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Franceses aproveitam protestos para "encontrar alma gêmea"

Benoit Tessier/Reuters
"Coletes amarelos" protestam na Champs Elysées, em Paris. As manifestações ainda estão servindo de oportunidade amorosa para alguns franceses. Imagem: Benoit Tessier/Reuters

da RFI

18/12/2018 10h19

O movimento dos “coletes amarelos” evoluiu desde que começou, mas não somente em termos de intensidade dos protestos e de mudança de objetivos.

Atravessando a rua é possível achar um trabalho, de acordo com aquele sujeito [Macron]. Talvez, ao visitar uma rotunda, podemos descobrir o amor”. Esse é o texto de um dos vários grupos de Facebook criados por manifestantes “coletes amarelos” para facilitar a tarefa de, como dizem alguns, “encontrar a alma gêmea”.

A ideia parte do princípio que os manifestantes compartilham os mesmos valores revolucionários, o que significa que eles já têm algo em comum. “Cansado de protestar sozinho? Nessa página, você pode encontrar o amor da sua vida (ou da sua noite), que possui os mesmos interesses por justiça social e por respeito ao povo”, anuncia um outro grupo virtual.

Todos eles se chamam “Adote um ‘colete amarelo’”, em referência ao site de relacionamentos francês “Adote um cara”. “Estávamos protestando numa rodovia, e, como sou solteira, comecei a fazer uma sondagem para ver quantas pessoas se interessavam em fazer parte do grupo”, afirmou, ao canal francês Sud Ouest, a criadora de uma das comunidades virtuais, que conta atualmente com mais de 2.000 membros.

Caroline, moderadora de um grupo de relacionamentos para “coletes amarelos” entrevistada pelo jornal Le Monde, disse que o sucesso foi instantâneo. “Começamos com 14 [pessoas] e, no dia seguinte, de manhã, descobrimos que éramos 600! E 2746 três dias mais tarde”, afirmou.

“O problema é que tem homens demais”, aponta, ressaltando que é preciso fazer uma seleção dos novos integrantes. “Se os ‘coletes amarelos’ pararem de protestar, vou manter o grupo até que todos tenham encontrado alguém”.

“Dress code”: colete amarelo

No dia 8 de dezembro, dois manifestantes, que se encontraram no início do movimento, participaram simbolicamente de uma cerimônia de casamento numa rodovia de Séméac, no sul da França. Eles se vestiram para a ocasião, mas não deixaram de lado o principal item da indumentária dos protestos franceses contemporâneos: o colete amarelo.

Eles disseram “sim” no meio do bloqueio. Cerca de quarenta pessoas presenciaram o evento. A responsável por oficializar o matrimônio simbólico desejou uma vida “de amor e de água fresca, sobretudo tendo em vista a situação econômica”. Os dois “recém-casados” assinaram um documento e deram voltas em uma rotunda, simbolizando uma “viagem de lua de mel”.