para se referir a alguém que releva comentários preconceituosos -- pode ser tão perigoso quanto ser a pessoa que discursa ódio contra as minorias.

Muitas pessoas reforçaram a visibilidade de ambos como um dos problemas.

Algumas reforçaram, ainda, que a vida pessoal deles não é um problema. Mas a atitude é problemática por envolver uma questão que atinge toda a comunidade LGBTQ+.

O fato de que a maioria do público do evento ser LGBTQ+ foi um dos maiores motivos para o desconforto.

A repetição de erros de Nego do Borel também foi citada como um dos argumentos.

Teve também quem levantasse a bandeira de que alguns homens se escondem por trás da imagem de "imaturidade" para se desculpar por seus erros.

Outros se apoiam na ideia de que atacar quem está "passando pano" invisibiliza a conscientização de quem fez o discurso.

Por fim, o problema apontado por muitos foi o fato de que silenciar a repercussão de um discurso de ódio é, de alguma forma, apoiá-lo.