menu
Topo

Beleza

Substâncias em cosméticos são associadas à puberdade precoce em meninas

iStock
A exposição em dobro ao monoetileno de ftalato foi associada ao aparecimento avançado de pelos pubianos das meninas Imagem: iStock

Da RFI

04/12/2018 15h41

A relação entre perturbadores endócrinos presentes em cosméticos e a puberdade precoce em adolescentes é cada vez mais apontada por pesquisas.

Dirigido pelas especialistas Kim Harley e Brenda Eskenazi, da Universidade da Califórnia, a pesquisa aponta que a puberdade precoce em garotas é relacionada principalmentre a três moléculas: monoetileno de ftalato (MEP), triclosan (TCS) e o 2,4-diclorofenol (2,4-DCP). Essas substâncias são facilmente encontradas em produtos de higiene, beleza ou em perfumes de ambiente.

Veja também

Para chegar a esses resultados, a equipe de Harley e Eskenazi utilizou dados de 340 bebês e suas mães. As mulheres foram recrutadas no início da gravidez e as crianças oriundas dessas gestações foram regularmente examinadas até a puberdade. 

Segundo os pesquisadores, a exposição em dobro ao monoetileno de ftalato foi associada ao aparecimento avançado de pelos pubianos das meninas. Já a exposição em dobro ao triclosan e o 2,4-diclorofenol foi relacionada à precocidade da primeira menstruação.

Outro fenômeno que também chamou a atenção dos especialistas foi que a utilização de produtos com parabenos - comuns nos cosméticos – pode ter adiantado a primeira menstruação ou ter ocasionado o desenvolvimento precoce dos seios.

Os pesquisadores não descartam, no entanto, a "casualidade inversa". "Meninas que têm a puberdade precoce podem estar mais inclinadas a utilizar produtos de higiene e de cuidados corporais" e, assim, estarem mais expostas a perturbadores endócrinos.

Puberdade precoce de garotas não é fenômeno raro

O estudo não trouxe resultados significativos sobre a exposição a essas substâncias e a variação da idade da puberdade dos meninos - um fenômeno que não é desconhecido na ciência. Na França, por exemplo, o início da adolescência precoce (antes dos 9 anos) atinge dez vezes mais as garotas.

Entretanto, raramente o fenômeno foi considerado como uma patologia, sem que pesquisadores se preocupassem em decifrá-lo. Uma das raras publicações, na revista científica New England Journal of Medicine, data do início de 1982.

Ela indica uma diminuição contínua na idade da primeira menstruação: em torno dos 16 anos no início do século 20, média que passa aos 13 anos de idade a partir de 1970.

Em 2008, uma pesquisa publicada na revista Pediatrics concluiu que a exposição de crianças a certos perturbadores endócrinos era relacionada ao sobrepeso. Vários estudos mostram que essas substâncias também influenciam no metabolismo de gorduras e açúcares ingeridos, favorecendo o ganho de massa corporal.